Mostrar mensagens com a etiqueta citação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta citação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Equidade fiscal - uma parábola

Era uma vez dez amigos que se reuniam diariamente numa cervejaria para beber, e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:

• os quatro amigos mais pobres não pagariam nada, o quinto pagaria 1 euro, o sexto pagaria 3, o sétimo pagaria 7; o oitavo pagaria 12; o nono pagaria 18 e o décimo, o mais rico, pagaria 59 euros.
Face à fidelidade dos clientes, o dono da cervejaria resolveu fazer-lhes um desconto de 20 euros. Ainda atendendo à equidade fiscal, resolveram dividir os 20 euros igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 euros a cada um, mas depressa verificaram que o quinto e sexto amigos, que pagavam 1 e 3 euros, ainda receberiam para beber. Gerada forte discussão que pôs em perigo o grupo, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que foi aceite:

• os cinco amigos mais pobres não pagariam nada; o sexto pagaria 2 euros, em vez de 3, poupança de 33%; o sétimo pagaria 5, em vez de 7, poupança de 28%; o oitavo pagaria 9, em vez de 12, poupança de 25%; o nono pagaria 15 euros, em vez de 18.

• o décimo, o mais rico, pagaria 49 euros, em vez de 59 euros, poupança de 16%. Cada um dos seis ficava melhor do que antes e lá foram bebendo.


Certo dia, no entanto, começaram a comparar as poupanças.
-Eu apenas poupei 1 euro, disse o sexto amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10…e não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais…
- E eu apenas poupei 2 euros, disse o sétimo amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10...e não é justo que tenhas poupado 5 vezes mais!…

E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto. E de imediato concluíram: “deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres…”. E, passando à acção, logo rodearam o amigo explorador e maltrataram-no severamente.

No dia seguinte, o ex-amigo rico emigrou para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume. Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 31 euros, que não dava sequer para pagar metade da factura!...

Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal.
Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera é mais amigável!...


David R. Kamerschen, Ph.D. -Professor of Economics, University of Georgia

perturbante, não ?

sábado, 22 de outubro de 2011

Outono, sim



Na penumbra outonal, não sei quem tece

As rendas do silêncio


Florbela Espanca


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

1872

"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal"

Eça de Queirós, As Farpas, 1872.


Vá lá, digam que o Medina Carreira fala sozinho.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O laguinho da Gulbenkian, por Ana Oliveira

No blog ILUSTRAÇÕES, DESENHOS E OUTRAS COISAS , que venho seguindo, surpreendo-me de quando em quando com ilustrações muito conseguidas (giras, bonitas, engraçadas, lindas...) da autora Ana Oliveira, com textos que também vale a pena ler. É este o caso:

O jardim das rãs , ou dos nenúfares, da Gulbenkian.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Camilo e os camelos

No sempre obrigatório De Rerum Natura publicou Rui Baptista um divertido texto sobre a ronha anti-literária que expulsou Camilo dos textos escolares:

http://dererummundi.blogspot.com/2011/08/o-odio-de-perdicao.html

Aos poucos, é toda a História (artística, literária, das ciências, do pensamento) que se quer varrer em suposto benefício da contemporaneidade. Sendo esta consumista e mediática, está-se mesmo a ver onde se chegará. Aqui está um asneira "herdada"que ficaria bem a Nuno Crato rever.

Em contrapartida, leia-se (até onde se resistir) a execrável argumentação e o mau português com que Fernando dos Santos Neves, da Lusófona, defende a Reforma Ortográfica no Público de hoje em

Um pavor. Só falta dizer (explicitamente) que os donos da língua são os políticos.

Enfim, como dizia Camilo, pode ser que assim se conquiste a opinião das maiorias boçais.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Citations françaises

"On ne decouvre pas de terre nouvelle sans consentir à perdre de vue tout rivage." (*)
André Gide"

Tout ce que les hommes ont fait de beau et de bien, ils l'ont construit avec leurs rêves..."
Bernard Moitessier.

