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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Proud to be European !


Um bocadinho de Europa num cometa a 800 milhões de quilómetros !

O O 67P/Churyumov foi descoberto por europeus (um astrónomo de ... Kiev !) e "conquistado" por europeus. Pode não ser bonito, mas nunca ninguém "aterrou" em território tão longínquo, numa viagem tão precisamente planeada e executada. Ciência com um C muito maiúsculo, herdeira de tudo o que a Europa criou desde os Gregos antigos.

Esta Europa Grande está minada de corrupção e decadência social, mas a sua élite ainda dá cartas, oxalá fosse gente como a equipe de Darmstadt a mandar.

Finalmente orgulhoso da minha pátria cultural.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ébola: 'Anticorpos monoclonais', o que é isso ?


Ultimamente, a propósito de novos tratamentos oncológicos e agora da eventual cura 'milagrosa' do ébola, fala-se de soros à base de anticorpos monoclonais, uma nova terapia químico-farmacêutica que ajuda na rejeição de transplantes, infecções virais em geral e casos de bactérias resistentes a antibióticos.

O nome, anticorpos monoclonais, parece de ficção científica. Procurei saber do que se trata - um novo antibiótico ? um antiviral ? Para começar, uma definição:

Um anticorpo é uma molécula, uma proteína naturalmente produzida no nosso corpo, dirigida especificamente contra a ameaça de outra molécula proveniente do exterior, o antígeno (*). Para cada antígeno, a resposta imunológica fabrica uma linha de anticorpos destinados a destruir o antígeno detectado que, na maioria dos casos, é um agente tóxico ou infeccioso (proteína), pólen ou vacina.

O anticorpo é monoclonal se tiver sido produzido de forma artificial, industrial, a partir de um só tipo de célula - o clone - e em grande quantidade. Os anticorpos naturais que reagem a uma agressão são proteínas de muito variados tipos; isolando apenas um tipo específico e reproduzindo-o por clonagem aos milhares, temos o anticorpo monoclonal.

É um produto das novas tecnologias bioquímicas. Sendo todos iguaizinhos, de grande pureza genética, os anticorpos monoclonais podem ser utilizados em força para combater um antígeno inimigo, como o que está na origem de certos tumores e infecções virais mas também de doenças auto-imunes.

Já há muito se fabricavam anticorpos na indústria farmacêutica - por exemplo, em soros para combater o tétano e as mordeduras de víboras. Obtinham-se por intermédio da inoculação do antígeno noutro animal cobaia (cavalo, rato) e pela recolha dos anticorpos por ele gerados. O problema é que não se conseguia uma composição determinada (a mais eficaz) mas uma mistura de anticorpos, e, pior ainda, não sendo de origem humana provocam muitas vezes fortes reacções alérgicas.

A nova biotecnologia permite uma pureza quase perfeita e garante um ataque forte centrado no antígeno, que o anticorpo imediatamente identifica e ataca.


O anticorpo é uma proteína em forma de Y. Os dois ramos do Y são os parátopos, como se fossem duas fechaduras à procura da chave afim no antígeno.
A interacção anticorpo-antígeno faz-se por uma ligação entre extremos afins, quando o parátopo reconhece e capta o correspondente epítopo, a 'chave' do antígeno, efectuando um acoplamento de grande precisão. Quem diria.


Os anticorpos monoclonais industriais têm nomes terminados em mab - infliximab, trastuzumab, bevacizumab (AVASTIN)... e  ZmAb, o cocktail de três anticorpos que tem tido algum sucesso contra o ébola, de que se fabricaram só 8 doses e se utilizaram duas.

Muito jargão científico? Pronto, é só para não estar na ignorância quando me tocar a vez. Tarrenego.

 - Fontes: estaesta, e esta, além da Wiki -

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(*) ou 'antigénio'




segunda-feira, 9 de julho de 2012

The goddam particle

Uma apresentação bastante completa para quem sabe alguma coisa mas pouco sobre o assunto:

(
a hipótese de Higgs a partir do slide 34)


Um resumo divertido (mas sério) da experiência aqui:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cenas tristes: os neutrinos & a ficha

Tanta tinta correu sobre a ultrapassagem da velocidade da luz pelos neutrinos do CERN, e consequente revisão da relatividade ! Afinal, caboum! fiasco! e...

...mais uma saborosa vitória de Einstein, glória a ele! Então julgavam que a má conexão de um cabo de computador ia dar cabo de uma ideia de génio que dura há mais de um século? LOL 300 000 vezes, ou melhor, 299 792 vezes !

