domingo, 30 de junho de 2013

Temas de ontem: mar, areia, duna, madeira, cardo, estorno, pegadas, sombras


Foi durante uma pequena ida e volta em duas rodas, ao fim da tarde quando refrescou.





quarta-feira, 26 de junho de 2013

Abbado, 80 anos !


Longevidade muito activa, a do maestro Claudio Abbado, rejuvenescido com a recente criação da Orquestra Mozart, com que tem procurado integrar-se na interpretação "autêntica" da música barroca.

Começo pelo que dele mais aprecio: as sinfonias de Mahler com a também 'sua' Orquestra de Lucerne.

2ª de Mahler, C. Abbado, Orq. festival de Lucerne

Maestro e orquestra bem diferentes agora com Carmignola (!) no concerto nº 3 (vln) de Mozart :


O projecto actual de Abbado são as sinfonias de Schumann. Vamos a ver como se sai. Para Schumann não precisa de tanta genica.


Ah, e parabéns, maestro.

terça-feira, 25 de junho de 2013

111 111 !


(Nº de visitas até há pouco)

domingo, 23 de junho de 2013





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Dia da Música II : o adagio de Bronsart


Hans Von Bronsart (1830 – 1913), pianista e compositor, foi contemporâneo de Liszt, Wagner, Berlioz e Brahms, com quem convivia e trocava ideias.

A sua obra mais conhecida é o Concerto para piano Op.10, com um muito clássico Adagio ma non troppo, a lembrar os de Brahms, progredindo com belos efeitos para um intenso e magnífico climax .

Aqui vai por Michael Ponti (piano) e a Sinfónica da Westphalia, dir. Richard Kapp - ao que parece, a única gravação da obra em disco.

Dia da Música I : mais uma excelente rádio clássica


Selecção e sonoridade ao melhor nível:


Classical New England,
emissão da WGBH de Boston

http://www.wgbh.org/audioPlayers/classicalNewEngland.cfm

Promovida a emissora oficial do Livro de Areia !



quarta-feira, 19 de junho de 2013

Limes Britannicus, Limes Germanicus
- as primeiras fronteiras da Europa


É sabido que os Romanos levaram a sua civilização até quase todo o território que costumamos chamar Europa: estradas pavimentadas, pontes, canalização de águas, banhos, água ao domicílio, fortificações, sistema judicial e administrativo, templos, e, claro, a língua unificadora. Tácito refere-se aos esforços de Julius Agricola, governador romano na Grã Bretanha, para estabelecer escolas de Latim e impor higiene pessoal, com o uso obrigatório de banhos públicos.

Como nada anteriormente constituía prática comum na Europa, talvez a rede de estradas, a higiene pública e um sistema legislativo e de justiça avançados  tenham sido os primeiros sinais e símbolos de identidade cultural europeia.
Muito antes dos cafés, a que se refere George Steiner*...

E qual era o alcance territorial dessa civilização, para norte e para nordeste? (para sul e poente são óbvios).

O Limes Britannicus
A ilha grande da Bretanha tornou-se de importância vital  para os romanos pela riqueza em ferro e sobretudo estanho, raro e precioso para fabricar bronze. Uma vasta laboração mineira implicou a emigração de técnicos e um contingente militar numeroso.

Adriano, ele próprio arquitecto, visitou a Britannia em 122 AD, subiu até à Caledónia (actual Escócia) e aí ordenou a construção de uma muralha entre a foz do Solway, a poente, e a do Tyne, a nascente, 'para separar os romanos dos bárbaros' - as tribos caledónias que resistiam tenazmente a norte da ilha.

Foi uma obra  de grande envergadura, que envolveu arquitectos e engenheiros - uma extensão de 118 km, a maior parte em pedra, algumas secções em blocos de turfa. A intervalos regulares havia torres fortificadas e pequenos quartéis que podiam alojar guarnições de umas dezenas de homens.
A construção da muralha inicial prolongou-se por  6 anos, tendo continuamente sido objecto de acrescentos e reforços durante mais 8 anos. Talvez, mais do que para protecção militar contra os bárbaros do norte, fosse um marco simbólico do fim da civilização imperial, a envolvente de um território onde havia estradas e banhos e legionários, parte de um enorme anel que separava o mundo romano do resto. 