"La sagesse est d'être fou lorsque les circonstances en valent la peine."
Jean Cocteau

"La vraie morale se moque de la morale."
Pascal.

"On ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux."
Antoine de St. Exupéry.

"L'enfer, c'est d'avoir perdu l'espoir."
Cronin

------------------
* Merci, Moura

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O erro de Saramago (mais um)

Não resisto a citar aqui um post do De Rerum Natura, "Saramago, a Morte e a Mina".

"José Saramago estava redondamente enganado. No seu discurso em Estocolmo por ocasião da entrega do Prémio Nobel, numa tentativa de apoucar a ciência e a tecnologia, afirmou:

"A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante."
A operação de resgaste dos mineiros da mina de S. José, no Chile, com forte apoio da NASA, acaba de mostrar que se chega mais facilmente ao nosso semelhante do que a Marte. Saramago não conseguiu compreender que se pode chegar mais depressa ao nosso semelhante em virtude precisamente de desenvolvimentos científico-tecnológicos associados à descoberta do espaço. Que pena ele não estar cá para ver..."

É assim, a esquizofrenia às vezes não está onde se diz.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Oito

Buracos negros, buracos brancos...


João Boavida publicou um artigo chamado "Portugal feito num oito" que o blog "De Rerum Natura" citou. Gostei muito:

"...dentro de alguns anos oitenta por cento da população portuguesa esteja concentrada nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto."

"Um corpo estrangulado pela cintura, enquanto o tronco e pernas morrem com tanta gordura acumulada. "

Não faltam ao Centro recursos logísticos, turísticos, humanos. Portos com capacidade de ampliação, rede de estradas, hotelaria, produção regional única. Porquê este estrangulamento? Mais uma doença crónica da República - ao menos os Reis por vezes estabeleciam a corte em Leiria ou Vila Viçosa.

Poucos países têm um tão grande desprezo por parte do seu território. As linhas de combóio do centro foram desmanteladas ou estão ao abandono. Zonas a 100 km da costa sofrem de "interioridade". Então Salamanca ? e Cáceres ? e Praga ? O que define interioridade ja não é a geografia: é o centralismo megalómano e pacóvio. A Suíça é há séculos mais desenvolvida que a Macedónia. Quanto a localização estratégica, está tudo dito.

Nem TGV nem Aeroporto, nem ParqueEscola: o mais urgente é dar alento a essas regiões de um Portugal doente quase terminal.

segunda-feira, 1 de março de 2010

guardiães de um tesouro

"O mundo já pouco tem para nos oferecer, parece muitas vezes constituir-se de pouco mais do que barulho e receio, mas o certo é que a erva e as árvores continuam a crescer. Quando um dia a terra estiver completamente coberta de caixotes de betão, as nuvens continuarão a correr no céu e adquirir sempre novas formas, e aqui e ali as pessoas, por intermédio da arte, precisarão de manter uma porta aberta para o divino."

"O que seria de nós, os velhos, se não tivéssemos esse livro ilustrado que é a memória, toda essa riqueza de experiências vividas! Seria uma situação lamentável, seríamos uns miseráveis. Deste modo, porém, somos imensamente ricos e não nos limitamos a arrastar uma carcaça cansada, de encontro ao fim e ao esquecimento; somos guardiães de um tesouro que viverá e resplandecerá enquanto nós próprios respirarmos."

Hermann Hesse

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fevereiro



Why, what's the matter,
That you have such a February face,
So full of frost, of storm and cloudiness?

William Shakespeare

Então, que se passa, para teres uma tal cara de Fevereiro, tão cheia de gelo, tempestade e nuvens ?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Credo que molhadice


Já não se aguenta, só de escafandro. Os joelhos doem, suamos dentro das lãs e dos impermeáveis, imersos num banho turco frio permanente. Isto desde Novembro!