É também para eu aprender (como se já não soubesse, enfim) a não embarcar em espalhafatos mediáticos , mesmo que aparentemente científicos. Quando alguma coisa acontecer, será provavelmente silenciosa, inicialmente rejeitada e só lentamente insidiada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O belíssimo currículo do Hubble

O melhor vídeo que já vi sobre as revelações do telescópio Hubble e o impacto que tiveram sobre o nosso conhecimento do Universo:



Ainda é das poucas coisas que me enchem de gosto pelo presente e pelo futuro, esta vertigem de ter acesso a imagens que revelam mistérios (passe o paradoxo) nunca dantes navegados.

domingo, 16 de outubro de 2011

Os neutrinos que conquistaram a liberdade

Do artigo "La prison de lumiére" , de Jacques Attali, no L'Express de 28 de Setembro, com tradução e adaptação minhas:

Os homens não gostam de prisões nem de nada que seja um limite à sua vida. Não gostam de fronteiras, nem das restrições que a duração da existência lhes impõem, nem das restrições das leis físicas.Toda a aventura humana é feita de tentativas de evasão: viver cada vez mais longamente, conhecer por inteiro o planeta Terra, aprender a voar, explorar o universo.

Só que, faz um século, o homem encontrou uma prisão dita indestrutível: pela teoria da relatividade de 1905, nunca poderia ultrapassar a velocidade da luz no vazio. Por mais que se acelerem partículas de matéria, a sua velocidade, crescendo cada vez mais lentamente, nunca atingirá a da luz. Intolerável.

(...) ora, recentemente, neutrinos de muito alta energia percorreram 730km no subsolo, entre a fronteira franco-suíça e uma montanha perto de Roma, e foram 6 quilómetros por segundo mais rápidos que a luz. Ou seja, chegaram ao destino com 20 metros (é muito!) de avanço sobre a luz.

Incrédulos, os investigadores repetiram a experiência durante 3 anos, observando 15 000 neutrinos, levando em conta influências tão irrelevantes com a deriva dos continentes ! Sempre com o mesmo resultado.

(...) Dentro do quadro da relatividade, o fenómeno só é explicável se os neutrinos se tivessem evadido para outro universo, dotado de mais que as 4 dimensões do nosso, e aí tivessem encontrado um atalho (o famoso wormhole) que os trouxesse de volta ao nosso em menos tempo.

Essa seria a Grande Evasão, que a ser realizável poderá um dia trazer à humanidade um grau de liberdade no Universo maior do que alguma vez se sonhou. Ainda há days of miracle and wonder pela frente.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nobel da Física

Devia ter sido atribuído o 2º, póstumo, para Einstein?

Artigo no De Rerum Natura

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Coisas boas da minha geração: 1 - a Vista

Começo uma série de posts "optimistas" a glosar o tema "porque valeu a pena viver nesta era".

Aqui está uma visão de que nunca antes os humanos puderam disfrutar, que me enche de vaidade na raça e na época. Faz toda a diferença com a barbárie, o provincianismo, a religiosidade, o obscurantismo, o regreso às cavernas e outras tendências modernas que me envergonham.

A Estação espacial com o Space Shuttle atracado e a nossa Terra em fundo

Três hurras pela humanidade. Assim sim! Este é um Monumento do séc XXI.

sábado, 9 de julho de 2011

O último Atlantis, arte do séc XXI


Despedida de uma das mais complexas e perfeitas obras da humanidade. Não podia haver maior contraste com o post anterior, e contudo só passaram uns 36 000 anos. Um breve suspiro no tempo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ainda a propósito da Islândia - Thingvellir

Só há um local onde a falha tectónica que atravessa o Atlántico é visível à superfície: Thingvellir , um enorme desfiladeiro na Islândia, entre a placa tectónica da Eurásia e a da América do Norte.

A dorsal meso-atlântica é divergente, ou seja, as duas placas afastam-se e no futuro a ilha será partida em duas com o Atlântico no meio!
Os dois continentes separam-se à velocidade de 2 m por século, de forma que a terra entre as placas se afunda aos poucos, cavando uma fenda ou vale em desfiladeiro:



Um dos mais belos locais da Islândia, o Parque Nacional de Thingvelliré também um marco na História do país e até...da Europa! Foi aí que se reuniu o primeiro Parlamento do mundo: os Vikings juntavam-se aqui anualmente desde o séc X, à volta de uma elevada formação rochosa, para criar leis novas e reformar as antigas.


