domingo, 2 de agosto de 2026

Aurélia de Souza, revisão de uma talentosa pintora em nova edição (as minhas escolhas)


Aurélia de Souza, Rapariga com flores vermelhas

A publicação de um catálogo raisonné de Aurélia de Souza é o evento cultural da década neste medíocre país. Qual outro se pode invocar? Aquela coisa melosa e vulgar que ganhou a Eurovisão? Os 500 anos de Camões, uma vergonha indescritível ? Nem sequer uma Capital da Cultura decente, que me lembre. Cinema? Ah ah.  Continuamos agarrados aos 3 Fs salazaristas, alargando o Fado à cançoneta reles e baladas melosas em Sol e Dó ou então importamos techno, house, hip hop. 

Este Catálogo (*) é um acontecimento desde logo pela revelação de obras que não conhecia, depois pela qualidade da edição. Uma apresentação primorosa, que mesmo na versão online dá gosto folhear (a partir da página 28 !). Os textos que acompanham as imagens justificam o 'raisonné '. Não vou aqui citar longos extractos, seria um abuso, mas vou mostrar as obras de Aurélia que me impressionam, onde o talento para a côr e a luz mais ressaltam.

Vermelhos sobretudo, e brancos ! São luxuriantes. 'A rapariga com flores vermelhas' que abre este post é um dos quadros que figuram no catálogo que mais me fascinam. Nem sempre temos olhos abertos com Aurélia, estes estão, e avivados com os fantásticos cravos vermelhos.

Mas os azuis, também !

Estela de Souza, irmã mais nova da artista.

Este pequeno retrato de Estela é genial de expressão, de realismo, mostra um rosto belíssimo - e uma camisa azul clara de pureza e brilho como o céu primaveril. A luz que incide no rosto e no fundo só pode ser de um sol matinal. Aurélia certamente adorava esta irmã.

A pintora é quase sempre mais difusa, imprecisa, e prefere olhos semicerrados, como este

Estudo - menina a ler

Mulher a bordar

É outro dos meus favoritos, quase abstracto na prevalência das formas e manchas de azul da saia e de branco no avental, complementado pelo laço no cabelo.

E o genial branco puro, de costas, em camisa:

Rapariga de camisa branca, 1910

Àcerca desta 'pequena' obra prima escreveu a blogger do Silvertree Café, onde soube do Catálogo:

Na curva descaída dos ombros não repousa apenas o sossego educado e levemente aborrecido dos retratados. Nas pregas da camisa Aurélia depositou todo o silêncio habitado da pintura.

Porque gostava Aurélia de representar tantas vezes mulheres de costas ? Para valorizar a cor das roupagens? Esta, há pouco adquirida pelo Museu Nacional Soares dos Reis, é de verde:

'O vestido verde'.

'Lendo', ca. 1916, uma das últimas obras; a pintora está doente, em clausura, mas no máximo da sua mestria.

Nitidamente há dois quadros nesta pintura: um retrato, a metade esquerda, e um interior com natureza morta, a metade direita. O jogo de luz é genial, desde o reflexo na jarra ao branco do punho da manga; mais surpreendente é o lenço ou xaile vermelho que estabelece ligação entre as duas partes, um 'truque' bem imaginado.

O que se segue não é um retrato, é uma cena exterior; também é quase não-figurativa, apenas um pretexto para uma sombrinha vermelha e outra brincadeira com a luz:


Naturezas mortas: vejam este inacreditável chapéu de frutas!

O chapéu antigo

'As romãs', Museu M. de Coimbra

Sem título ['serviço de chá']

'Camélias vermelhas numa jarra de cristal', provavelmente dos últimos anos de Aurélia na Quinta da China. 

A Quinta da China


Paisagens. A mais famosa, uma balaustrada em diagonal marcando a fronteira do perto e do longe; a prática intensa de fotografia também ajuda Aurélia nestes enquadramentos:

Balaustrada da Quinta da China, onde Aurélia passou a juventude (ca. 1899).

'Trecho de um lago '– Quinta da China

Qualquer coisa de Monet respira por aqui... há todos os verdes, todos os brancos, e os reflexos a jogar com eles.

'Outono', 1905


Manhã de nevoeiro, 1905

O protagonismo dos barcos na luz esfarripada pelas névoas, um quadro impressionista! Turner? 

Em viagem:

'Veneza', 1905

'Barcos de pesca', lembram os de Van Gogh, de 1888.

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Aurélia de Souza era chilena de nascimento (Valparaíso, 1866), de uma família imigrante ibérica - pai português, mãe espanhola. Os primeiros anos foram vividos sob ameaça de guerra, com os  espanhóis a bombardear a cidade. O pai conseguiu fazer fortuna no Chile, e comprou a Quinta da China em Campanhã (Porto) junto ao Douro. 

