sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ventania


Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora;
Mas também meu pensamento
Tem um vento que o devora.

Há uma íntima intenção
Que tumultua em meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer;

Não sei se há ramos deitados
Abaixo no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há mágoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lixo plástico convertido em arte

Não falta quem pretenda fazer arte a partir de lixo reciclado. Em geral são habilidades escolares ou académicas para fins didácticos. Esta senhora, Sayaka Ganz , consegue atingir outro patamar - esculturas de animais com recurso a plásticos de uso caseiro resultam em objectos de elegante design, imaginativa textura e colorido, e com uma dinâmica quase realista.

"Para as minhas esculturas uso utensílios de plástico, brinquedos e algumas peças metálicas. Utilizo sempre objectos que foram usados e deitados fora. A história humana que eles transportam dá-lhes vida, na minha maneira de ver. Pretendo transcender as suas origens ao dar-lhe uma forma animal que parce ter vida."


Sayaka Ganz é japonesa mas vive nos U.S.A., Indiana.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Civilização

Pequena biblioteca de rua, com banco de leitura

É isto, para mim, civilização. Difícil de encontrar na Ásia ou na América do Sul. Improvável nos E.U. , muito menos em Portugal . Talvez no Canadá, mais europeu. É com certeza num país nórdico. Quanta história, quanta ética, quanta cultura, quanta cidadania, quanto respeito, quanta paz se revelam neste banquinho com estante !

E este banco com design próprio para uma cómoda posição de leitura? Quem é que se preocuparia com o bem estar de um leitor de banco público ?


Civilização, às vezes, é tão pouco...


Banco público com biblioteca em Sogndalstrand, Noruega (perto de Stavanger).

Banco público de leitura "Kajen", design do sueco Thomas Bernstrand

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Maria João Pires, com Pavel Gomziakov, na C.M.

Quem já ouviu Maria Jão Pires em concerto sabe que a experiência tem algo de transcendente. O fluxo de música que jorra daquelas mãos não é deste mundo. E ontem, na Casa da Música, MJP devia estar em dia SIM: com aquela fragilidade aparente, conseguia no teclado narrativas de encantamento absoluto, eu (e as pessoas ao meu lado!) estava suspenso de cada nota, de cada silêncio ( e que silêncios!) , de cada stacatto, hipnotizado em absoluto espanto.

Tanta delicadeza, fluidez, intensidade emotiva, quase faz esquecer a exigência técnica das obras. As variações para piano, WoO80, devem ser bem mais difíceis do que pareciam, e para se conseguir aqueles momentos mágicos no adagio da Sonata "Tempestade" para piano (Op.31, nº.2) é preciso um domínio tão fabuloso das mãos, do teclado e de si própria que dá vertigens.

Na Sonata para violoncelo e piano nº.3 , Op.69, última do programa, Pavel Gomziakov estava em total empatia com MJP : o violoncelo todo em doçura e leveza fazia também maravilhas, e foi outro momento de sublime narativa: era como estar a ouvir uma história contada, onde se entrecruzavam aventura e contemplação, vitória e declínio, arrebatamento e depressão, tudo mérito de Beethoven, claro, mas não deve haver melhor par de mãos para o exprimir que as de MJP. O que mais admiro, afinal, é que Maria João Pires não "toca": tem um conceito. A obra nas mãos dela transfigura-se noutra coisa que é o seu sentir tornado conceito. Planeado ? Improvisado? Não sei. Mas resulta em milagre.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mão de gelo



O Glaciar Gull ("Mão de Deus"), no fiorde de Tanquary, Parque Nacional de Quttinirpaaq (= a terra mais no topo”) , ilha de Ellesmere, Canadá.

A maior parte da ilha de Ellesmere é um deserto polar, recortado profundamente de fiordes, com uma paisagem espantosa de glaciares, montanhas e nunataks, e ainda o lago Hazen, o maior a norte do Círculo Polar. O parque de foi classificado património mundial pela Unesco, não só pela intocada e fantástica natureza da ilha, mas também pela presença de vários testemunhos da vida dos povos paleo-esquimós do ártico.

A rara vegetação permite a vida de rebanhos de bois almiscarados, caribus, lebre e corujas do Ártico, estorninhos do Ártico, ursos polares, e muitos mamíferos marinhos nas costas.

Os primeiros habitantes de Ellesmere foram grupos de inuits atraídos pela então abundante caça e pesca, cerca de 1000-2000 A.C.; depois vieram os Vikings da Gronelândia, e finalmente os europeus em 1616.

