segunda-feira, 27 de junho de 2016
Dunas e paliçadas ao pôr do sol, com poema de Frost.
Nete início de Verão estavam limpas e bonitas as dunas - a sua cobertura vegetal e as paliçadas de protecção.
Castelos na areia...
Lembra-me um poema de Robert Frost, 'Sand Dunes'.
Sea waves are green and wet,
But up from where they die,
Rise others vaster yet,
And those are brown and dry.
They are the sea made land
To come at the fisher town,
And bury in solid sand
The men she could not drown.
She may know cove and cape,
But she does not know mankind
If by any change of shape,
She hopes to cut off mind.
Men left her a ship to sink:
They can leave her a hut as well;
And be but more free to think
For the one more cast-off shell.
Robert Frost
Tentativa de tradução (não conheço nehuma) :
As ondas do mar são verdes e molhadas
Mas acima de onde elas morrem
Outras se elevam ainda mais vastas
E essas são castanhas e secas.
São a terra que o mar constrói
Para a vila de pesca alcançar
E sepultar em sólida areia
Os homens que não pôde afogar.
Ele conhece bem baías e cabos,
Mas nada sabe dos homens
Se por alguma diferente forma,
deseja amputar-lhes o ânimo.
A ele, os homens dão o barco a afundar
Também lhe podem deixar a cabana.
Serão mais livres ainda para pensar
noutra concha mais na praia rejeitada.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
A casa de Marques da Silva, o arquitecto que moldou o Porto
Decorreu no fim de semana passado no Porto a 'Open House' 2016, em que alguns edifícios ou locais de interesse arquitectónico abrem as portas ao público. Desta vez fui visitar, na Praça do Marquês, o prédio onde viveu o arquitecto Marques da Silva. É uma construção de 1909 que por fora se integra ainda na tradição portuguesa - alpendres, telha de barro, escadas exteriores cobertas, janelas com portas de madeira, varandas com trabalho decorativo em ferro forjado, algum azulejo ou figura de pedra decorativa - mas com a inovação que Marques da Silva procurou trazer, de influência francesa, que se nota muito mais no interior.
O que mais impressiona é a distribuição da luz por espaços não muito amplos, usando sabiamente janelas, varandas e clarabóia. O efeito é conseguido também pela grande liberdade de circulação - para ir de uma divisão a outra há sempre dois ou três percursos alternativos, recorrendo a muitas portas, pequenas divisões intermédias, curtos corredores. Tanto a luz como os habitantes podem variar nos caminhos que tomam. É uma casa cheia de bifurcações, talvez J. L. Borges dela gostasse !
Casa Atelier Marques da Silva (1909)
Praça do Marquês de Pombal, Porto
O espaço mais nobre do 1º andar.
Uma bela entrada de luz pelo lado sul.
Detalhe da divisão nobre com vista para o jardim.
Porta (detalhe)
Uma das passagens possíveis entre a frente e as trazeiras.
Varanda cénica para a Praça do Marquês.
Um dos espaços de trabalho do arquitecto.
Uma das duas escadarias ondulantes que sobem ao 1º andar. Há música nesta arquitectura.
Placa de luz sob a clarabóia.
Trazeiras, a dar para o jardim.
Uma grade de varanda, de novo com ritmo musical :)
Marques da silva faleceu nesta casa em 1947. Deixou uma herança vasta na paisagem da cidade, que faria escola durante décadas, e modelou uma parte substancial da fisionomia da "baixa", reconfigurando o Porto moderno como um centro de serviços com novo aparato simbólico,
Algumas da principais obras:
- Estação de São Bento (1896-1916), na Praça de Almeida Garrett, com o famoso painel de azulejo.
- Teatro Nacional S. João (1910-1920), na Praça dom a Batalha, no Porto
- Galerias Palladium (1914-1927), esquina da Rua de Santa Catarina com Passos
Manuel, no Porto
- Edifício das Quatro Estações (1905), na Rua das Carmelitas, no Porto:
- Edifício da Companhia de Seguros "A Nacional" (1919-1924), na Avenida dos Aliados:
- Liceu Alexandre Herculano (1914-1931), na Avenida de Camilo.
- Casa e Jardins de Serralves (1925-1943), na Rua de Serralves, talvez a sua obra-prima !
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quarta-feira, 22 de junho de 2016
Mozart filho, Franz Xaver
De Mozart (Wolfgang) é mais ou menos conhecido o pai, Leopold, que compôs belas obras barrocas, serenatas e sinfonias, e algumas peças simples para guitarra. Certamente o filho beneficiou de ouvir música em casa desde criança.
Bourée, de Leopold Mozart (int. amador)
Já o filho mais novo de Mozart e Constanze, Franz Xaver Wolfgang Mozart, é menos conhecido. Herdou o nome próprio do grande amigo do casal Mozart, Süssmayr (Franz Xaver Süßmayr). Ouvi há pouco na Radio Suisse Classique o Concerto para piano e orquestra nº 2 op.25 de 1818. É uma obra virtuosística, já em pleno romantismo, com uma parte solista muito elaborada, bem disposta, mas pouco intensa, de orquestração modesta.
Franz Xaver foi compositor, pianista, director de orquestra e professor de música. Contudo, viveu sempre colado à imagem do pai Mozart, modelo que idealizou e queria imitar. Morreu só, sem família, e alguém lhe escreveu no epitáfio:
«Was würde wohl mein Vater sagen?»
War dich zu hemmen schon genug.
"Que teria dito o meu Pai?"
Bastava isso para o inibir.
O concerto para piano nº 2 vale a pena ser ouvido pela parte solística, em particular o Rondo, ou para reconhecer aqui e ali, sorrindo, a herança paterna.
Rondo: Allegreto aos 17:46, o mais mozartiano.
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