sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Um poema de Nancy Campbell


Já aqui dei notícias de Nancy Campbell, uma escritora de prosa e poesia de Oxford que tem feito longas estadias no Ártico, sobretudo na Gronelândia, como artista residente em museus. Publicou vários escritos em editoras alternativas, e já há algum tempo sou seu seguidor no blog.

Deixo aqui um pequeno poema moral incluído no livrinho Disko Bay *. Quando o compra-compra natalício começa a cansar, sabe bem imaginar que, se quisermos, podemos desistir do capitalismo, construir o nosso próprio kayak e partir, mundo fora...


Giving up on capitalism

The first kayak he made was a one-krone kayak,
one krone was all he got for it.
He threw the coin down on his mother's bench:
fifty øre for coffee and sugar,
fifty øre for needles.

The next kayak he made was a two-kroner kayak,
he was given two kroner for it.
He ran to lay the coins on his mother's palm:
one krone for whisky,
one krone for blue cotton.

Then he made a kayak all for himself.
He had only enough skins
to cover a slim hull
but he pegged them down deftly
and paddled away.





* Enitharmon Press, 2015


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Arvo Pärt, Cantus In Memoriam
- não na CdM, afinal :(


Obra de 1977, para orquestra de cordas e um sino, o Cantus in Memoriam dedicado a Benjamin Britten é talvez uma das composições de Pärt mais frequentes nos programas de concerto. Contudo, depois de prevista para o próximo 15 de Abril, já foi cancelada na programação da Casa da Música, hélas.

Basicamente, a orquestra toca uma escala descendente das 8 notas de La menor, a que se contrapõe desfasada outra secção das cordas que toca as três notas do acorde de La menor, em progressiva complexidade. No conjunto, as duas ou mais linhas criam uma sensação de vagas sucessivas, ou de torvelinho, de crescente intensidade, até à última descida para o silêncio, quando apenas prevalece uma ténue badalada do sino em La, como uma subtil nota de esperança.
[adaptado de Jeremy Grishaw,

Strings of Hungarian State Opera, dir.Tamas Benedek

Benjamin Britten faleceu a 4 de Dezembro de 1976, antes que Arvo Pärt tivesse oportunidade para o conhecer;  Pärt admirava e até se identificava com a música de Britten, pelo que lamentou esse infeliz desencontro.

Uma interpretação ao vivo revela melhor o trabalho de orquestra. Esta que se segue talvez peque por um tempo demasiado rápido para meu gosto, mas é dirigida com precisão e ... é uma oportunidade para voltar a ouvir !

Radio Filharmonisch Orkest, dir. James Gaffigan.

[com uma piscadela ao Compasso Bucólico]


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Um post de Natal: as estrelas vermelho-alaranjadas que decoram janelas na Gronelândia.


O Natal é celebrado com particular empenho e alegria na Gronelândia: por esta altura a noite polar de quase 24 horas já há muito se instalou, e uma festa de luzes, com cânticos e fartas gulodices é uma diversão muito bem-vinda. Iluminam-se árvores (importadas, claro) e nas janelas brilha uma estrela, geralmente alaranjada ou vermelha, uma luz que dá algum ânimo na escuridão.

As luzes da árvore em Nuuk, a capital, foram acesas na presença de uma pequena multidão. É um acontecimento especial na noite ártica.

Em Sisimiut, já acima do círculo polar (66º N), toda a cidade - uns 6 000 - veio assistir.


Quem tem a janela mais bonita ? ( mesmo que o modelo 'único' à venda no país seja o mais frequente )






Kamgan Ukudigaa                      Boas Festas
Quyanaghhalek Kuusmemi        Feliz Natal