Regressaram quando Aurélia tinha 3 anos; veio acompanhada de cinco irmãos, e a família instalou-se na Quinta. Embora tenha dado mostras do seu talento, só aos 27 anos iniciou estudos na Academia de Belas Artes do Porto. Mas aos 33 anos optou por Paris para acabar os estudos e contactar com o meio artístico. Depois, viajou pela Europa - Países Baixos, Alemanha, Espanha; e após um breve regresso, fez a sua grande viagem em 1905, a Capri, Veneza e à Suíça, também para tratamento. Foi um ano de grande produção artística, mas Aurélia sofria já do mal que lhe encurtou a vida. Nos últimos anos retirou-se no atelier na Quinta da China, refugiada no silêncio, solidão e memória, como os seus quadros reflectem.

Entre nós, a sua obra mais conhecida e popular é um auto-retrato com um casaco vermelho, dito 'obra-prima'. Gosto pouco. É inexpressivo, quase naif, seco e geométrico, de uma simetria mórbida. O seu melhor auto-retrato é este, com cerca de 30 anos (ca. 1895), quando frequentava ainda a Academia de Artes do Porto:


Ou então este, do alfinete de âmbar, muito mais tardio mas não datado:


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(*) Sem querer tirar mérito aos autores, na verdade o catálogo só começa na página 28. E a mesma coisa no final: a mostra das obras de Aurélia ocupa desde a página 28 à 396, num total de 541. Temos cerca de 160 páginas informativas e/ou históricas.

domingo, 26 de julho de 2026

Stromness, que foi capital das Orkney - cidade nórdica, marítima, aventureira, artística, magnífica


Stromness, o porto e a frente urbana

Pytheas de Massilia, o grande navegador e explorador grego, visitou as ilhas Britânicas entre 322 e 285 AC; refere-se no seu relato a uma costa no extremo Norte a que chamou Orcas; depois, ainda mais para Norte, encontrou a paradisíaca 'Thule'. Não sabemos até onde ele chegou, mas as Orkney foram certamente porto de escala na sua aventura sub-ártica.


Três séculos mais tarde, no séc. I, o geógrafo Romano Pomponius Mela identificou e descreveu correctamente nas Orcades no seu De Situ Orbes


Estes arquipélagos a Norte da Grã-Bretanha são algo de mítico, uma fantasia romântica de viagem extrema que sempre sonhei e nunca consegui. Envoltos em lendas e nevoeiros, semeados de pedras Pictas e megalitos Vikings, longínquos postos a Norte da Liga Hanseática; povoados de portos de onde partiram grandes viagens transatlânticas de exploração e de negócios no século XIX-XX,  são pequenas faixas de terra com mar e mar e mar, Atlântico, Mar do Norte, Mar da Noruega ... na verdade, a plena civilização, a Europa, só lá chegaram pelos finais do século XX. 

Stromness é ainda uma modesta vila portuária de ruas estreitas, pedonais, casas históricas e alguma boa arquitectura. Vida tranquila e ambiente saudável, e nem falta arte e cultura.

Coordenadas:  58.9° N, 2.9° W
População:  ~ 2 200

A melhor panorâmica vê-se ao chegar a bordo do ferry, à medida que se aproxima do porto.


A frente marítima é uma sequência de pequenos cais, e casario em camadas paralelas à costa encimado por uma floresta de chaminés no topo das empenas; uma rua abrigada do vento serpenteia em curvas sucessivas, dois edifícios feios  sobressaem: a Câmara (Town Hall) com a sua torre, e a igreja paroquial.

O que parece uma igreja é de facto a  Câmara. O edifício é do século XIX.

Pátios pitorescos, vielas e becos, emparedados entre as casas de pedra de um ou dois andares; tudo em torno de uma rua principal, zigzagueando por trás da primeira linha de casas, e que muda de nome a cada curva: Alfred Street , Dundas Street , Graham Place , Victoria Street , John Street 


O casario marginal oferece as empenas ao mar, de onde sopram os ventos, de leste. As casas são de lajes de arenito local, uma argila arenosa compacta e escura. Muitas dispõem de um molhe privado, o 'noust ', um abrigo para barcos tradicional nestas ilhas. Ao longo do porto, esses molhes em pedra alinham-se numa vista que se tornou um postal turístico.

Casa com ' noust'

Frente de casas com noust e rampa de acesso.

Noust é uma palavra de origem no nórdico antigo 'naust', abrigo para barcos.

A traço escuro, o percurso pelas ruas de património histórico.

