segunda-feira, 27 de junho de 2011

Homenagem à Grécia -

e não só -


O Templo da Concórdia, no Vale dos Templos, em Agrigento.

Façam lá uma cimeira aqui mesmo, e entendam-se.
Vale mais o euro? ou há coisas que valem mais que o euro?


O sítio certo para meditar - aqui onde a Europa das civilizações, das religiões, das guerras, deixou quase intacto o mais completo dos templos gregos.

Proporções perfeitas, geometria e equilíbrio ; não é do que a Europa precisa?


Ah, passar uma noite inteira a vê-lo sob as estrelas...

sábado, 25 de junho de 2011

Cintilações II

Hoje o mar estava lindo. Um lago, transparente, e a reflectir o sol em mil luzinhas que bailavam à superfície.

Trouxe-me à memória gratas recordações, as cintilações que o pintor assim retratou:


E já agora, alguém consegue identificar o autor ?

; )

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sol, lua, mar, rocha, areia...

...e o fluxo do tempo. Back to basics.

O Verão que não detesto, em imagens de há 8 dias.Começo pelo mais próximo: arquitectura humana integrada, o tempo suspenso.


O Sol quando se põe, ou a sensação de fim do tempo:



E o recente eclipse da lua, intensa sensação de tempo a passar:


O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem - - -

domingo, 19 de junho de 2011

Valentina Naforniţă

Esta jovem soprano da Moldávia, com 24 anos, canta "Gluck, das mir verblieb", o lied de Marietta da Die tote Stadt de Korngold, de forma sublime, e recorda-ma de uma bela récita recente do Rigoletto a que assisti, pela ópera da Moldávia. Estranho país esse, no meio de nenhures, com tais tradições de canto lírico.

Valentina ganhou o concurso de canto de Cardiff, com Marilyn Horne e Kiri te Kanawa no júri; concurso fundado e apadrinhado em vida por Joan Sutherland.

Korngold, Marietta's lied


Glück, das mir verblieb,
rück zu mir, mein treues Lieb.
Abend sinkt im Hag
bist mir Licht und Tag.
Bange pochet Herz an Herz
Hoffnung schwingt sich himmelwärts.
Wie wahr, ein traurig Lied.
Das Lied vom treuen Lieb,
das sterben muss.
Ich kenne das Lied
Ich hört es oft in jungen,
in schöneren Tagen.


Joy, that near to me remains, 

Come to me, my true love. 

Night sinks into the grove

You are my light and day.

Anxiously beats heart on heart
Hope itself soars heavenward.
How true, a sad song.

The song of true love,



that must die.
I know the song.

I heard it often in younger, 


in better days.


A mesma, pela voz madura da Fleming:

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ena ena ena! Nuno Crato...

...é ministro da Educação! Wow!

Foi preciso eu deixar o ensino para haver finalmente um ministro de jeito para o ensino em Portugal ! Hélas, pas pour moi...


A melhor notícia dos últimos dias...semanas...meses... sei lá...

Parabéns, professores e alunos, coragem Nuno!

Piano 2011 / 2012, na Gulbenkian

Se há coisa boa na programação Gulbenkian para 2011/2012, é o ciclo de piano:

Terça, 18 Out 2011
Arcadi Volodos

Domingo, 13 Nov 2011
Grigory Sokolov

Terça, 15 Nov 2011
Artur Pizarro

Terça, 06 Dez 2011
Nicholas Angelich

Sábado, 17 Dez 2011
Hélène Grimaud

Domingo, 12 Fev 2012
Evgeny Kissin

18 Fev 2012
Alfred Brendel
Conferência com exemplos ao piano
Does classical music have to be entirely serious?

Sábado, 14 Abr 2012
Radu Lupu


Um luxo!

Já o Grandes Orquestras e o Música Antiga são fraquitos, rotineiros...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

meditações: Medina Carreira, o que nos resta, certa arte, gourmandise....