Ruínas do forte de Corbridge.

'Limes', em latim, é fronteira, ou barreira; o Limes Britannicus tinha um significado mais administrativo que militar - não havia nada que se pareça com rondas permanentes ou soldados perfilados à chuva a vigiar o horizonte.

Só nalguns locais a muralha se eleva a uns intimidantes 4 metros, por 3 de largura, e há ainda vestígios de um fosso. Os acessos por estrada eram muitos, cada um com portão e torre de vigia (uma ou duas).

Um pequeno fortim controlava a travessia de estrada.

Numa segunda fase, foram construídos quinze fortes, recuados da muralha, onde se podiam abrigar até mil homens para responder a ataques. Mas na maior parte da extensão a muralha era frágil e teria sido ineficaz para um exército invasor. Mais provavelmente, permitia conter salteadores e cobrar direitos de passagem. 

O sistema funcionou até 410 AD, quando as legiões romanas se retiraram da Britannia.

Aqui ao longo de uma falésia, perto de Once Brewed, a muralha parece um temível obstáculo. Vêem-se restos de um fortim. Foto de Robert Clark.

Ao longo da muralha, algumas vilas fortificadas apoiavam a logística das tropas, no abastecimento e no alojamento, sobretudo quando eram necessários reforços perante uma crise.
Duas dessas localidades são Chester e Corbridge, onde há agora museus com peças belíssimas.

Vista aérea das ruínas do aquartelamento de Corbridge: celeiros, oficinas, casa forte, banhos, refeitório, templo....

Forte de Chester: os banhos

Forte de Chester: casa do comandante

Museu de Corbridge

O Leão de Corbridge, adaptado de uma pedra tumular a decoração de fonte doméstica.

Tabuleiro de Corbridge (lanx), representando um santuário a Apolo.

Baixo relevo dedicando um templo a Sol Invictus, séc II-III AD


Três peças com referências ao Muro de Adriano

Encontradas em locais muito diversos, parecem contudo do mesmo fabricante.
A 'Moorlands Patera', uma pequena taça de bronze de meados do séc II, decorada e com o nome de quatro fortes romanos, encontrada no sul da ilha.

A 'Rudge Cup', encontrada perto de Lincoln, refere o nome de cinco dos fortes. 

A 'Amiens Patera', também de bronze com um longo braço, leva inscritos os nomes de seis fortes.

Estas peças parecem mostrar que os romanos davam valor simbólico ao ´Limes´, ao ponto de desejarem levar recordações da estada no local.

Também a arte romana se espalhou pela Europa. Mais um factor unificador do território. Tudo isto a 1800 km de Roma (em linha recta), um mês de viagem pelo menos.



A Fronteira do Reno

Limes Germanicus era também uma fronteira frágil, mais destinada a demarcar que a proteger. Aqui,a maior parte dos limites territoriais do império eram desenhados por cursos de água - o Reno, o Danúbio... 

O 'Limes Germanicus', salientando Saalburg, um quartel romano resconstruído perto de Frankfurt.

Só foram construídos, entre o séc. I e o séc. III AD, alguns troços fortificados, sendo o mais importante a partir de Koblenz para sudeste, entre a curva do Reno perto de Frankfurt e o Danúbio perto de Regensburg - digamos, o ângulo entre os dois rios nas proximidades da Alsácia, que era a zona mais perigosa e vulnerável a ataques dos germânicos. É impressionante a quantidade de pequenos quartéis (ou fortins) nesta área: o controle do Reno já era vital !

Vão da simples palissada com fosso a muralhas de pedra com torres de vigia. 
Foram reconstruídos alguns troços, como este em Saalburg, muito semelhantes à muralha britânica.

O Limes de Saalburg, por exemplo, começou no fim do séc. I AD por ser um simples fosso com torres de vigia e um pequeno forte de madeira; um século depois já existe uma palissada ao longo do fosso e um imponente forte de pedra - que não impediu a derrota e retirada das forças romanas frente a uma investida germânica.

