quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Último post do ano: melhores gravações de 2009

O ano de 2009 trouxe algumas excelentes novidades em gravações de música clássica. Para minha surpresa, algumas das melhores são ainda de música de Bach ! Não param de aparecer novas interpretações e reportório raro constituindo revelação pemanente. Eis o meu "best of" de 2009:

1. Música antiga / barroca

Bach: Sonatas para viola da Gamba BWV 1027-1029, Corais & Trios
Les Basses Réunies
Bruno Cocset v. alto, tenor e baixo
Bertrand Cuiller cravo e órgão
Richard Myron contrabaixo
Alpha


Bach: Concertos para Violino
Julia Fischer, ASMF
Decca
:) Uma violinista revelação


Bach: Cantatas BWV169/BWV170/BWV35
Bernarda Fink
Petra Müllejans, Freiburg Baroque Orchestra
Harmonia Mundi
:) Fink e a Freiburg em estado de graça!


Haendel: Alcina
DiDonato, Rensburg, Beaumont
Archiv Produktion (DG)
Alan Curtis , Il Complesso Barocco
:) aah, ouçam a DiDonato cantar o " Tornami a Vagheggiar"!

2. Período Clássico


Mozart: Idomeneo
Croft, Fink
Harmonia Mundi
René Jacobs, Freiburg Baroque Orchestra
:) Jacobs cria mais uma gravação de referência

3. Contemporânea

Morten Lauridsen: O Magnum Mysterium, Songs
Noel Edison, Elora Festival Singers
Naxos
:) Belíssima música coral composta com delicadeza e imaginação.

4. Reedição/ gravação histórica

Donizetti: Lucia di Lammermoor
Joan Sutherland
Luciano Pavarotti
Sherrill Milnes
Nicolai Ghiaurov
Bonynge, Coro e Orquestra da ROH
Decca
:) Nunca um tão fabuloso cast esteve reunido!

5. Surpresa divertida !

Vivaldi: Four Seasons (Transcrição para piano)
Jeffrey Biegel, pn
Naxos
:) perdoem a heresia, mas é um gosto!

É curioso que não ouvi nada de especialmente bom do período romântico este ano, ao contrário do ano passado.

Boas entradas em 2010 e que nunca falte música !

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ano Haydn IV - a terminar

Está no seu fim o Ano Haydn. Passada a efeméride, os seus geniais trios, quartetos, sonatas, concertos e sinfonias hão-de se manter regularmente em audição... Criador de várias formas de composição, devo-lhe também a boa disposição em música: transparece na sua obra o feitio bondoso e risonho que sempre manteve apesar das enormes contrariedades que enfrentou.

Duas obras populares bem conhecidas: da sinfonia no. 6, "a manhã", o 1º andamento; e a canzonetta em inglês "mermaid's song", A canção da Sereia.

Haydn Symphony no. 6 mvt 1
The Burlington Chamber Orchestra, dirigida por Michael Hopkins:




Haydn: The mermaid's song , canta Sophie Karthauser:



The mermaid's song

Now the dancing sunbeams play
On the green and glassy sea,
Come, and I will lead the way
Where the pearly treasures be.

Come with me, and we will go
Where the rocks of coral grow.
Follow, follow, follow me.

Come, behold what treasures lie
Far below the rolling waves,
Riches, hid from human eye,
Dimly shine in ocean's caves.
Ebbing tides bear no delay,
Stormy winds are far away.

Come with me, and we will go
Where the rocks of coral grow.
Follow, follow, follow me.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Oymyakon, Yakutia : encontro de Chyskhaan, o Senhor do Inverno, com o Pai Natal

Ded Moroz, o Pai Natal, encontra-se com Chyskhaan, o Senhor do Inverno, na aldeia de Tomtor, Yakutia, Sibéria.

Na cultura eslava, o tradicional Ded Moroz ("Avô Gelo") equivale ao Pai Natal , mas com diferenças: não anda nem voa de trenó, antes caminha com uma longa vara mágica, e não diz "Ho, ho, ho". Tem raízes em crenças pagãs, mas desde o séc XIX a lenda e os atributos foram "actualizados" para gostos mais modernos.