Se Medina Carreira tem razão, e Portugal vai empobrecer aceleradamenre ao ponto de dentro de 10 anos ter de optar entre pagar pensões ou pagar o Serviço Nacional de Saúde; se os bancos vão acabar por não ter liquidez em questão de meses, se duas gerações vão trabalhar de sol a sol com salários miseráveis só para pagar os juros das auto-estradas, da Parque Escolar, da Ponte Vasco da Gama, do metro do Porto, do medíocre pendolino, do que os bancos esbanjaram,

Se o crime vai alastrar, e manifestações de rua cada vez mais numerosas acabarão por se tornar violentas, se a juventude se vai emborrachar até cair em botellons noite fora, e urinar nas mais vetustas paredes que a história foi deixando...

então para que serve Portugal? porque há de existir? e a União Europeia, serve para quê? e o Euro? porque hei de pagar impostos? porque hei de manter os meus poucos haveres em bancos ? porque hei de votar ou sequer interessar-me por mudar quem lá está? Porque hei de cumprir regras cívicas?

Servem, sim, e interessam-me, o vento e o mar, as flores e os rios, as borboletas e os pirilampos, uma janela, um livro, a música de um alaúde que alguém ensaia numa nave gótica, a folha verde tenra de um carvalho na primavera. Basta-me a água cristalina que corre antes de ser engarrafada, a fruta bichada que ninguém calibra, o peixito pescado à linha num remoto afluente escarpado. Sossego. Isso sim.

A barbárie, ou o regresso à natureza ?

Continuo muito deprimido. Ainda fiquei pior no regresso de . Estava muito bem aqui, por exemplo, sem remorsos, regalado com 3 linguados com puré de legumes numa esplanada frente ao cais


e o melhor crème brulée da minha vida


e uma ilusão de gente risonha vivendo em abundância. Pourquoi pas, pour tous, mon dieu (=?!)

A "Árvore da Vida" do Terence Malik também me fez mal. Esta coisa que a arte tem de, sendo bela, contudo incomodar... teremos mesmo de optar entre a barbárie da sociedade dos homens e o imenso nada oferecido pela natureza ?

GRRRR, ça m'énerve !

sexta-feira, 10 de junho de 2011

, uma ilha arrumadinha

A alteia ou malva-rosa (rose trêmière), planta-ícone da ilha, decora todas as soleiras.

Não será a Suíça, mas na ilha de Ré as vilas parecem postais vivos - harmoniosas, ordenadas, floridas, bonitas , limpas, simpáticas, tranquilas.


As coisas mudam num feriado ou ponte, ou na época alta - invasão de multidões, carros estacionados onde calha e esplanadas apinhadas e ruidosas.

Tendo a sorte de ir fora de época com bom tempo, é um paraíso. Começa pelo aeroporto minúsculo, que mal se vê, e se atravessa para a rua em poucos minutos (não há corredores!), onde debaixo de tendas em pano se dão os reencontros e boas vindas. Depois, é tudo pertinho, La Rochelle a 10 minutos e a mais outros 10. Anda-se devagar mas tudo é próximo. Há quem vá-e-volte de bicicleta.

As principais vilas são portuárias, com marinas repletas de lanchas e veleiros, cais em anfiteatro de esplanadas, casinhas em calcário com venezianas azul-claro, cinzentas ou verdes, de onde irradiam ruas em labirinto bordeadas de passeios floridos de alteias (rose trêmière) e algum comércio simpático.


L'Esprit du Sel (há salinas em Ré)

As gentes, são pescadores e "lobos-do-mar" de cachimbo, boné e barba amarela, salineiros, agricultores (vinha), muita gente na apanha/cultura de mexilhão e ostras, lojistas e gente da hotelaria, e turistas, claro, de bicicleta. Diz-se "bon après midi" e "bonne soirée m'sieu/dame" com cuidadosa pontualidade. O empregado cumprimenta (!) "qu'est-ce que je peux vous servir, m'sieu/dame?", depois "bon appétit". Já não se vê disto. Paris não é nada disto.

As principais vilas:

Saint Martin de Ré




À noite, a mais animada

Ars en Ré


Vale a pena ler a mensagem...


