terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ciclo Árvores e Poesia - I



Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada.
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante
que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses

António Ramos Rosa

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ainda a Gronelândia


Fiz este slideshow para conhecer melhor esse país imenso e quase vazio, feito de infinitos, de silêncios, da "última" beleza - a do gelo imenso.

domingo, 7 de setembro de 2008

O rosto com que fita é Portugal ?




A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,


A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Fernando Pessoa


- O rosto da Europa (já) não é Portugal.