O Alþingi ou Althing foi fundado cerca de 930 DC, e tinha lugar cada verão. Mais tarde funcionou também como tribunal até 1798. Mesmo depois da anexação da ilha pela Noruega, o Althing manteve sessões em Thingvellir até 1799. Acontecimentos cruciais da história da Islândia aì tiveram lugar - a adesão ao cristianismo em 1000 DC, a fundação da república da Islãndia em 1944.

O Rochedo da Lei de Þingvellir (séc XIX).

Desde 2004 o parque de Thingvellir pertence à lista do património mundial da UNESCO.

O Parque Nacional de Þingvellir

O seu território inclui a falha geológica, o local e os achados do Althing, cujo sítio arqueológico continua sob investigação. Inclui ainda o Lago Þingvallavatn, entidade única quanto à história geológica e ao ecossistema, e a queda de água Öxarárfoss do rio Öxarár , que alimenta o referido lago.

Lago Þingvallavatn


Igreja antiga onde o rio Öxarár desagua no lago.

A queda Öxarárfoss


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Os belos fractais de Mandelbrot

Benoît Mandelbrot (20 /11/1924 – 14/10/2010) inventou o termo fractal para descrever objectos matemáticos fragmentados e irregulares, cuja estrutura se repete a diferentes escalas.



Flocos de neve, folhas de feto, conchas de moluscos, couve flor, bacias hidrográficas e até o sistema circulatório e pulmonar ilustravam na natureza este tipo de formas geométricas.
O Conjunto de Mandelbrot , facilmente construído em computador por um iniciado, tornou-se imagem de marca da geometria fractal. O tema principal é repetido infinitamente em escalas cada vez menores.

Benoît Mandelbrot iniciou a vida académica em Paris, depois de abandonar a Polónia, sua terra natal, aos 11 anos devido às perseguições nazis. Em 1958 mudou-se para os Estados Unidos para trabalhar na IBM, onde desenvolveu investigação científica durante cerca de três décadas. No final dos anos 80 passou a leccionar na Universidade de Yale, onde ficou até à sua reforma, em 2005.

Actualmente as aplicações da geometria fractal são imensas , sobretudo nos fenómenos instáveis ou turbulentos não lineares, de modelos matemáticos ditos "caóticos". E mais: no cinema, muitas, mesmo muitas das paisagens e cenários de ficção gerados em computador recorrem à geometria fractal.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Efeito Borboleta

Todos observamos com tristeza o progressivo desparecimento das borboletas dos nossos jardins. Não será a mesma coisa, mas é quase um milagre o que conseguiram Hiroto Tanaka em Harvard e Isao Shimoyama em Tokyo : uma borboletinha feita de angélicas asas de polímero , madeira de balsa e elásticos. O estudo do modelo, a borboleta swallowtail (cauda-de-andorinha), foi ao detalhe minucioso de imitar o exacto tamanho e peso e mesmo o desenho das veias nas asinhas de plástico. Toda a mecânica de voo foi estudada graças a um filme em câmara lenta da borboleta real. O estudo completo, que deve ser monumental, chama-se Bioinspiration & Biomimetics e está para ser publicado em breve.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Viagem ao tempo futuro, elixir da juventude e GPS

Quando estamos em movimento, o tempo passa mais devagar. É consequência da relatividade restrita, devido à constante absoluta c (velocidade da luz). A percentagem de redução da passagem do tempo é praticamente zero a velocidades comuns; só com velocidades acima de 400 000 km / h é que a redução começa a ter efeito significativo. Por exemplo, a redução é de 10% para 42% da velocidade da luz (uns 450 000 km/h), de 13 % para metade de c (540 000 km/h), de 30% para 70% de c.

Mesmo assim, os astronautas que irão um dia a Marte hão de voltar ligeiramente mais novos (~1 % do tempo passado na terra) do que seria de esperar, ou inversamente, encontrar os seus familiares ligeiramente mais envelhecidos.

Mas para chegar até a estrela mais próxima da Terra, que é Alfa do Centauro, a 4,2 anos-luz daqui (um ano-luz é 9 300 milhões de quilómetros) vamos supor que a nave viaja a 75% da velocidade da luz. Isso é muito rápido ! A essa velocidade, chegará a Alfa do Centauro em 5,7 anos medidos aqui na Terra. Segundo as equações para a dilatação do tempo, os tripulantes da nave observariam nos seus relógios que se passaram apenas 3,8 anos!

No regresso, teriam passado 11, 4 anos na Terra e 7,6 anos para os viajantes, quase 3 anos e 10 meses mais novos. O que pode também ser visto como uma viagem dos astronautas para o futuro...