Chyskhaan é uma personagem do folclore da Yakutia. O seu nome na linguagem Sakha da Yakutia tem várias traduções, mas significa " Touro do Gelo ". Chyskhaan e Ded Moroz encontram-se no Pólo do Frio, a aldeia de Oymyakon, para distribuir o Inverno pelo mundo. Segundo a lenda de Chyskhaan:

"Chyskhaan existiu sempre. Tem a tarefa de manter o frio confinado a determinadas latitudes, altitudes e regiões. Mantém a pureza fria e gelada do Ártico e Antártico. No Yule, o dia mais curto e a noite mais longa, as gentes do Norte juntam-se para o saudar e oferecem-lhe prendas para que leve o frio embora e deixe o Sol regressar. Chyskhaan junta todas as prendas e redistribui-as aos mais necessitados, guardando para si o mínimo para a magia em que vai trabalhar nos próximos meses: mandar embora a Noite e trazer o Sol. Ao mesmo tempo, tem que controlar o degelo para evitar que as aldeias sejam inundadas. E tem de esconder sob a neve os intrumentos de magia para que pessoas mal intencionadas não as usem em seu proveito. "

YULE

Yule é um festival celebrado no Inverno entre os povos Germânicos, que foi progressivamente absorvido pelo Natal cristão. Era celebrado para pedir "uma estação fértil e pacífica" e consistia em ritos e sacrifícios a Odin. Na tradição nórdica, Yule começa com o tocar dos sinos na tarde de julaften ("Véspera de Yule") em 24 de Dezembro, em que também levanta e se decora a árvore .

Curiosidade: no livro de J.K.Rowling "Harry Potter and the Goblet of Fire", há um "baile de YULE" no colégio de Hogwarts, ao anoitecer da noite de Natal.

Oymyakon, o Pólo do Frio

Oymyakon , na Sibéria oriental, a 63°15′N 143°9′E , é o local mais frio do hemisfério Norte e a povoação permanente mais fria do mundo. Se temperaturas de - 50º são frequentes no Pólo Norte e de -40º no Evereste, em Oymyakon o recorde foi atingido a 26 de Janeiro de 1926: - 71,2º C !

Temperatura amena em Oymyakon

Só na Antártida se registam temperaturas mais baixas - até agora o recorde absoluto está em −89.2 °C - mas na base russa de Vostok, que tem ocupação temporária.

O Festival Internacional Pólo do Frio tem lugar anualmente em Tomtor, Oymyakon.

Esta parte da Sibéria ficou tristemente para a História por ser o local de campos de "trabalho" - os GULAG - sob o regime de Estaline. Para construir a estrada de Kolyma, “estrada sobre ossos”, a maioria dos prisioneiros deu a vida em condições infra-humanas. Hei-de voltar ao assunto com um post sobre as "Cidades do Gulag" - Yakutsk, Vorkuta e Norilsk. Actualmente, apesar do frio e das ruínas industriais soviéticas , os povos da Sibéria lutam para conseguir condições de vida decentes, mais modernas, alegres e coloridas, reatando também com tradições e festividades.

Alguns links:

http://en.wikipedia.org/wiki/Yule

http://en.wikipedia.org/wiki/Ded_Moroz

http://www.yakutiatravel.com/eng/facts.htm

Imagens : WENN , Picasa

sábado, 26 de dezembro de 2009

Viagem cancelada: maus tempos

Ghent e Brugges ficam para outra vez. O tempo atmosférico prometia 7 dias de chuva e frio, e o tempo biológico também anda mal: vértebras escorregadas (ui!) , dores de alma, etc.

Lá terão (!!!) de me aturar...

Ghent à noite

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A feia mentira de Natal

"O nascimento do menino Jesus ilumina de alegria os vossos lares e corações" - Papa Bento XVI

O horrendo estandarte que substitui os (esses sim) divertidos Pais Natais só me causa uma tristeza funda. O Natal foi aproveitado pelos cristãos para substituir as festas pagãs. A narrativa bíblica tem certamente grande beleza e significado cultural e histórico, faz parte da matriz europeia em que me insiro; mas também a árvore de Natal nórdica, o Santa Claus, a celebração da neve e da noite invernal, fazem parte dessa matriz; e para um não crente como eu, a história dos sapatinho, ou das meias, das renas e do trenó voador, das prendas a descer pela chaminé tem com certeza mais encanto e uma imagem positiva de divertida ficção e de bem-estar mais adequada ao imaginário de crianças.

Apesar da tradição cristã europeia, que inspirou na Arte uma grande parte da herança clássica (música, pintura, literatura), hoje vivemos uma era onde o horrendo estandarte traz uma imagem de decrepitude, obsessão, mentira, corrupção, fealdade e miséria. Tudo o que o Natal não deve ser.

