sábado, 16 de abril de 2016
Sarah Tynan canta Handel em Versailles
Handel divinal, sempre; neste caso, uma ária da oratória Solomon (1748), tal como foi ouvida em Versailles há dois anos dirigida pelo 'nosso' Paul McCresh na sua melhor forma. Foi recentemente transmitida no Mezzo, um dos melhores momentos televisivos do ano !
Não conhecia esta soprano Sarah Tynan, gostei bem de a ouvir cantar num impecável inglês... é raro perceberem-se as palavras todas, como aqui sucede. Não voa muito nas alturas mas a voz é límpida e de timbre bonito. Desiludido com estou com a Lezhneva, esta senhora, ainda jovem, parece uma promessa segura para os anos próximos.
No more shall armed bands our hopes destroy,
Peace waves her wing, and pours forth ev'ry joy.
Beneath the Vine
E agora em dueto com o excelente contratenor Iestyn Davies,
Thrice bless'd be the king [imagem distorcida]
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Howard Hodgkin, belos 'abstractos' do século XXI
Nunca vi uma exposição de Howard Hodkin, e infelizmente, porque é cada vez mais difícil encontrar a beleza que para mim é essência da arte, muito mais que 'vida' ('arte é vida'), mal de vivre, angst ou rebeldia. Beleza, sim, é o que faz falta.
Hodkin diz que pinta memórias, estados emocionais, episódios da sua vida, e que as suas obras sugerem, e são abertas a, interpretação. Optando por um abstracionismo 'ímpuro' onde há sempre qualquer coisa reconhecível, constrói janelas de beleza. Janelas, digo eu, porque a maioria das obras está enquadrada, emoldurada, como se nos quisesse oferecer um quadro dentro do quadro - ou uma vista de janela sobre o mundo. No caso de Veneza isso é óbvio, mas não só nesse caso.
É pena mas estou a escrever só sobre fotos de revista e imagens da net. Falta quase tudo, a textura, a pincelada, os cambiantes de luz, a dimensão. Mesmo assim o estilo único de Hodkin transmite, com um uso luxuriante da cor saturada, em estruturas de equilíbrio dinâmico, aquilo que eu mais aprecio na pintura, como na música - harmonia e melodia, narrativa e surpresa, ritmo e complexidade, fantasia e colorido, beleza em suma.
In bed in Venice, 1988
Venice Evening, 1995
Venice Night, 1995
Pourville, 1996
Chez Stamos, 1998
Tears, idle tears, 2001
Home, Home on the Range - 2007
Uma das que mais gosto, dá para ficar horas a ver:
Dark Evening, 2011
Moss, 2011
Rain, 2011
Green Thoughts, 2014
Howard Hodgkin nasceu em Londres em 1932. O marco mais referido na sua carreira foi em 1995 a série de Venetian Views, a mesma vista de Veneza em horas diferentes do dia. Tem feito exposições e tem obras sobretudo na Tate, mas também na Gagosian de Paris, no MET, MoMA, Ashmolean, Kettle's Yard, Reina Sofia, Barbican, Serpentine, La Caixa... até em Kiev ! Serralves quando ?
domingo, 10 de abril de 2016
Concordia franco-italiana no Dome C
Concordia, 75°05′ S, 123°19′ E
Chama-se Concordia, bonito nome ! Localizada no Dome C, uma das colinas de gelo mais frias do planalto Antártico, foi inaugurada em 2005 como base permanentemente habitada, uma estação científica de arquitectura simpática e original: dois grande cilindros facetados, de três andares, sobre pilares móveis, com uma galeria de interligação no 1º piso; revestimento branco com molduras vermelhas que grante um isolamento térmico resistente a 100º C de diferença entre o interior e o exterior.
Os pilares que suportam os edifícios são comandados hidraulicamente para permitir regular a altura ao solo.
Um dos edifícios é dedicado a actividades "sossegadas": laboratórios, alojamento, enfermaria, sala de comunicações, estação meteorológica. A capacidade de alojamento normal é de 65 pessoas, a ocupação oscila entre umas 15 a 20 de Inverno a um excesso acima de 70 no Verão, com alojamento extra em tendas.
O outro edifício destina-se a actividades "agitadas": sala de reuniões, escritórios, biblioteca, refeitório e cozinha, ginásio, sala de vídeo, TV e convívio, apoio logístico.
Geradores eléctricos, caldeiras, tratamento das águas, etc., estão num edifício anexo, vermelho.
O transporte local é feito por reboques snowmobile.
Protótipo experimental da Lotus, este veículo individual a biofuel (BIV) para longas expedições na neve atinge 130 km/h e esteve em testes na Concordia durante o Eclipse Solar de 2014.
Essa secura e quietude faz do local um sítio excepcional para observação astronómica. Além disso, não há poluição atmosférica nem luzes a encandear - excepto a da Lua cheia e as das Auroras Austrais. A Concordia trabalha em estreita cooperação com a ESA - Agência Espacial Europeia.
Um dos instrumentos de medição da condições de observação astronómica.
O Dome C eleva-se em encosta suave, mal se nota, até 3 233 m, como se fosse uma deformação da calote de gelo Antártica. Em qualquer direcção, não há "nada" num raio de 1100 km. A essa distância chega-se ao mar, ou a outra estação - italiana, francesa ou australiana. Destas estações provém o biocombustível, peças suplentes e outros produtos indispensáveis ao funcionamento da base. O transporte faz-se num longo combóio de contentores puxados por tractores com lagartas mais conhecido como "raid". A ida e volta demora um mês.
A sensação de se estar num futuro mais adiantado, séculos à frente, de pureza e quietude.
O menos agradável é o longo isolamento de 9 meses, de Fevereiro a Novembro, sem qualquer hipótese de chegada de mantimentos. O transporte de pessoal em caso de emergência ainda pode ser feito por um pequeno Twin-Otter, mas nos cinco meses de Inverno nem isso.
A chegada do primeiro carregamento de avião em Novembro é sempre festejada: um Basler 67 canadiano, o aparelho mais sólido e eficaz para pousar e levantar do gelo e em curtas distâncias, é o portador de novos mantimentos.
Laranjas, maçãs, tomate, verduras, jornais...
O Natal calha na melhor altura - Dezembro é Verão Antártico - com o armazém bem fornecido.
O Basler 67 é uma actualização high-tech do velhinho DC3, que já data de 1942...
Depois são 270 dias sem visitas, a viver dos mantimentos armazenados num túnel escavado no gelo, um frigorífico natural.
A noite polar dura 100 dias, mais de três meses sem ver a luz do Sol.
Mas há noites mágicas !
Detalhes:
http://www.wikiwand.com/fr/Base_antarctique_Concordia
"La solitude, l’isolement sont choses tristes, au-dessus des forces humaines…"
Jules Verne - L'Île Mystérieuse (1874)
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