Vasos romanos de cremação, museu de Saalburg.

Magnífica taça de 'terra sigilata' encontrada em Saalburg.


Os territórios da Europa a Norte dos 'Limites´ romanos, com uma população atrasada e pobre, submetida a razias por terra e por mar, só 700 anos mais tarde, no séc XII, entrariam numa via de civilização e cultura -  quando no mar Báltico se organizaram em torno da Liga Hanseática, estabelecendo, a partir de Lubeck e Visby, uma área de grande dinamismo em rivalidade com a zona mediterrânica.

Uma outra Europa, a da riqueza do Norte, nasceria das cidades da Liga Hanseática.


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* George Steiner, A ideia de Europa

Fontes: 
British Museum, Museu de Corbridge, Museu de Chester, Museu de Saalburg
Andrew Curry, Roman Frontiers, Nat. Geographic

quinta-feira, 13 de junho de 2013

'High Noon': os sons


O cinema também deixa memórias sonoras que não mais esquecem.
O deserto com a música de Maurice Jarre, um navio operático-surrealista com música de Verdi, o bailado na garagem com Bernstein, o Titanic saindo de Southampton com James Horner, a colecção cinéfila de beijos com Ennio Morricone, flamingos voando sobre um lago com John Barry, naves espaciais com Strauss...

Revi / reouvi há pouco High Noon (O combóio apitou três vezes, de Fred Zimmerman), com música de Dimitri Tiomkin. Banda sonora e montagem inolvidáveis.


A famosa balada... e um genérico perfeito .

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ler: Remessa de Junho


Chegaram fresquinhos.

Quatro leituras que me faltavam:

V. Nobokov, Selected Stories

P. Auster, City of Glass
J. Barnes, Levels of life
Dois favoritos.

E. Shackleton, South - The Endurance Expedition
Leitura de viagem e aventura para férias

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À falta de novas gravações de música clássica que façam diferença, desta vez fiquei só por 1 CD de jazz:

Jarrett, Peacock, DeJohnette
Somewhere (ECM)
Gravado ao vivo no KKL de Luzern

Histórico, inevitável, óptimo à noite. É impossível não gostar de jazz como estes três o fazem. O tema do disco, o soberbo "Somewhere" de Bernstein, nem sequer é o melhor do CD... deve ter sido um concerto memorável.

Musiquinha primaveril para dispor bem


Jean Jacques Rousseau,
Allons danser sous les ormeaux


Boa semana !

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Apesar de ser Portugal


Nem chuva, nem vento, nem calor, nem frio. O mar, um lago ondulado. Perfeito.
Há robalo e sargo.

Areia, pedra, água, madeira. Nativos ausentes.

Ah, esplanadas vazias, café escaldado com marulhar em vez de bruáuá.

Quanto a recursos, são abundantes, até podemos exportar:
(um destes é para mim)

E, para acabar em beleza, peixe espada grelhado com legumes. Viva o 10 de Junho, está-se bem neste país, apesar de ser Portugal.

SOS faz 105 anos


Em morse:     · · · – – – · · ·



Todos devíamos saber, just in case; e certos países deviam adoptá-lo como hino nacional.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A Johannes Brahms, via J.L. Borges


A Johannes Brahms

Yo que soy un intruso en los jardines
que has prodigado a la plural memoria
del porvenir, quise cantar la gloria
que hacia el azul erigen tus violines.
He desistido ahora, para honrarte
no basta esa miseria que la gente
suele apodar con vacuidad el arte.
Soy un cobarde. Soy un triste. Nada
podrá justificar esa osadía
de cantar la magnífica alegría
¬fuego y cristal¬ de tu alma enamorada.
Mi servidumbre es la palabra impura,
vástago de un concepto y de un sonido;
ni símbolo, ni espejo, ni gemido,
tuyo es el río que huye y que perdura.


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Brahms, Borges, estou no meu mundo.