P.S. Não gosto nada do livro do Saramago

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal, Norte, Neve, Noite

Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar

Fernando Pessoa

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Por falar em cascatas congeladas

Esta foi agora, em Bainbridge, Wensleydal, Reino Unido.

E o pato? Com o que vai por aí, depois de Copenhaga, receio que venhamos a correr o risco de nos transformarmos em patos congelados...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Próxima viagem : Ghent e Bruges

Das mais ricas cidades da Europa na Idade Média, quando por cá vivíamos nas "trevas" por lá florescia o negócio hanseático no mar do Norte. Dessa época resistiram milhares de casas classificadas, fachadas medievais e renascentistas, ruas peatonais quase intactas, castelos, igrejas góticas magníficas, tudo entrecortado com canais de águas limpas e navegáveis.


Centro histórico sem trânsito automóvel , o que ajuda ao ar saudável que se respira e ao silêncio que deixa ouvir os sinos e os pássaros.

Neste enquadramento não falta a cultura da vida urbana; lojas de arte e artesanato, cafés e creperies, museus recheados de obras da Flandres, salas de concerto. Herreweghe e o seu Collegium Vocale, os "Embaixadores Culturais da Flandres", nasceram aqui. Ghent é uma cidade universitária desde 1817, e o ambiente estudantil contribui imenso para a sua vitalidade.

Voltar a Ghent e a Bruges é como voltar a casa: reencontrar um habitat urbano acolhedor, uma matriz cujo reconhecimento causa um particularmente doce agrado, ao contrário da acidez vulgar e hostil do país em que vivo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pela primeira vez neste inverno...


...aqui é que se está bem.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A minha lista de prendas

Já está resolvido. Este ano vai ser assim:

LIVROSDickens, Cadernos de Pickwick, Tinta da China



Stuparich, A Ilha, Ahab

MÚSICA


Mahler, Sinf. No. 2, Haitink c/ Sinf. Chicago, CSO

Haendel, Concertos para órgão op.4, Egarr c/AAM, Harmonia Mundi

Bilhetes para a Casa da Música, temporada 2010

DVD










Andrei Zviaguintsev, Le Retour e Le Banissement , filmes de culto

GULODICES

Eterno favorito: doce de abóbora

Douro c/ pergaminhos: Barca Velha

COISAS FOFAS

Nada se lhe compara: cachemira.

CULTURAL / DIDÁCTICO

Caixa dos 5 sólidos platónicos , ametista

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

16 de Dezembro: Beethoven

Nasceu a 16/12/1770.
Do Fidelio, uma das minhas 3 óperas para-sempre, um dueto cantado pela fenomenal jovem Christa Ludwig e Robert King (aqui preferia Jon Vickers): "O namenlose Freude". Nunca o amor foi cantado de forma tão exultante e jubilatória!



O namenlose Freude!
Mein Mann an meiner Brust!
Mein Weib, mein Weib an meiner Brust!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Nova 2ª de Mahler, por Haitink

Muito elogiado, o ciclo das sinfonias de Mahler com Haitink à frente da Sinfónica de Chicago chega agora à Ressurreição, a No.2 . Não vou deixar de a ouvir, sendo que esta é outra das obras primas absolutas de todos os tempos.

Ao que dizem, uma qualidade sonora fabulosa , acrescida ao facto de Haitink ser provavelmente o mais profundo conhecedor de Mahler da actualidade, só pode alimentar altas expectativas.


MAHLER / Symphony No. 2
Chicago Symphony Orchestra
Bernard Haitink, Conductor
Chicago Symphony Chorus
Duain Wolfe, Chorus Director and Conductor
Miah Persson, Soprano
Christianne Stotijn, Mezzo-Soprano

CSOR 901 916 Hybrid SACD

domingo, 13 de dezembro de 2009

Quando as cascatas congelaram

É verdade, já lá vão mais de 160 anos desde a última vez em que as cascatas do Niágara congelaram : Março de 1848.

O fluxo da água foi interrompido por um acumular de gelo em pequenos icebergs na parte superior do rio, o que levou ao rápido congelamento das duas quedas de água.

Na parte de baixo, formou-se uma "ponte de gelo" de uma margem à outra , que a multidão de visitantes atravessava continuadamente tirando fotografias; uns corriam em "toboggan", outros vendiam bebidas e bugigangas. Nesse ano, não houve vítimas da quebra do gelo.