Há duas povoações na ilha: a estação militar e científica canadiana Alert, que garante a soberania e estuda o clima, e a remota e inóspita aldeia inuit de Grisefiord (Aujuittuq), num cenário fabuloso.

Penguin Café Orchestra

Das melhores coisas que aconteceram na música dos anos 80, os Penguin Café Orchestra faziam música ligeira, obras curtas e divertidas mas extremamente criativas e inovadoras, como pequenas canções para grupo instrumental. Hoje poucos se lembram deles, eu cheguei a trautear quase toda a obra da também curta vida de Simon Jeffes (1949-1997), líder conceptual e compositor.

Foram talvez a única banda a conseguir uma ponte de autenticidade entre a pop e a clássica, não se limitando a fazer versões clássicas de pop ou vice-versa, mas compondo expressamente para a terra de nenhures "in-between".
Aqui fica em homenagem o "Perpetuum Mobile", um dos seus modestos êxitos.



http://www.penguincafe.com/simon.htm

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Viagem ao tempo futuro, elixir da juventude e GPS

Quando estamos em movimento, o tempo passa mais devagar. É consequência da relatividade restrita, devido à constante absoluta c (velocidade da luz). A percentagem de redução da passagem do tempo é praticamente zero a velocidades comuns; só com velocidades acima de 400 000 km / h é que a redução começa a ter efeito significativo. Por exemplo, a redução é de 10% para 42% da velocidade da luz (uns 450 000 km/h), de 13 % para metade de c (540 000 km/h), de 30% para 70% de c.

Mesmo assim, os astronautas que irão um dia a Marte hão de voltar ligeiramente mais novos (~1 % do tempo passado na terra) do que seria de esperar, ou inversamente, encontrar os seus familiares ligeiramente mais envelhecidos.

Mas para chegar até a estrela mais próxima da Terra, que é Alfa do Centauro, a 4,2 anos-luz daqui (um ano-luz é 9 300 milhões de quilómetros) vamos supor que a nave viaja a 75% da velocidade da luz. Isso é muito rápido ! A essa velocidade, chegará a Alfa do Centauro em 5,7 anos medidos aqui na Terra. Segundo as equações para a dilatação do tempo, os tripulantes da nave observariam nos seus relógios que se passaram apenas 3,8 anos!

No regresso, teriam passado 11, 4 anos na Terra e 7,6 anos para os viajantes, quase 3 anos e 10 meses mais novos. O que pode também ser visto como uma viagem dos astronautas para o futuro...

Tudo isto já foi repetidamente comprovado com partículas atómicas e com relógios de alta precisão enviados em viagens espaciais (enquanto outro relógio ficava na Terra): em movimento, há dilatação do tempo e contracção do espaço.

Tudo isto até tem consequências práticas interessantes. Efeitos relativísticos – ou seja, desvios do que seria esperado pela física clássica – acontecem em algumas situações triviais. Os GPS (Sistema de Posicionamento Global) conseguem informar a localização na Terra com uma precisão de 5 a 10 metros. Isso é feito com o auxílio de informações enviadas por satélites artificiais em órbita do planeta. A velocidade dos satélites, cerca de 14 mil km/h, é bem pequena comparada à da luz (~1%), mas os muitos pequenos desvios em relação às previsões da física clássica acumulam-se, e acabam por se tornar significativos: se os GPS não considerassem a dilatação do tempo, acumulariam um desvio de 11 km por dia !

Portanto:

1 - a relatividade não é uma coisa assim tão distante de nós que se possa ignorar.

2 - saber física é cultura geral.


Uma excelente ilustração aqui.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Belo fim de tarde na CM

Com a Real Filarmonia da Galiza, dirigida por Alasdair Neale (orq. San Francisco): foi um concerto de bom nível sem deslumbrar.

O programa era soberbo:
De Mozart, o Concerto para piano nº 23 (Deszö Ranki, pn).
- com a orquestra reduzida, algo tímida e inexpressiva, os sopros inaudíveis, mas uma sonoridade bonita e elegante. O piano correcto, sem mais. O adagio sofreu, demasiado lento.

De Beethoven, a sinfonia nº 3 , Heróica
- outra loiça: orquestra em pleno, bem ensaiada e coordenada, momentos difíceis bem conseguidos. Mais uma vez, só no adagio arrastou em excesso, mas o 3º e 4º andamentos compensaram, articulados, expressivos, triunfais.

Sala cheia. Saí contente.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Admirabilis

Num post recente, escolhi Morten Lauridsen numa das melhores gravações de 2009 (aqui). Finalmente, existe uma boa gravação dele no Tube.

