Mostrar mensagens com a etiqueta fotos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fotos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de agosto de 2017

ponientes



' O ponientes, o tigres, o fulgores ' 
 ...

' Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...
 Chora o silêncio... nada...ninguém vem...'



«Un jour, j'ai vu le soleil se coucher quarante-trois fois!»
Et un peu plus tard tu ajoutais:
«Tu sais... quand on est tellement triste on aime les couchers de soleil...
- Le jour des quarante-trois fois tu étais donc tellement triste?
Mais le petit prince ne répondit pas.”

-----
Versos e texto de J L Borges, Florbela Espanca e Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O tranquilo Tamisa que aqui se chama - the Isis !


A denominação celta 'Tamesas' foi romanizada como 'Tamesis',  e com o passar dos anos acabou truncada para 'Isis' entre Oxford e Dorchester; os estudantes mantêm com gosto o culto dessa tradição, apesar da actual ressonância antipática. The Isis é o curso de água onde os universitários remam, e foi nome literário do Tamisa para Carroll, C. S. Lewis, Phillip Pullmann...


É um rio vagaroso, gentil, de margens planas. A maior beleza é a do arvoredo em redor e reflectido. Passear nas margens não é nada de especial - nos poucos percursos pedonais de jeito abundam ciclistas apressados; é sobretudo um curso de água para prática de remo, e para uns poucos anti-sociais ou excêntricos é uma rua onde morar, numa daquelas estreitas barcas de canal típicas de Inglaterra, que também se encontram no afluente Cherwell





" The Isis " foi também o título óbvio de uma revista estudantil, generalista (mas tendencialmente mais dedicada a ensaios, poesia e opinião), moderadamente provocatória, excêntrica e humoristica. Nasceu na Universidade em 1892 ( o século XIX foi mesmo o século das inovações !) e está quase a atingir 2000 números. Um dos requintes é a apresentação criativa, ela própria obra de artes gráficas.
http://isismagazine.org.uk/
https://www.facebook.com/isismagazine/

Actualmente já não é um semanário, mas uma publicação de fim de termo lectivo, com um website.

Um exemplo do design (sempre diferente de revista para revista) é a apresentação do índice:





Páginas de poesia:


Um festa de design gráfico e irreverência.



Ao contrário daquela coisa repelente que dá pelo mesmo nome, por desgraçada coincidência, The Isis é um triunfo civilizacional. Viva o Isis !



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Oxford 1 - Relógios de Sol nos "quadrangles"


Como ainda agora regressei de Oxford e tenho pouco tempo, começo por um post fácil sobre a colecção de Sundials nos pátios relvados (quads, de 'quadrangles') dos vários Colégios.

Quads do Christ Church College.

Poucos sítios terão, como Oxford, percursos de descoberta de numerosos relógios de sol (*); a necessidade de medir a passagem do tempo diário não é certamente o principal motivo: há um culto do clássico, da Babilónia e Egipto, de Grécia e Roma, dos astros e da cosmologia medieval-renascentista, até ao séc. XVI.  Mas continuaram a ser usados, simultaneamente com os relógios mecânicos, até ao século XVIII, sobretudo para aferição e acerto da hora. A partir de então passaram a elemento decorativo de torres e jardins - ocupavam pessoas suficientemente educadas na matemática e na cosmologia celeste - meridianos, equinócios, equações, goniometria (ângulos, graus).

Também são, a par dos relógios de água, a única medição contínua do tempo (que supostamente flui continuamente): os relógios mecânicos, digitais, de areia, etc, procedem por saltam discretos. Penso que toda a gente sabe que os relógios de sol medem o tempo através da projecção da sombra de um mastro (gnómon) que se vai deslocando sobre um mostrador (dial, em inglês).

Os que vi em Oxford são todos do tipo vertical. Começo pelo do Christ Church College, onde a tradição avança o tempo de 5 minutos sobre o GMT, devido à diferença de 1º 15' (oeste) sobre o meridiano ! A diferença entre este tempo solar e a hora universal pode ir aos 15 minutos em Novembro...


