quinta-feira, 12 de julho de 2018

A cada época a sua Arte, à Arte a sua liberdade.



"Der Zeit ihre Kunst, Der Kunst ihre Freiheit"


Estarei em Viena uma semanita. Bom Verão.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

O meu Festival de concertos em Julho: FIME e FIMPV


Já existem festivais de música clássica no Verão há muitas décadas, bastante antes dos NOS e Rock in Rio. Este ano alguns nossos têm uma programação acima da média, e melhor programação que a Gulbenkian ou a Casa da Música, que vão de mal a pior.

De modos que irei festejar à minha maneira. Comecei pelo FIME em Espinho:

Dia 6 - Il Pomo d'Oro (Grécia) trouxe música do séc. XVIII com Edgar Moreau no violoncelo: Platti, Hasse, Telemann, Boccherini...

Maxim Emlyanchev dirige ao cravo.

Edgar Moreau no violoncelo

Foi um concerto surpreendente, com uma orquestra barroca radical (cordas de tripa) de afinação "aproximativa" mas com um ataque de cordas esfuziante, quase louco. O concerto para violoncelo D-WD 650 de Platti e o B 479 de Boccherini foram interpretações inexcediveis. E o violoncelo solista de Edgar Moreau criou um contraste de uma doçura e precisão notáveis - aqui está um senhor para seguir om atenção. Um dos melhores concertos do ano, até pelo visível entusiasmo dos executantes.

É pena que acústica da sala seja pobre - seca e abafada. Espinho merece melhor.

A seguir, será o FIMPV da Póvoa de Varzim:
Dia 28 - na Igreja Matriz: O coro Arsys Bourgogne e a Pulcinella Orchestra (Diapason d'Or) de Vézelay, em obras de C.P.E. Bach.

Se tudo correr bem, vai ser um Julho altamente melómano, coisa rara. Claro que gostava mesmo era de ir a Glyndebourne, ou a Salzburgo. Mesmo assim, não me posso queixar, sou um sortudo.

Deixo aqui Moreau e Il Pomo d'Oro no lindíssimo andante do RV419 de Vivaldi.




terça-feira, 3 de julho de 2018

A Ilha do Tesouro existe: São Niniano (St. Ninian´s Island)


A descoberta já tem seis décadas, entra agora aqui porque eu nunca antes tive dela notícia: imagine que é estudante de arqueologia, vai participar numas escavações, e ao levantar uma pedra encontra... uma caixa de madeira - um cofre ! E lá dentro...

Entre as escocesas Ilhas Shetland há uma mui pequenita, ligada à Shetland grande por um arco de areia; não só esse arco (tômbolo é a designação própria, ayre em nórdico) é uma maravilha natural, como foi na sua encosta do lado poente, sob as ruínas de uma capela, que foi desenterrado o tesouro.

A ilhota chama-se Saint Ninian, um santo escocês muito venerado nos primeiros séculos da nossa era (séculos V a X, depois da retirada dos Romanos), e a quem os Pictos dedicaram dezenas de capelas num extenso roteiro do Norte ao Sul da Escócia.

St. Ninian é uma ilhota acessivel por um arco de areia junto à aldeia de Bigton (Shetland)

O tômbolo forma uma dupla praia de areia branca, entre duas encostas rochosas cobertas de vegetação rasteira (turfa). A marca indica o local do tesouro.

Os Pictos, tribos aparentadas aos celtas que resistiram valentemente à invasão romana mas não à cristianização, trataram de espalhar capelas e criar santos no Nordeste da Escócia. Mas pelo sim pelo não, não fosse o deus cristão deixá-los mal, continuaram a enterrar os seus mais preciosos haveres, hábito que tinham em comum  com os Vikings de além-mar (Noruega e Islândia), justamente os seus mais perigosos inimigos.

Em 1958, durante uma jornada de arqueologia da Universidade de Aberdeen, o jovem estudante Douglas Coutts encontrou sob uma laje marcada com uma cruz, que teria pertencido a uma capela celta agora em ruínas, restos de um cofre de madeira contendo 28 peças em prata. Joalharia Picta - broches, taças, dedais, várias decorações preciosas de espadas e baínhas - talvez enterradas para escapar às frequentes incursões dos temíveis Nórdicos pelo final do séc VIII.

A escavação decorreu sob uma laje neste sitio de uma capela celta do séc. XII, frente à baía de St. Ninian. A capela está protegida por uma cerca, com painel interpretativo.

Mapa do tesouro: a igreja (restos) e Bigton, ligados pelo tômbolo.

O tesouro Picta de St. Ninian

As peças foram datadas de cerca de 750-825 A.D..

As peças de prata e prata dourada encontram-se mo Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo; mas existem réplicas de alta qualidade expostas localmente no bonito museu de Lerwick.

Uma bela colecção de pequenos broches (6-7 cm) penanulares, com alfinete, alguns ainda com conta de vidro encastrada.

As imagens seguintes estão muito ampliadas.


Nos broches mais bem trabalhados, vêem-se decorações geométricas e cabeças de animais estilizadas.

Decoração de baínha de espada.

Belíssimo trabalho de joalharia.

Decoração de baínha de espada.

Uma das cabeças mais famosas de tesouro, ainda com a conta de vidro.

Dedais.
Desenhos em espiral tripla, talvez de origem anglo-saxónica.

Pomo de espada.

A requintada taça - para banquetes ou ritos ?

Cerca de 14 cm de diâmetro.



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O tômbolo de St. Ninian oferece duas praias surpreendentemente diversas devido às correntes e aos ventos.





Como ilha do tesouro, não está nada mal. Mas eu ia para lá a correr mesmo sem tesouro.

Vídeo aqui.