Lauridsen é um compositor americano, nascido em 1943. Compõe obras corais de uma beleza quase excessiva, quer na área sacra quer sobre temas profanos - poemas de Rilke, por exemplo.

Este motete "O Magnum Mysterium" sobre texto bíblico é uma das suas obras-primas. Arrepio-me sempre que o ouço. Estreado em 1994 pelo Los Angeles Master Chorale, conquistou enorme popularidade pela sua intensidade melódica e dramática. Começando em tom de paz contemplativa, cresce até um clímax estonteante em cristalina perfeição harmónica, ilustrando a ocasião do nascimento divino. Lauridsen classifica a peça como " uma canção serena de intenso júbilo interior".

Lauridsen, O magnum mysterium
Côro de Câmara de Bruxelas (2008), dirige Helen Cassano


O magnum mysterium
et admirabile sacramentum,
ut animalia viderent Dominum natum,
jacentem in præsepio.

Beata virgo, cujus viscera meruerunt
portare Dominum Christum, Alleluia!

Eis a versão original em CD, gravação do Nordic Chamber Choir , , que ainda prefiro:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cortés, herói ou bandido ?

Hernán Cortés de Monroy y Pizarro (1485 – 1547) foi o conquistador espanhol que chefiou a expedição que arruinou o império Azteca e entregou a maior parte das terras mexicanas ao Rei de Castela, no séc XVI.

Em 1518 Velázquez, governador de Hispaniola (Cuba), atrapalhado com falta de terras cultiváveis e mão de obra escrava, entregou a Cortés o comando de uma expedição para explorar, negociar e controlar o interior do México para a sua colonização.

Cortés tinha 19 anos , e deixara a Espanha após um breve período de estudo das Leis. A sua ambição e forte personalidade causaram desconfiança a Velásquez, que acabou por o retirar da missão, mas Cortés ignorou as ordens e, com 11 barcos, 500 homens, 13 cavalos e alguns canhões, desembarcou na Península de Yucatan. Mas não tencionava apenas explorar, negociar e libertar alguns prisioneiros cristãos: ambicionava a conquista do México.

Avançou para o interior e descobriu Tenochtitlan, capital do império Azteca. Apoiado por vários povos indígenas aliados, que forneciam guias e intérpretes, a expedição duraria 3 meses ao longo de 300 difíceis quilómetros.

O império Azteca era relativamente jovem - datava do séc XIV - e encontrava-se numa fase próspera e de franca expansão. Tenochtitlán era um esplêndido complexo de construções, templos, lagos, canais, um grande centro de civilização.

A população da cidade começou por se iludir, julgando Cortés descendente da dividade Quetzalcoatlin, de pele branca. A profecia previa o regresso de Quetzalcoatlin para reclamar a sua autoridade sobre os Aztecas. Moctezuma, o imperador, acolheu Cortés como um deus, com grandes oferendas aos espanhóis.

Mas, a pretexto de barbaridades cometidas pelos selvagens, Cortés aprisionou Moctezuma; e depois de um período confuso de escaramuças, os espanhóis finalmente cercaram Tenochtitlán em 1521 e invadiram a cidade, destruindo tudo e todos de tal maneira que dela pouco restou senão as escassas marcas que os turistas hoje visitam.

Os tesouros dos Aztecas vieram para Espanha, e Cortés foi recebido como herói, nomeado governor da nova colónia, mas acabou por cair em desgraça, e voltou a Espanha para morrer pouco depois.

A acção de Cortés foi a maior contribuição de um só indivíduo em terras e tesouros para a coroa espanhola.

Assim se escreveu uma daquelas irreversíveis páginas da História, que transformaria para sempre a América do Sul numa imitação pobre da Europa mediterrânica, por vezes até com grande dignidade (Buenos Aires, Borges...), outras vezes numa triste palhaçada de civilização ocidental. Fica a dúvida, contudo: entregue a si própria, não se teria tornado antes numa outra África paupérrima, tribal e corrupta? Só tenho uma certeza: os europeus podiam ter-se comportado bem melhor, tanto mais que apregoavam belos valores cristãos, e promovido muito mais riqueza e desenvolvimento, em vez de se dedicaram à roubalheira e à escravatura. Não será isto tão vergonhoso como Auschwitz ou o Gulag ?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Jules Gabriel Verne, Nantes, 8 de Fevereiro de 1828, génio

O Castelo dos Cárpatos


A Volta ao Mundo em 80 dias

As 20000 léguas submarinas

Robur, o Conquistador

Da Terra à Lua

Cinco semanas em Balão

A obra máxima de Verne foram as 54 "Voyages Extraordinaires": Cinco semanas em Balão (1863), Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865), 20000 léguas submarinas (1869–1870), O Raio Verde (1872), Volta ao Mundo em 80 Dias (1873), Robur o Conquistador (1887)...
Verne escreveu sobre temas de estudo científico - o ar, o espaço, o fundo do mar, o gelo, a lua, o interior da Terra, o ártico - e para todos imaginou viagens e aparelhos que só muitos anos mais tarde seriam possíveis.