Lembram-se do Blade Runner ? Em Los Angeles, 2019, a chuva cai sem parar como uma maldição, o dia é uma penumbra iluminada pelos guarda-chuvas com lâmpada néon...

E as últimas palavras do replicante, ferido de morte na mais memorável sequência do filme, "All those moments will be lost in time, like tears in the rain. Time to die".

That's the feeling...como 2019 chegou depressa!




segunda-feira, 2 de novembro de 2009

António Vieira e Caim - que literatura!

Grande vénia ao blog De Rerum Natura, e re-cito, de António Vieira, este trecho do "Sermão do Primeiro Domingo do Advento":

"Matou Caim a Abel, e diz a Escritura, conforme o texto onginal: Vox sanguinum fratris tui clamantium ad me: «Caim, a voz dos sangues de teu irmão Abel está bradando a mim». Notável dizer! O sangue de Abel era um, como era um o mesmo Abel morto. Pois se Abel morto e o sangue de Abel derramado era um, como diz Deus que clamaram contra Caim muitos sangues? Vox sanguinum? Declarou o mistério o Parafraste caldaico temerosamente: Vox sanguinum generationum, quæ futuræ erant de fatre tuo, clamat ad me: Se Caim não matara a Abel, haviam de nascer de Abel quase tantas outras gerações como nasceram de Adão, com que dobradamente se propagasse o género humano; e o sangue ou sangues de todos estes homens que haviam de nascer de Abel, e não nasceram, eram os que clamaram a Deus e pediam vingança contra Caim; porque, matando Caim e arrancando da terra a árvore de que eles haviam de nascer, o mesmo dano lhes fez que se os matara. De sorte que Caim parecia homicida de um só homem, e era homicida de um género humano; o pecado era um, as consequências infinitas. Pois se Deus castiga nos pecados até as consequências possíveis; e os possíveis hão-de aparecer e ressuscitar no dia do juízo contra vós, não porque foram, nem porque deixaram de ser. senão porque haviam de ser; se os possíveis têm sangue e vozes que clamam ao Céu, que clamores serão os do verdadeiro sangue derramado de verdadeiras veias? Que vozes serão, as de verdadeiras lágrimas, choradas de verdadeiros olhos? Que gemidos serão os de verdadeira dor, saldos de verdadeiros corações? Que serão as viudezas, as orfandades, os desamparos? Que serão as opressões, as destruições, as tiranias? E que serão as consequências de tudo isto, multiplicadas em tantas pessoas, continuada em tantas idades e propagadas em tantas descendências, ou futuras ou possíveis, até o fim do mundo! Há quem faça escrúpulo disto? "

Assim é que é escrever, e assim é que é reflectir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A cultura de amanhã: tudo à mão, nada na cabeça


Não resisto a citar, em adaptação minha, um magnífico textozinho de PHILIPPE BOUVARD no Figaro:

"Todo o avanço tecnológico colectivo é acompanhado de um recuo cultural individual"

Os recursos informáticos multiplicam-se de tal maneira que mesmo antes da chegada da inteligência artificial já podemos imaginar o erudito do séc XXI: formado em letras (do teclado), terá à disposição todos os dicionários impressos desde Gutemberg , mas ele próprio não escreverá nada a não ser mensagens em texto . Sem conhecer a tabuada, levará décimas de segundo para extrair a raiz quadrada de um número com 17 algarismos. Sem nunca ter ouvido falar de Napoleão, citará facilmente os títulos de 50 000 obras que lhe foram dedicadas.