Tudo isto já foi repetidamente comprovado com partículas atómicas e com relógios de alta precisão enviados em viagens espaciais (enquanto outro relógio ficava na Terra): em movimento, há dilatação do tempo e contracção do espaço.

Tudo isto até tem consequências práticas interessantes. Efeitos relativísticos – ou seja, desvios do que seria esperado pela física clássica – acontecem em algumas situações triviais. Os GPS (Sistema de Posicionamento Global) conseguem informar a localização na Terra com uma precisão de 5 a 10 metros. Isso é feito com o auxílio de informações enviadas por satélites artificiais em órbita do planeta. A velocidade dos satélites, cerca de 14 mil km/h, é bem pequena comparada à da luz (~1%), mas os muitos pequenos desvios em relação às previsões da física clássica acumulam-se, e acabam por se tornar significativos: se os GPS não considerassem a dilatação do tempo, acumulariam um desvio de 11 km por dia !

Portanto:

1 - a relatividade não é uma coisa assim tão distante de nós que se possa ignorar.

2 - saber física é cultura geral.


Uma excelente ilustração aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais um pesadelo à vista


Esta imagem que até parece "gira" é de facto assustadora.

Trata-se de uma campo de energia emitido por um gerador de raios X, instalado desde 1996 num laboratório americano onde é utilizado para fazer testes de resistência a ogivas nucleares .

Formado por fios de aço entrelaçados e cisternas de água , percorridos por impulsos eléctricos, é capaz de produzir desde 2006 - e sem que ninguém saiba porquê ! - temperaturas 4 a 6 vezes superiores às de uma bomba de Hidrogénio.

Ou seja: muito mais do que o necessário para se produzir uma "arma de destruição maciça" limpa, sem urânio nem radioactividade !

Que bom, não é ? Mesmo o que estávamos a precisar ! :(((((

Sandia National Labs/Eyevine

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Global Seed Vault: Previsões, catástrofes e bom senso - parte II


Situado numa ilha remota do arquipélago Svalbard (ou Spitzbergen), sob administração norueguesa, o Global Seed Vault - em português Cofre Global de Sementes - fica ao fundo de um túnel de 120 metros , furado através de rocha com temperatura natural de -6°C, no permafrost Ártico.

O Global Seed Vault protege variedades únicas de sementes como beringela, alface, cevada, batata, milho, arroz, trigo, feijão frade ou sorgo.

O Cofre consegue resistir a mísseis, pestes, tsunamis e terramotos.
Todas as nações foram convidadas pelo governo da Noruega (que financiou o projecto) a contribuir com sementes da sua região.

As sementes são armazenadas em envelopes de alumínio selados por calor, desenhados para uso militar, e depois colocadas em caixas seladas em prateleiras de metal numa câmara de segurança fechada à pressão. Cada pacote tem uma amostra de um tipo de semente, de cerca de 500 sementes, dependendo do seu tamanho. Continuam a pertencer à nação que as cedeu para o Cofre.

1 - Entrada
2 - Túnel, reforçado com anel de aço
3 - Gabinetes
4 - Cofres de sementes

Portas reforçadas a aço, câmaras com múltiplo sistema de fecho, monitorização por vídeo – e também :-) os temíveis ursos polares ! - fornecem protecção adicional. Mesmo em caso de falha de todos os sistemas, o permafrost da montanha onde está inserido garante temperaturas abaixo de -3.5º C , garantindo a conservação por alguns anos.

O Global Seed Vault: Previsões, catástrofes e bom senso - parte I

É cada vez mais frequente previsões a longo prazo servirem de justificação para medidas imediatas antipáticas ou penalizadoras. Isso nunca aconteceu antes na História: as pessoas sempre pensaram que o que fazem de bom para benefício de quem vive hoje será naturalmente bom para as gerações seguintes.

As ideias dos "amanhãs que cantam", sacrificar hoje para colher no futuro (longínquo) , já ilustradas no célebre conto da cigarra e da formiga - apesar de tudo a formiga colhia o fruto do trabalho ainda em vida...- surgiram com as primeiras ideologias políticas, económicas e sociológicas, os primeiros estudos académicos nestas áreas, e as primeiras revoluções sujeitas a essas ideologias. Não vale a pena insistir no malogro que foram todos os modelos baseados no sacrifício hoje pelo homem novo, pelo futuro radiante amanhã, sendo que o novo e o amanhã eram adiados para São Nunca.