Este relógio é da primeira metade do séc. XVIII. O quadrante, muito sóbrio, acerta a longitude para 1º 15' mais do que GMT.

Na parede voltada a sul.

O Brasenose College é menos prestigiado, mais vulgar na arquitectura, mas tem um dos mais antigos relógios de sol, de 1719. Fica mesmo ao lado da Bodleian Library, no centro histórico.

A parede não está exactamente virada a sul, mas a sudeste, portanto funciona melhor de manhã.

O Merton College é um dos mais bonitos, com vários jardins; a edificação principal data dos séc. XIII e XIV, um dos mais antigos portanto. Aqui estudou J. R. Tolkien.
No Fellow's Quad , encimando a frente norte, está este relógio, de feitura moderna - 1974. O quadrante dá também informação sobre as constelações do zodíaco:
O céu estava encoberto - suponho que é o normal, os sundials só funcionavam 'now and then' entre os pingos da chuva inglesa.

Uma breve aberta.

Um menos recente, inaugurado por Isabel II em 1953, é no belo e romântico St. Edmund's College Hall, talvez o meu favorito; substituiu o antigo que estava irreparável.
Na parede norte do Quad.


O Magdalen College é sem dúvida o mais belo dos colégios.  Na parede do recente Grove Auditorium, este relógio pintado sob MM (Mary Magdalen) marca também o segundo milénio MM - data em que foi construído.


Também de 2000 é o relógio solar do velhinho New College (séc. XV), mesmo no centro:


E termino com um dos mais antigos e espectaculares: o "Pelican Sundial" do Corpus Christi College (séc. XVI). Num quad feio, cimentado (sem jardim nem relvado), o relógio solar de 1581 circunda uma coluna encimada por um pelicano:

O pelicano a bicar o peito é um símbolo bíblico.(pelicano eucarístico).





Mais na The British Sundial Society (sundialsoc.org.uk)


--------------------------------------------------------------
(*) Lisboa tem 11, pelo menos; hei-de os procurar.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Oxford, regresso e despedida


A mais inglesa das cidades, pure englishness, um concentrado de colégios e universidade, lugar sagrado da sabedoria clássica, rodeado de pubs e de relvados nas margens do Tamisa. Vou agora lá voltar numa última e mais demorada visita, que o tempo começa a ser pouco para tanto sítio que ainda quero (voltar a) ver.

Como uma cidade-labirinto-biblioteca-infinita de Borges.

' I wonder anybody does anything at Oxford but dream and remember, the place is so beautiful. One almost expects the people to sing instead of speaking. It is all like an opera.'
                                                                                      William Butler Yeats

Até ao meu regresso, ficam estas imagens:

O Sheldonian Theater de Cristopher Wren

Bodleian Library (na parte antiga)

Claustro da Christ Church Cathedral

'Ascânio disparando sobre o cervo de Sílvia', Claude Lorrain, Ashmolean Museum (detalhe)


Até breve.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Uma rua do Porto: a Mártires da Liberdade, entre duas Praças.


Não sou nenhum entusiasta do Porto, nunca apreciei a tradicional sujidade e desleixo, muito menos a linguagem 'vernácula' e atitudes brejeiras; mas tenho de reconhecer que muita coisa mudou, para melhor; a cidade está mais luminosa e bem cuidada - nos arredores do hotéis, sobretudo dos melhores ; está mais convivial e desfrutada mesmo à noite - mas só à volta dos bares de tapas e petiscos; bebe-se melhor, com muita escolha - mas come-se mal, à base de enchidos, comida enlatada e processada, como a maldita "francesinha" ou o horrendo chouriço assado, a não ser que se paguem fortunas pela cuisine gourmet; está mais limpa, finalmente !, mas vêm os grafiteiros sujar o que foi limpo; tem comércio mais variado, muitas lojinhas pequenas, familiares, mas muitas delas vendem lixo sob regateio e é-se mais bem servido num centro comercial.

