A capital das Highlands escocesas é a cidade principal na estrada circular NC500 de que tenho vindo a reportar. Não é uma cidade bela, nem sequer bonita, até ostenta alguma fealdade, ao contrário de Edimburgo, Glasgow, Aberdeen; vou tentar mostrar que, apesar de não ser um destino turistico, merece atenção, no início ou no final da Rota.
Inverness é uma cidadezita de província com 50 000 habitantes, menos que Guimarães, mas em termos logísticos governa uma ampla região: as Terras Altas da Escócia.
Está nas margens do Rio Ness, que nasce mais a sul do famoso Lago Ness e vem deitar águas no fiorde de Moray. A vista das duas margens do rio é mais interessante que as ruas interiores. A famosa ponte pedonal de Greig Street é uma ponte suspensa, construída em 188; pintada de branco cria um cenário único.
São as margens do Ness que oferevem as melhores vistas da cidade
Old High St. Stephen's é o mais antigo edifício de Inverness, data do século XVIII mas a base da torre já vem do séc. XIV, de edificação anterior, com o seu ar Românico.
Seria o 'monumento' distintivo de Inverness, mas foi desactivada, para ser recuperada pela administração local com vista a serviço cívico; infelizmente, não há verba para financiar uma obra tão cara.
A porta da frente na torre: a parte mais antiga.
Um dos vitrais victorianos de 1899.
Como seria de esperar, esta é a parte mais antiga da cidade. Pela margem do rio Ness, para Norte, Douglas Row é uma das marginais mais bonitas, com casas do séc. XVIII.
Em frente, na outra margem, Huntly Street.
Uma antiga igreja palladiana em Huntly Street, vista da outra margem: uma espécie de Veneza da Escócia ?
Mais adiante, a Igreja de Stª Maria, católica.
Na outra margem do Loch Ness há um percurso viário ao longo das águas, uma zona turística e de Hotéis - The Ness Walk.
The Ness Walk, com os torreões do Palace Hotel.
Vistas as margens, entremos na cidade; a área mais apelativa é a da escadaria Market Brae Steps.
As escadas dão para Inglis Street, avista-se Falcon Square. O melhor é cortar à esquerda para Church Street, até à igreja velha Old High; paredes meias está outro atractivo inesperado é a Leakey's Bookshop, um monumento ao livro e à leitura.
A ler !
Agora o Castelo, um símbolo bem conhecido e de real valor arquitectónico.
Teve uma longa história de assaltos , combates, sucessivas destruições; o que vemos agora é do século XIX !
Simbolicamente, é o ponto de partida e de chegada da Rota NC500.
Museu e Galeria de Inverness
Tanto quanto consegui apurar, o mais valioso será a colecção de arqueologia Picta e Viking - pedras rúnicas, cerâmica, joalharia e cutelaria.
A Eassie Stone é uma cruz de pedra Picta do século VIII, esculpida em calcário (lioz) avermelhado. O corpo da cruz está decorado com um desenho variado de nós entrelaçados.
Ardross Wolf Stone
A pedra do lobo, encontrada em Ardross, é uma gravura Picta em pedra clasificada. Datando dos séc. VI ou VII, mostra uma técnica de gravação soberba; uma linha fina bem definida com um corte firme desenha um lobo que parece querer saltar da pedra.
Cabeça de veado
Também de Ardross, é uma gravação Picta representando uma cabeça de veado vermelho, com espantosa vitalidade e naturalismo.
O que é raro e mesmo precioso nestas pedras é que são não há outros exemplares semelhantes, as pedras Pictas encontradas exibem em regra desenhos geométricos como espirais, Z-rods, etc., uma esboço de linguagem simbólica. Os Pictos eram um grupo de povos de língua celta/gaélica que viveram no norte e leste da actual Escócia, durante a tardia Idade do Ferro britânica, até ao primeiro período medieval. É um dos povos "perdidos" da Europa, sabe-se muito pouco acerca deles devido a não ter sido decifrada nenhuma inscrição com os seus símbolos pictográficos gravados em pedra.
A rota Picta na NC500 :
Além de Inverness, há núcleos de espólio Picta no Tarbat Discovery Center (Portmahomack), na Groam House de Rosemarkie, na Nigg Old Church de Tain, e mais a norte no North Coast Visitor Centre de Thurso.
Mas voltando ao Museu de Inverness:
Vaso decorado da Idade do Bronze
Vaso ou caneco da Idade de Bronze, 2300-2100 AC , encontrado em Dalmore, Easter Ross. Provavelmente de uma população da Cultura da Cerâmica Campaniforme (sino invertido) em transição, com origem nas estepes da Ásia; terá atravessado o mar desde a costa da Holanda ou Alemanha, e substituiu a população local do Neolítico.
Machado de encaixe ou soquete de há ca. 3000 anos (~ 1000 AC), finais da Idade do Bronze, Ballifeary.
A Bíblia em Gaélico
Quaichs
Quaich em madeira com embutidos de prata, ca. 1705-1720, por um ourives de Inverness
O Quaich é uma taça para beber típica da Escócia. O nome deriva do Gaélico cuach, 'chávena'. Começaram por ser em madeira, feitas à mão montando secções ou staves, atadas umas às outras com fitas de salgueiro. No século XVII os ourives da prata dedicaram-se a enriquecer este modelo com bordos, asas ou fundos em prata. Por volta de 1660 começaram a fabricá-los integralmente em prata.
Quaich em prata de Thomas Borthwick, 1750 - 1794
De Ferguson & Macbean, 1880-1906
Cafés
Costumo citar George Steiner, um dos sinais identificadores da cultura Europeia está nos cafés. Na Europa do sul é uma vulgaridade, são aos milhares e inundados de turistas. Mas nesta latitude, e daqui para Norte, são raros, e é uma festa encontrar um de acordo com os padrões - bom 'espresso', mesas cómodas, jornal disponível.
Tanto quanto procurei, há dois ou três em Inverness, pequenos e modernos, nada de histórico evidentemente.
O mais parecido com o standard europeu é o Coffee Affair
Victorian Market Arcade
Não será uma grande capital cultural, mas está bem como 'starting / arrival ' da Rota NC500.










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