De facto, o fluxo tremendo de toneladas de água não foi interrompido - continuou por baixo da "ponte de gelo", que se estendia por quilómetros.

Terá bastado que a Terra aqueça 0,6º C para que o fenómeno não se tenha repetido?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Porto de Copenhaga

O colorido Nyhavn por Nadir Afonso ( 1975 )

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Eu logo vi, OU os batoteiros do clima

Então vamos lá à cimeira de Copenhaga e às alterações climáticas. Cada vez mais me convenço que ainda não há verdadeira ciência feita sobre a questão. Há mesmo uma guerra aberta entre duas escolas - ambas aceitam as alterações climáticas, mas uma culpa exclusivamente o Homem e outra não. Uma vê a solução para o problema nas restrições à produção e ao consumo, outra só encontra solução em novas tecnologias que ajudem a minorar o fenómeno.

Claro que em Copenhaga domina a primeira tendência, a dos que acham que desde a revolução industrial a humanidade acumulou na atmosfera tal quantidade de CO2 que o aquecimento daí decorrente nos conduz a uma catástrofe abundantemente anunciada e dramatizada. Como diz o antigo redactor chefe da New Scientist, Nigel Calder, é mais uma religião que uma teoria. De facto, embora maioritariamente aceite, é ainda uma hipótese - não foi provada. Mas é com ela que nos bombardeiam nos media - TV e jornais adoram o lado catastrofista e de "reviralho social" deste cenário.

Do outro lado, os negacionistas, vistos como herejes e vendidos (às multinacionais, claro). Não só atribuem o maior peso das alterações a fenómenos naturais ( Sol, aquecimento vindo do interior do planeta, ciclos climáticos) como têem a desvergonha de anunciar que o aquecimento é passageiro (logo o CO2 não precisa de grande combate) e, suprema heresia, vivemos um ciclo de arrefecimento. Os glaciares não derretem "por cima", por aquecimento da atmosfera - mas "por baixo", por aquecimento da terra e do mar. Claro que nada disto está também provado - temos duas escolas, duas hipóteses.

Já tem havido dissidências e escândalos, provas de que o Greenpeace manipula dados e estatísticas como lhe convém, acusações desmentidas como "provocações de vendidos". Agora há mais um, e dos fortes. Chamam-lhe o "Climategate".

A 19 de Novembro, um "hacker" entrou no correio da organização No.1 da Europa no estudo do clima, a CRU (climate research unity) da Universidade de East Anglia. A CRU é o centro de referência a nível europeu da escola CO2-catastrofista, em estreita colaboração com a congénere americana, o Instituto Goddard da Nasa. Juntos constituem o mais sólido esteio da teoria "AGW", Anthopogenic Global Warming, que ditou a agenda de Copenhaga e é a base em que assenta o IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), entidade máxima internacional.


Pois o que revelaram as mensagens de correio espiolhadas pelo "hacker" russo (para que conste) ? Batota, muita batota. O director do CRU escreve por exemplo em 1999: «acabo de completar a astúcia de Mike na revista "Nature", juntando temperaturas reais em cada série para os últimos 20 anos (...) de forma a esconder a diminuição». Trata-se de uma imprevista diminuição de temperatura que estragava o estudo. Mais tarde, em 2005, quando um jornalista invocava o direito à informação para reclamar os dados meteorológicos obtidos pelo CRU, escreve: « prefiro destruir o ficheiro a enviá-lo a seja quem fôr.» Ou ainda: «Tive muitas dificuldades em equilibrar as necessidades da Ciência com as do IPCC, que nem sempre eram as mesmas».

Conclusão dos negacionistas: as teorias do IPCC estão falseadas com truques.

Só para esclarecer um pouco melhor: os dados de que se dispõe desde cerca do ano 900 D.C. levam ao seguinte gráfico (do IPCC) no decurso do útimo milénio:


Este gráfico de altos e baixos cíclicos torna ridícula a teoria de um súbito e forte aquecimento pós-revolução industrial. O MWP (Período Quente Medieval, em que a temperatura subiu alguns graus mais do que actualmente - e tornou a Gronelândia "Grøn", Verde, para os Vikings) e o LIA (Pequena Idade do Gelo, que os exterminou de frio) simplesmente dão cabo do panorama, tinham que ser disfarçados.

Se o IPCC de início aceitou os factos, rapidamente se viu na necessidade de os manipular para defender o seu modelo. Sucessivos "estudos", "melhoramentos" e "reconstruções" acabaram com os altos-e-baixos, substituidos por um gráfico em zig-zags verticais como num sismograma:

Vejam só como agora é evidente que a temperatura vinha diminuindo no milénio até que surge o fenómeno do aquecimento pronunciado desde 1900! Que milagre!