A mais florida

La Flotte





Mercado medieval (séc XII)



Bicicletas


Devo ter acertado na melhor altura para ir: já se apanha sol e calor à mistura com trovoada, sossego à semana, e o festival Ré Majeure de que já falei para quebrar a pasmaceira.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Assustadora (bela?) erupção solar

Na manhã do dia 7 passado, uma enorme proeminência solar surpreendeu os observadores, que a registaram em várias frequências e instrumentos:


O Sol atravessa um período de crescente actividade até 2013.

Terá sido uma enorme manifestação de alegria pela derrocada eleitoral de certo senhor? Vá lá, contém-te, ó Sol ...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Abadia de Notre Dame de Ré


As ruínas de um abadia podem ser mais apelativas do que o monumento integralmente conservado. É o caso: as paredes, as janelas, as pedras esculpidas de Notre Dame de Ré, isoladas entre campos de de trigo e de papoilas, visitadas de corvos que dominam do alto o território, são visita irresistível.



Data do séc . XII, e foi fundada por monges de Cister; mas as ruínas actuais, de estilo gótico, são mais recentes, do séc. XIV.

Toda a história da ilha de Ré passa por confrontos com os ingleses, que dominaram a costa atlântica durante séculos; daí as impressionantes fortificações que Vauban fez construir nos portos da ilha, e que são hoje um conjunto patrimonial da Unesco. Valeu-lhes de pouco: hoje a ilha de Ré está grandemente ocupada por turistas anglófonos...

Ora a infeliz Notre Dame de Ré foi destruída uma primeira vez em 1294 pela frota inglesa; reconstruída, veio de novo abaixo na Guerra Dos Cem Anos por duas vezes: 1388 e 1462; e mais uma vez em 1574, os Huguenotes, protestantes que predominam ainda nesta região de França, saquearam e destruiram o interior. Não admira que os monges de Cister, fartos da sua sorte, finalmente abandonassem a abadia.

Serviu de abrigo para barcos de pesca, até que em 1997 as ruínas foram classificadas e restauradas.



Nada resta dos recintos conventuais, cujas pedras foram usadas para construir um dos fortes da ilha.
O claustro é só um bonito jardim rectangular, perfumado com alecrim, tomilho e alfazema.

Porquê este post insólito sobre a ilha de Ré? Porque ao pôr do sol, entre espigas ondulantes e papoilas, sem outro som que o dos corvos, o do mar ao longe, do vento a assobiar entre a seara, foi um momento mágico, em que um testemunho de atribulada História mais uma vez demarcou o tempo e o espaço.




E a noite acabou com um jantar em La Flotte, uma das aldeias-porto mais bonitas da ilha, à janela para o cais.


Dela falarei em breve.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Julia Lezhneva com Minkowski na ilha de Ré !

Bom, confesso que a maior surpresa da minha visita a Ré foi a realização do 1º festival "Ré Majeure" na ilha, ao qual vou ficar atento, dirigido por Marc Minkowski, e que contou com a versão em concerto do Cosi de Mozart com a já "grande" Julia Lezhneva.


Foi fácil comprar bilhetes, infelizmente sem lugar marcado, o que deu lugar a golpes e atropelos, como dantes era habitual também em Portugal. A sala tinha boa acústica mas é pequena, os Musiciens du Louvre vieram em formação reduzida ao mínimo, a direcção de MInkowski ( de que nunca gostei por aí além) foi mortiça; mas a Julia ! sempre que a Fiordiligi entrava, que gosto, que cristalina e suave perfeição, que timbre aveludado, que controle de voz.

Foto final com telemóvel

Apesar de não ser adepto das versões de concerto, é verdade que assim o canto sai ainda mais valorizado, e a noite na bela aldeia portuária de Ars-en-Ré teve momentos de magia vocal, pela Julia sobretudo, mas para ser justo, também Gaëlle Arquez (Dorabella) cantou lindamente.

Um vídeo promocinal:


Próximos posts: sobre outras belas experiências "charentaises".