Tudo em virtude do “postulado de Google” segundo o qual todo o avanço tecnológico colectivo é acompanhado de um recuo cultural individual. O nosso erudito não será detentor de nenhum saber mas terá todas as disciplinas ao seu alcance. Poderá descobrir as torpezas do género humano pela tele-realidade [reality shows], o seu local de emprego será em casa graças ao tele-trabalho e, sempre sem sair, poderá perder o dinheiro que acabou de ganhar nos jogos online, poderá ter ligações virtuais e muitas amizades com milhares de amigos com quem nunca se encontrará, e só se deslocará de carro em férias num modelo ecológico à base de água de lavagem dos legumes biológicos, e até poderá continuar a devanear no banco de trás devido à condução programada do destino em carris electromagnéticos.

Consultará pela net o seu guru de referência em Nova Deli, será operado à distância por um cirurgião de Nova Iorque, dialogará por visiofone com o merceeiro da esquina. Terminará os seus estudos (sudoku e sânscrito) aos 35 anos, indo para a reforma aos 50, depois de avisado pelo GPS medico-sanitário de uma desregulação dos órgãos onde tinha implantado minicaptores.

Ocupará o meio século que lhe resta a ir verificar aos 4 cantos do planeta que afinal os panoramas até são iguais aos que começara a descobrir desde a infância no écrã , no Flickr e no Picasa. Ora!

Philippe Bouvard
Figaro, 02/10/2009

domingo, 9 de agosto de 2009

Silly Season II , c/ Pavarotti

"Stop whatever it is we are doing and devote our attention to eating" - Luciano Pavarotti

Não resisto a uma indecente citação do Blog Intermezzo, no post pasta a la Pavarotti, onde se mostra a habilidade culinária de Pavarotti. Vale a pena copiar a receita. E como faz lembrar o epicurista Rossini, também devoto da boa mesa !

Ainda sonho com os bifes das vaquinhas dos Açores...

Prometo que não haverá Silly Season III.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sabedoria de Telemann

O grande Telemann era, além de músico, um sábio senhor. Ora aqui vai em triplo idioma para que conste:

Den schönsten zeitvertreib in unserm ganzen leben
Weiss doch die musik allein zu geben:
Denn alles was wir sonst nur von der wollust wissen:
Es sey ein guter wein; ein leckerhafter bissen;
Die schlittenfahrt;
Das spiel; die jagd; und was sonst noch mehr
Von solcher art;
Sind im beschluss;
Nach vorgebrauchtem ueberfluss;
Wo nicht mir schaden; schmerz; verdruss;
Doch wenigstens mit ungemach gepaart:
Allein musik kennt nichts als lauter güte:
Der anfang ist bequem;
Das mittel angenehm;
Das ende wirkt ein ruhiges gemüte.

-G.P. TELEMANN 1722-

The greatest pasttime one can life
Is pleasure that alone music can give
Everything else that we percieve as good
Excellent wines or most delicious food
Sleigh rides or games
Or hunting or the dames
Cause in the end
Especially if overdone
If not annoyance, damage, or else pain,
At least adversity shall certainly remain

Music alone knows nothing but God´s grace
The start will be so easy
The middle will sure please ye
And in the end your mind is full of peace.


Tout au long de la vie, le meilleur divertissement,
seule la musique peut nous l'offrir.
Car toutes les autres voluptés que nous connaissons:
le bon vin, la bonne chère,
les promenades en traîneau,
le jeu, la chasse et bien d'autres choses encore,
ne sont associées, en fin de compte,
après en avoir abusées,
sinon aux pertes, à la douleur, à l'oubli,
du moins à des désagréments.

Seule la musique n'offre que des bienfaits:
le début est aisé, la suite agréable,
la fin procure l'apaisement de l'Âme.

G. Ph. Telemann 1722


Traduções: Hille Perl

domingo, 21 de junho de 2009

Verão


"Summer afternoon - Summer afternoon... the two most beautiful words in the English language."
Henry James

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Violência verbal - texto de Desidério Murcho

No blog "De Rerum Natura":

http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/violencia-verbal.html

"(...) o que é preciso explicar, pois é isso que é raro e precioso, é o comportamento racional, paciente, epistemicamente virtuoso que só alguns seres humanos exibem. "