Um destes dias tive um compasso de espera de três horas e fui da Praça da República, onde desagua a rua dos Mártires da Liberdade, escura, feiosa, descendo até à Praça Carlos Alberto e dos Leões - ou seja: desde um local ainda envelhecido e degradado até um foco alto do turismo, um Porto cosmopolita no sentido lowcost & airbnb.

Depois regressei, e fui rua acima fazendo fotos, a começar na Praça dos Leões; estava um dia glorioso de Primavera e apetecia gostar da cidade.

Os Leões no alto dos Clérigos, com a Lello, a Torre e as Galerias, é um dos sítios 'diferentes' que o Porto oferece.

A frente de cafés, no lado nascente; agora há também quartos para turistas.

O jardim de Carlos Alberto, numa praça agradável. A fachada era do Hospital da Ordem do Carmo, vai ser mais um Hotel de luxo.

Casas recuperadas.


ex-Escola nº 130, freguesia da Vitória.

À saida da Praça para a rua Mártires da Liberdade, a Companhia União de Crédito Popular, agrupando penhores e ourivesaria, desde 1875. Tem 60 000 clientes, mais que nunca.

A primeira surpresa rua adentro será a Livraria Poetria, nas Galerias Lumière (onde 'dantes' funcionou uma sala de bom cinema, o Lumière). As Galerias foram recuperadas recentemente, com espaços comerciais simpáticos à volta de um 'comedouro' central, tudo limpo e arejado.


Livraria Poetria

Montra : livros dos bons, sem atender às vendas nem às modas. Clássicos. Gostei muito e comprei o nº2 da Tlön, pequena edição colectiva de poesia.
Grande título, Tlön !

Logo acima, o sítio mais culto da rua: a Livraria Académica, alfarrabista de grande tradição na cidade.


Entra-se circunspecto, como em local sagrado.

Prateleiras preciosas, e bonitas !


A Livraria Académica foi fundada em 1912 e para aqui transferida em 1913.
Fica de frente para o Largo Alberto Pimentel:


O Largo é o passeio em frente à Fonte das Oliveiras, construída em 1718. Foi remontada neste local em 1823. O elemento decorativo é uma concha que envolve um golfinho.


Um pouco mais acima, numa zona manhosa abandonada ao entulho e onde estacionam carros (mesmo sendo zona pedonal), outro alfarrabista !
http://homemdoslivros.blogspot.pt/

A nova  Homem dos Livros; muito se lê por aqui, será de ter moradores acima dos 50, ou por ter algumas escolas superiores por perto ? Uma delas é de enfermagem, outra de jornalismo, gente pouco dada às letras.

Para variar, outra lojinha antiga, bem antiga,  que já existia quando por ali andei também a estudar numa Faculdade já transferida para outro lado: o Mercado de Cedofeita. Não falta nada.


Alternam fachadas feias ou decadentes com outras bem interessantes.


O 218 tem um portal precioso em madeira decorada, art-déco suponho. É o V5 Bar, com música ao vivo - abre à noite:

E daqui para cima, num ambiente feio e velho, reinam as lojas de velharias.


bric a brac

Numa esquina, a melhor cafetaria/confeitaria da rua - a Confeitaria Royal:

Lá tomei o meu cafézito. As glórias são 'especialidade'.

Continuando a subir a rua,  muitas varandas de ferro corridas, estilo das casas pobres do porto de séculos passados.


E de repente toda aquela estreiteza sombria desagua na luminosa (mas feia) Praça da República e o seu amplo jardim central.

Palmeiras num jardim pouco cuidado, torres da Lapa ao fundo.

Dos bancos à antiga portuguesa gosto, do jardim nem por isso.

Numa praça feia, o correr de fachadas mais interessante é na ala nascente.


----------------------------------------------------------------------------
E mais uma vez uma nota literária a terminar: a revista Tlön.
http://tlonrevistaliteraria.blogspot.pt/
Tlön, planeta fantástico imaginário de Jorge Luis Borges, é agora também uma revista literária de periodicidade semestral. Nº1 dedicada ao Sonho, nº 2 à Infância.


Hei-de seleccionar um poema para publicar aqui no Livro.