Não se sabe muito quanto ao pensamento, às idiossincrasias de Brahms, não era pessoa de causas nem de muitas falas. Mas a música fala por si: mais que muitos que têm essa fama, Brahms era um espírito complexo, que gostava das profundezas da alma e dos extremos da vida, da humanidade e da natureza. Música outonal de céus cinzentos, talvez, mas radicalmente e apaixonadamente outonal. À maneira dele, um aventureiro romântico como os que partiam para explorar os caminhos virgens, tragicamente perdidos na passagem do noroeste, amando a vertigem da solidão congénita do Homem no mundo, melancolicamente meditativo à beira do abismo.


Radu Lupu

tuyo es el río que huye y que perdura...


Glenn Gould

la magnífica alegría - fuego y cristal - de tu alma enamorada...


Gilels / Jochum

terça-feira, 4 de junho de 2013

Memórias: os Programas de Cinema


Ir ao cinema era um acontecimento. Não era um acréscimo às pipocas ou ao Jumbo, era o fim-em-si. Cada sala exibia em regra um só filme (às vezes dois, alternados). Escolher o filme implicava alguma logística - o trajecto era em geral muito diferente conforme a sala. Não se ia nunca "a uma sala qualquer" ver "seja o que fôr". E as salas estavam bem distribuídas pela cidade - além da baixa, com maior concentração, e a zona alta da Batalha, havia também na da Boavista, em Costa Cabral,  no Vale Formoso, junto ao Palácio...

Ao longo dos anos , os preços aumentaram rapidamente, de acordo com a inflação elevada. Como os bilhetes mostram:
Em 15 anos, aumentaram 20 vezes ! Ao mesmo ritmo estariam agora a mais de 20 euros.

Mas o que me trouxe a fazer este post foram os Programas. Eram uma bela instituição. Cada sessão era acompanhada de um desdobrável gratuito onde constava a ficha técnica e artística, com os nomes relevantes, e alguma(s) referência(s) - extractos publicados em jornal ou revista - sobre o filme, desde uma sinopse a uma crítica, passando por dados sobre o "making of", expressão inexistente à altura, ou pela carreira do realisador.

Era não só um modo de fixar referências, mas também uma "memória" do filme que ficava para arquivar.


Por exemplo, o Cinema Passos Manuel, que era a versão cinéfila dos vizinhos Olímpia e Coliseu e só passava filmes "de qualidade" :

Este 'António das Mortes', exibido em 1973 (!), tinha textos críticos de nada menos que 5 autores. Extraídos entre outros do Le Monde, do Osservatore Romano e do Diário de Lisboa - neste caso escrito por Lauro António, claro.

Notar o anúncio da pasta medicinal Couto e, na contracapa, uma nota sobre o filme exibido em complemento - o famoso Las Hurdes de Buñuel ! Magnífico programinha.
A Sala Bébé do Batalha foi durante anos uma coqueluche dos cinéfilos, com uma programação tendencialmente alternativa de fazer água na boca. Aqui "O sal da Terra", filme de propaganda anti-McCarthysta sobre o "Caso Biberman", que caía bem nos anos pós-25 de Abril - o programa é de Setembro de 1976.

Este exemplar do Cinema Estúdio, extensão do Trindade à zona da praça do Marquês no Porto, é uma perfeição: ficha técnica e artística ao centro, duas páginas "A propósito de..." o filme em exibição, com texto de Guy Braucourt da revista francesa Cinema e outro do nosso saudoso Lauro António. Ambos muito bons.
O filme é o 'Remorso' ("Juste Avant la Nuit") de Chabrol, a data 1972, e lá está a notinha "visado pela delegação de espectáculos do Porto".  Ao menos sabíamos, mesmo que a "censura" usasse metáforas anódinas.

Às vezes parece-me que se via melhor cinema com censura , ou apesar da censura, do que agora com os critérios de bilheteira das distribuidoras.
Falta alternativa  e ... os programinhas !

   

Estúdio, Sala Bébé, Foco, Passos Manuel, Lumiére, Pedro Cem, Nun'Alvares, Batalha, Trindade, Olímpia, Águia d'Ouro, Carlos Alberto, Vale Formoso, Júlio Dinis, Charlot... e até o S. João ! Saudades sim, mas de coisas boas.