Em 2026 ouvi menos música, mas continuam a aparecer muito boas gravações, algumas de anos anteriores mas que só agora conheci. Aqui estão as que mais me entusiasmaram este ano.
Hourglass, Simone Dinnerstein e o agrupamento Baroklyn
Para mim, é o disco do ano. Genial.
Night, de Ola Gjeilo
É polémico de deveria figurar aqui, como música clássica. Há quem fale de 'nova' música clássica, mas é um disparate. Há música, há beleza sonora, um pouco de Phillip Glass, um pouco do fraquinho Einaudi e do mediano Wim Mertens.
Night é uma colecção de temas simples, fáceis, nocturnos. Musiquinha de embalar. Mas reconheço que Ola Gjeilo faz umas habilidades bem feitas, umas variações no final, que enriquecem bastante os 3 a 4 minutos de cada 'noite'.
Before Dawn
Gjeilo naceu na Noruega, estudou música na prestigiada Juliliard School de Nova Iorque e no Royal College of Music de Londres - lá pergaminhos, tem. Compõe sobretudo obras corais, que têm sido premiadas. Deixo 'Dreamweaver" ao vivo pelo coro de Vilnius:
Uma bela obra do século XXI (2023)
Bruckner, Sinfonia nº 7
Simon Rattle com a London Symphony Orchestra (2023)
Eu nunca fui muito de Bruckner. Há um culto aficionado, sobretudo às interpretações de Celibidache e Furtwängler, diz-se que uma sinfonia de Bruckner é como escalar uma montanha, devagar. com muita pedra e tojo pelo caminho, sempre a sofrer até chegar lá acima - mas quando se chega é um êxtase. Tudo isto me parece uma treta de pedantes, que se aproveitam da impopularidade de Bruckner e se extasiam com as múltiplas versões, cada sinfonia foi alvo de mais que uma edição ! Comparar as edições Haas e Novak é um regalo para brucknerianos.
A audição é difícil, requer total dedicação (não serve de música de fundo), repete trinta vezes a mesma coisa, não há nada que se pareça com contraponto; apenas a massa orquestral com interminável 'legato' e a massa descomedida dos metais, trompas, trompetes, trombones e tubas - as reclamadas "catedrais de som". Até hoje, Gunter Wand parecia-me ter conseguido as interpretações mais focadas.
Mas enfim, a 7ª é das que têm mais novidade e tensão dramática, e Rattle é especialista. Usou uma edição ainda inédita em disco, e parece-me boa escolha. Não é Mahler nem Brahms, mas há nesta 7ª uma narração sinfónica criativa, rica de temas e variações, rica de contrastes, com momentos de dissonância mas também de bela suavidade, e até ums raríssimos diálogos contrapuntísticos.
O ponto forte é o Adagio. Bruckner conseguiu uma melodia notável, que desenvolve à maneira de Mahler, muitas vezes parece ter-se nele inspirado; mas compôs de facto à sua maneira uma bela peça de música, 21 minutos de Sehr feierlich und Langsam - muito solene e muito lento. O clássico Karajan demorava 23, Jochum 25... felizmente, Rattle soube encontrar o equilíbrio. Obra prima de Bruckner, que vai construindo sabiamente um crescendo e o faz explodir num clímax tremendo.
[N.B. Adagio aos 20:09]Gosto menos dos dois últimos andamentos, espalhafato orquestral de energia descontrolada, volume excessivo nos metais; mas sou eu, não-bruckneriano.
Qualidade sonora quase impecável (a acústica da sala não é das melhores).Aaron Copland, Sinfonia nº 3
LSO, dir. Antonio Pappano
Uma espantosa gravação da Sinfonia nº 3, onde Copland utiliza a sua famosíssima Fanfarra para o Homem Comum. Não há delicadeza nem introspecção aqui - é mesmo grandioso e épico, the american way. E a London Symphony Orchestra mais uma vez, tem estado em grande.
Deixo o 4º andamento, Molto deliberato
-----------------------------------------------------------------------------
Ah, também acabou de ser posto à venda o volume 20 de Haydn 2032, a colecção de sinfonias com a Orquestra de Basel dirigida por Giovanni Antonini. Normalmente dou aqui notícia com algum extracto, mas este volume tem três das mais fracas sinfonias Haydn, as nº 76, 77 e 78. Não recomendo.




































.webp)