Tendo conseguido ultrapassar esses modelos, no sentido em que as pessoas (globalizadamente) desataram a querer viver melhor hoje sem querer saber de amanhãs, saudável mentalidade de cigarra, eis que os arautos do mal-estar, do sacrifício e do masoquismo social voltaram à carga culpabilizando esta geração de estar a condenar as próximas a todas as desgraças e catástrofes. Tudo isto sem cabal prova científica, baseado em geral nos mesmos preconceitos sociológicos e económicos que já nos habituamos a ver falhar estrondosamente.

Foi-se o melhor do sistema de apoio social europeu, afastando-nos cada vez mais da vida descansada dos nórdicos; deixamos de fumar, de comer bolas de Berlim, de usar sacos plásticos para o lixo, de nos arrefecer dos calores excessivos com ar condicionado, até o amor sofre limitações e gritos de alerta. Também dizem que somos demasiado ricos e devíamos voltar a viver com modéstia (Salazar tinha razão !). E evidentemente que o preço de não alinhar é a catástrofe anunciada, é hipotecar o planeta para as gerações futuras. Querem que deixemos de viver, em nome da felicidade de filhos e netos; filhos e netos a quem, por sua vez , em vez do paraíso, irão exigir que abdiquem de mais umas quantas coisas em nome de bisnetos e trinetos.

Sabe-se que o bom senso é a qualidade mais rara e mal distribuída entre os homens. O bom senso indicaria que tentássemos melhorar sempre as coisas para nós, de forma duradoira, e assim as coisas melhorariam para quem vier a seguir. Melhorar os apoios na saúde e na velhice; melhorar os cigarros , as bolas de Berlim, os carros e o ar condicionado para que não sejam tão (ou nada) prejudiciais; melhorar vacinas e tratamentos; em suma, fazer um investimento em investigação, ciência e tecnologia dedicado às causas ditas alarmantes - e estudar seriamente até que ponto são alarmantes; não há razão para sermos todos musculosos e esguios, obedientes a um modelo único de sociedade sem plásticos nem vírus nem pastéis de nata, adoradores do Sol e da Terra mas pouco amigos dos humanos cheios de vícios de agora e hoje.

Bom, tudo isto para falar agora de dinheiro bem gasto, ou seja, bom senso. Armazenar sementes de todas as plantas incluídas na nossa dieta alimentar , congelando-as para que nos possam valer em qualquer momento de catástrofe - asteróide, nuclear, glaciação , tsunami ou sermos esturricados pelo Sol - é uma ideia de tão genial bom senso , de custo/benefício tão altamente vantajoso, de valor educacional e patrimonial tão grande como a humanidade inteira. Só faz bem a todos - faz mal a ninguém.

Claro, uma ideia destas só podia vir dos nórdicos, dessa Noruega tão mal querida por manter a felicidade e o bem-estar ao alcance de todos. Hoje.

Continua na Parte II - post próximo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A medusa que alcançou a vida eterna

É verdade: renasce eternamente. Claro que pode ser morta por causas externas. Mas não morre naturalmente - cresce, amadurece, rejuvenesce, cresce, amadurece, rejuvenesce...

O mito realizado na perfeição, no eterno retorno à juventude, sem elixir nem Calypso, quem pode desejar melhor ?

A felizarda é a medusa Turritopsis nutricula , que realiza parte da sua vida como coral, e parte como medusa! Durante cada ciclo de vida, começa como colónia de pólipos (coral) , e depois muda para uma solitária e flutuante medusa. O espantoso é que consegue reverter para pólipo de novo , depois de atingir a maturidade sexual ! e assim sucessivamente...

fase medusa


fase pólipo

A mudança dá-se através da transdiferenciação celular, um processo raro em que uma célula ou um sistema de células se tranforma em células diferentes, com código genético diferente. Imaginam o que pode vir daí se o processo vier a ser controlado artificialmente ?

A Turritopsis nutricula tem apenas 4 ou 5 milímetros, vê-se com dificuldade.

Adaptado do blog

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

LHC - o universo dentro de um tubo

O primeiro feixe de protões a completar uma volta no acelerador LHC
(Grande Colisor de Hadrons)

Às 10:25 locais a ignorância e o obscurantismo levaram mais uma valente pedrada : após cerca de 55m de viagem, os raios de protões deram a volta aos 27 Km do tubo do acelerador, no seu primeiro teste.

O próximos passos trarão novos dados sobre o início do Universo, porque o LHC “simplesmente” recria as condições que existiam milionésimas de segundos depois do Big Bang.
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http://lhc.web.cern.ch/lhc/
http://www.lhc.ac.uk/

slideshow http://www.slideshare.net/CMP/el-gran-colisionador-de-hadrones-lhc-cmp-presentation/