Mas a "batota" principal agora denunciada está na parte final (mais recente) do gráfico. Os pormenores são demasiado complexos para aqui os expôr (ver link abaixo), mas em poucas palavras : foram ignorados vários dados, estudos e modelos que NÃO apontam para aquecimento acima da média nos últimos anos, em favor de outros que apontam para um brutal aquecimento; sendo que estes não merecem mais credibilidade que os outros.

Portanto: aquecimento global antropogénico, valente treta. Pateada e BOLA PRETA do Livro de Areia.

Aguardemos.

Artigo sobre o Climategate:
http://climateaudit.org/2009/11/20/mike%e2%80%99s-nature-trick/


Está tudo explicado aqui:
http://www.americanthinker.com/2009/12/understanding_climategates_hid.html

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sibelius, nascido a 8 de Dezembro

Jean Sibelius, o grande compositor de sinfonias do Norte, nasceu a 8 de dezembro de 1865, de uma família que falava sueco, numa aldeia que pertencia então ao império russo localizada na actual Finlândia. Talvez este caldo cultural tenha favorecido a veia criativa de Sibelius, que foi um nacionalista convicto - pela independência da Karelia, região fronteiriça entre a Rússia, a Suécia e a Finlândia.

Inspirado pela famosa natureza de lagos e florestas, muita neve e gelo, compôs 7 sinfonias coloridas e impressionistas, um excelente concerto para violino, canções e outras obras sinfónicas e de câmara.

Durante muito tempo Colin Davis reinou como mestre incontestável em Sibelius; actualmente a referência são os maestros nórdicos. Cá vai o finale da 5ª sinfonia pela Orquestra da Rádio Sueca, dirigida por Esa-Pekka Salonen. Magnífica sonoridade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Stavkirken - catedrais góticas em madeira

Uma das imperdíveis riquezas da Noruega é a impressionante colecção de Stave Kirken dissemindas pelo país – igrejas de madeira que vêm desde o tempo da cristianização dos Vikings por volta do séc XI, passando pela idade média. São construídas com uma técnica especial de entrosamento de troncos verticais (stave=mastro) e horizontais sobre um estrado de troncos assente em pedras, de modo a impedir que os mastros apodreçam.

As construções mais simples têm uma nave e o tecto suportado pelas paredes em palissada, directamente sobre a terra ou sobre cascalho. A maior parte desapareceu por apodrecimento dos mastros. As que foram construídas sobre plataforma já têm um forte tronco central que suporta a torre em espiral e reforça a sustentação das paredes, caso de Uvdal. As mais elaboradas (Borgund) têm colunas interiores de fortes troncos de madeira sobre plataforma que permitem suportar um tecto em V e “naves “ laterais.

A decoração assenta no rico trabalho de escultura e encaixes de madeira e nas pinturas de parede e tecto. Os mastros de 8 ou 9 metros são acrescidos de cruzes para simular maior altura. A madeira é quase sempre pinho, pois carvalho e faia são raros na Noruega.

Visitei as igrejas de Hopperstad e Heddal quando fiz uma viagem a Bergen e à região circundante.

1. Heddal





Construída à volta de 1200 DC, é a maior das 28 igrejas de madeira da Noruega, uma obra prima da arquitectura medieval.

Tem a forma de basílica, suportada por 12 grandes postes exteriores e 6 mais pequenos no interior.
Fora, inscrições rúnicas com a dedicação da igreja, e abundante trabalho de escultura em madeira.

Dentro, uma galeria a toda a volta.

2. Hopperstad, em Vik

Hopperstad é uma das mais antigas stave kirken, datando de cerca de 1140.





No telhado de escamas de madeira, dragões ricamente esculpidos, imaginados com fantasia, parecem de guarda à igreja, nos torreões e nas empenas; a sua origem como elemento artístico já vem do tempo dos Vikings.



Uma galeria exterior circunda toda a igreja.


Quase todas as stavkirken estão localizadas num local proeminente, uma pequena elevação com vista para um vale ou para um fiorde na costa.


Em Hopperstad dispus de tempo e de um bonito fim de tarde, e fui invadido por uma impressionante sensação de "local único, momento único". O silêncio profundo e a magia do lugar ainda fazem parte das memórias dessa viagem à Noruega.