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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Jardim, Ramos Rosa


'O Jardim'


Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.



Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.


Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.


António Ramos Rosa, in "Volante Verde"


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Retour de Tours


Com os olhos contentes mais uma vez de tanto canteiro e jarrão florido, e do(a) belo(a) Loire ao entardecer, não me parece bem fazer aqui a habitual prolongada reportagem - já toda a gente conhece o vale e os castelos, e só lá fui estrear-me porque era uma passeata de outono económica.

Começando pela Ryan-never-again, as cenas de aeroporto e pesagem das malas davam um conto de terror à Allan Poe. Aquilo tem os clientes que merece, também, a levar queijos e queijos da família e a pôr os pés descalços ao alto em cima de tudo. O aeroporto minimal não chega para a multidão em fila na Gate-1 (and only) do "vol du jour", que era o do Porto...

Tours não é uma cidade monumental nem a parte antiga é jóia imperdível. Dá para três dias no máximo, de resto é sempre a sair. Há bons crepes, sim.

Uma das coisas a que não resisti são os arranjos florais dentro dos castelos. E como isso dá sempre posts muito bonitos, cá vão alguns dos melhores, sempre com flores frescas, claro. Um dia mudo o título do blog para "Livro de Areia e flores"...

Dedicado em especial a apreciadores, como a Virgínia, a Gi e o Paulo:










Fotos tiradas nos castelos de Amboise, Clos-Lucé, Chenonceau e Villandry.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Leigh, Kent: uma igreja rural inglesa e um órgão azul


Leigh á uma aldeiazita no norte do condado de Kent, e mais parece um condomínio de moradias de tijolo avermelhado da cor da terra barrenta, disseminadas entre sebes e jardins, atravessado por arruamentos que correm em meandros sem direcção definida. Florida, muito florida, e decorada com Aston Martins e Jaguars a dar sinal do nível de quem lá vive.
"Either rich, or filthy rich".




Uma roseira trepadora

Jardim privado

Uma estação de combóio, uma paragem de autocarro, um posto de correios, uma loja tem-tudo, e um country pub à face da estrada - o Fleur de Lis - muito simpático entre profusão de arranjos florais coloridos. Bom café, vá lá.


Uma das 'atrações' é um poço coberto, com bomba manual, operada com alavanca.

Mas o mais interessante é provavelmente a Igreja de Santa Maria.

Entrada pelo graveyard.


St. Mary's foi construída no séc XIII - várias secções em pedra atestam esta antiguidade medieval; mas sofreu incêndios e maus tratos, pelo que foi profundamente remodelada em 1860, quando foi construída a alta torre com ameias revivalistas e nada menos que 6 sinos !

Tem graça o pórtico lateral (restaurado) e a pequena torre.

No interior, do lado sul da capela-mor, este belo órgão  Hill and Son , de 1879.

[ Fotos dedicadas à Gi :) ]

Os melhores vitrais estão na fachada sul, e representam um ano de trabalho agrícola - lavrar, semear e colher.


Uma meia-tarde soalheira bem passada.

domingo, 21 de julho de 2013

Kent & Sussex , III : Castelos e jardins floridos


Este vai ser um post florido de muitas cores. Talvez um dos mais bonitos de sempre aqui no Livro - exceptuando os de poesia, claro.

Três castelos - Sissinghurst, esguio e apalaçado, Herstmonceux, grandioso e bem proporcionado, e Bodiam, uma fortaleza - e outros tantos jardins, foram um dos pontos altos desta minha estadia inglesa. Canteiros e flores, havia-os por toda a parte: nos pequenos quintais das moradias, nas bermas de estrada, nos floreiras de rua ou suspensas de postes de iluminação...


O Kent é o jardim de Inglaterra, dizem eles, mas o Sussex não fica atrás.

Jardim de moradia, Leigh

Mas o maior encanto são os jardins de castelo !

Comecemos por Bodiam, o menos florido mas muito bem enquadrado por um largo fosso e jardins relvados salpicados de monumentais carvalhos.

Bodiam é um castelo medieval do séc XIV, construído para a defender o litoral sul contra invasões francesas durante a guerra dos 100 anos. Nunca serviu para tal.

É de planta quadrangular, sem torre de menagem; os aposentos ficavam nas torres, ao longo dos muros e no pátio interior. Com invulgar conforto, dispunha de 33 lareiras e 24 lavabos com saneamento (para o fosso circundante).
Apesar da aparência, as paredes não tinham espessura suficiente para resistir a artilharia. Abandonado, entrou em ruína e só recentemente foi recuperado.

Enormes carvalhos centenários dão sombra aos relvados circundantes.

Sissinghurst, Kent

O castelo é só isto - uma torre-mansão isabelina (séc XVI) , com uma sala de chá lá no alto - e já estava fechado.

Também desta vez só por sorte pudemos ter acesso ao jardim. Atrasos, estradas complicadas, e chegámos às 6 da tarde (fechava às 4h ) sem esperança. Outra vez, muita gente bem vestida a beber champanhe... o castelo tinha fechado mas havia um evento particular , muito "posh" - Aston Martins, Maybachs, Jaguars e assim.
Como estava tudo "aberto" aos participantes, não foi difícil agir como "infiltra" e, jogando às escondidas, ir disfrutando o fim de tarde entre relvados e molduras de belos arranjos florais.





O caramanchão de rosa mulliganii, no jardim branco:

Até as sebes e cancelas têm encanto - aliás, adoro cancelas, são uma beleza na paisagem rural.

Havia ainda uma antiga quinta, com um conjunto de Oast Houses - as edificações típicas da zona onde se secava o lúpulo antes de fermentar, recorrendo a fornos aquecidos a carvão, dotadas de chaminés especiais de ventilação.

Herstmonceux, Surrey

Construído por um cavaleiro abastado e ostentativo no séc. XV, foi a mais luxuosa moradia do país na altura. É um castelo Tudor, todo em tijolo, o mais antigo edfício em tijolo do país (~1441), que foi utilizado durante anos no século XIX pelo Royal Greenwich Observatory (ainda lá estão os telescópios), e acabou agora comprado pela Queen's University do Canada.

Já apareceu em vários filmes, como as séries de Narnia, os Harry Potter...

Este sim, uma magnífica construção, ao mesmo tempo sólido, equilibrado e de bela arquitectura.

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Aqui encontrei os jardins mais lindos que já vi. São recintos e mais recintos, separados por sebes ou muros forrados de flores,  com magníficos arranjos.

Entrada:

O Roseiral

Algumas esculturas pontuam o jardim
(Vale a pena ampliar)

O jardim das borboletas


E de facto elas andavam lá - borboletas castanhas malhadas.

Espaço Zen
Camomila
Não sei o que é , mas são fantásticas

e nunca mais acaba...


O Jardim Mágico


Outro mundo, subitamente
Sim, ouviam-se as fadas a esvoaçar mansinho.
A magia anda no ar

Na hora de sair, havia, claro, uma casa de chá.

Se há dias felizes, este foi um deles. 



Adorei.