O Capitão Nemo é talvez a mais famosa das suas criaturas, um antiherói que ficou na história da literatura. Amador das artes, humanista, antiesclavagista e defensor dos povos oprimidos, era na versão original de Verne um refugiado polaco que vingava as humilhações impostas à sua pátria. Admirador de Poe, Verne ficou impressionado com o Maëlstrom, e é lá que o Nautilus se vai afundar para sempre.

Escreveu também novelas de aventura heróica como Miguel Strogoff (1876) , estranhamente premonitória do extermínio nazi, dos batalhões suicidas de presos políticos, da batalha de S. Petersburgo. E dramas como O Castelo dos Cárpatos (1892) sobre a ópera, as divas e imagens holográficas. Estão entre as suas melhores obras.

Em 1863, escreve uma das últimas obras, Paris no século XX, sobre uma cidade de arranha-céus de vidro, automóveis, combóios de alta velocidade, computadores, uma rede global de comunicações parecida com a Internet !!! Não foi publicada porque as pessoas eram descritas como profundamente infelizes , o que era uma visão demasiado pessimista do futuro... o homem era mesmo um génio visionário!

As suas obras podem ser lidas online no Projecto Gutemberg. Mas não há nada como o livro, de preferência em francês, bien entendu.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

nuannaarpoq

nuannaarpoq = "um extasiado prazer em estar vivo", na língua nativa do norte da Gronelândia.

É uma lingua em perigo de lenta extinção, o que trará a perda de palavras e de expressões adequadas ao meio do ártico, como as que designam neve ou gelo, a que já me referi aqui.

Tal como na língua alemã, em gronelandês as palavras agregam-se formando palavras compostas maiores. Além disso, subtilezas de terminação dão um significado diferente.

Ilissivik é prateleira mas Ilissivit é estante. Ilissiverupa é o verbo para "guardar uma coisa em sítio seguro mas ser incapaz de a encontrar" . Simpática linguagem !

Um caso sério de Ilissiverupa ! :)

Ao contrário dos óculos, que quando são perdidos se voltam a encontrar, uma língua, uma vez perdida, e mesmo que bem guardada, nunca mais volta a ser encontrada.

Texto adaptado de Nancy Campbell

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Estou a precisar de aliviar...

...um bocadinho este stress de país miserável.



Aaaaaaah. Agora que perdi massa encefálica já me parece um país decente.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais um pesadelo à vista


Esta imagem que até parece "gira" é de facto assustadora.

Trata-se de uma campo de energia emitido por um gerador de raios X, instalado desde 1996 num laboratório americano onde é utilizado para fazer testes de resistência a ogivas nucleares .

Formado por fios de aço entrelaçados e cisternas de água , percorridos por impulsos eléctricos, é capaz de produzir desde 2006 - e sem que ninguém saiba porquê ! - temperaturas 4 a 6 vezes superiores às de uma bomba de Hidrogénio.

Ou seja: muito mais do que o necessário para se produzir uma "arma de destruição maciça" limpa, sem urânio nem radioactividade !

Que bom, não é ? Mesmo o que estávamos a precisar ! :(((((

Sandia National Labs/Eyevine

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Bruckner, um adagio

Finalmente, um post sobre Bruckner.

O quinteto para cordas em Fa, WAB 112 foi escrito em 1879, para 2 violinos, 2 violas e violoncelo. Considerado uma sinfonia para 5 cordas devido à sua escala e arquitectura, é contemporâneo da 5ª e 6ª sinfonias.

Foi composto a pedido do famoso violinista vienense Joseph Hellmesberger. Nele, Bruckner consegue harmonias nunca tentadas, que o tornam de difícil execução. É no Adagio que atinge o seu melhor : tal como Mahler, também Bruckner é um construtor de sublimes adagios ! Impressionante o prolongamento até à exaustão da frase musical...

Bruckner, Adagio do Quinteto de cordas em Fa
parte 1

parte 2

(intérpretes não identificados)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fevereiro


Why, what's the matter,
That you have such a February face,
So full of frost, of storm and cloudiness?

William Shakespeare

Então, que se passa, para teres uma tal cara de Fevereiro, tão cheia de gelo, tempestade e nuvens ?