De Norte para Sul, começando do centro da vila:

Victoria Street

Victoria Street, com a Torre da Câmara ao fundo; a rua começa com uma loja de florista.

A segunda casa à esquerda, branca, é a entrada do Piers Art Centre.


Argo's, padaria desde 1940

O prédio da Quernstone Knitwear shop, nº 41.


Uma das casas classificadas e renovadas em Victoria Street, nº 112


As casas mais fotografadas, 116 a 118 Victoria Street, do início do séc. XIX. Dão para o mar, uma delas tem um abrigo de carroça além do noust.

Empenas fotogénicas.

Graham Place


É um pequeno largo, uma espécie de segundo centro da cidade. Tem a mais famosa livraria da terra, uma galeria de arte e o café Flori ao lado da livraria. São casas do século XIX.


Graham Place e a entrada para Dundas Street. Na esquina fica a Northlight Gallery.



Entrando em Dundas Street, logo na primeira viela è esquerda há esta passagem estreita entre duas casas com o mar ao fundo, muito celebrada.


E esta é a parte mais autêntica e pitoresca de Stromness, desde Dundas Street até Albert Street, onde se concentram as casa do séc. XVIII-XIX.

Três empenas voltadas para o mar.

Na próxima esquina encontra-se

Melvin Place

A meio da rua, é uma pracita formada pela esquina com Holihole Road, que desce a colina.


Albert Street


A rua principal em continuidade é Albert Sreet. Mesmo no início, no nº 2, encontra-se The Haven, a primeira agência da Hudson's Bay Company, que abriu em 1791.

Foi nesta casa que se processou o recrutamento de pessoal para a HBC.

Também Lady Franklin viveu nesta casa em 1851, durante a demanda de John Rae no Ártico do Canadá à procura da expedição de John Franklin.


Um pequeno largo se segue, é o Rae's Close.

8 Alfred Street, Rae's Close - séc XIX, empena em degraus.


E aqui chegamos ao Museu:

Museu de Stromness 



Fica no início de Albert Street, perto da entrada Sul de Stromness. É um museu pequeno e modesto, que mostra sobretudo documentos e objectos relacionados com expedições marítimas; ajuda a ter uma ideia de como esta ilha nórdica esteve, durante um período histórico, intensamente animada de marinheiros e aventureiros que partiam ou regressavam de viagem ao Ártico - John Rae, Franklin, James Cook e as tripulações da frota da HBC.

Navios em Stromness, 1821.

James Cook doou o serviço de chá como pagamento pelo abastecimento dos seus navios.

Mapa das caminhadas árticas de John Rae


John Rae esteve desde 1819 ao serviço da Hudson Bay Co. como médico, mas foi sobretudo um explorador que percorreu a pé mais de 20 000 km, entre 1846 e 1854, contactando com a população nativa, recolhendo informação, mapeando a costa. Foi inclusive ele quem descobriu o paradeiro da malograda expedição de John Franklin. 

Raquetes de neve de John Rae.

Trabalhos com contas (berlindes) dos nativos.

Mocassins, bolsas de pente, facas e utensílios da população nativa trazidos por Rae.

Bolsa de tabaco, isqueiro e apito de cães de James W. Sinclair, da Hudson Bay Company em Fort York.

Arpões e espólio variado dos baleeiros.

A colecção do museu também foi enriquecida com os achados arqueológicos em Skara Brae, a famosa aldeia neolítica vizinha:

O/A ' Buddo' de Skara Brae, circa 2900 – 2400 AC


Buddo é um termo Orcadiano carinhoso, sem género, como ´pal´em inglês ou "compincha" em português...

Colares e pulseiras do neolítico , em osso e dentes, de Skara Brae

O Museu tem ainda o seu próprio 'noust ' de acesso ao mar.


Um pouca adiante, já no extremo sul da Alfred Street, encontra-se um lugar histórico: Login's Well, um poço de água potável onde se abasteciam os navios até 1931, quando foi fechado. 


"Captain Cook’s Vessels Resolution and Discovery in 1780 and Sir John Franklin’s ships Erebus and Terror on Arctic Exploration in 1845".

Aqui vinham abastecer-se de água os navios da HBC, tal como as expedições de Cook e Franklin.

Terminado percurso para Sul, voltamos ao outro extremo de Victoria Road, a Norte, junto à marina e aos cais do porto.

Pierhead

Esta sim, faz figura de Praça central, frente ao vetusto Hotel, dando para o cais , enquadrada pelo quiosque do Ferry e pela Estação Marítima RNLI (Royal National Lifeboat Institution).

Hotel Stromness, na ponta do cais (Pierhead) , e o quiosque do ferry.


Estação de Salvamento Marítimo RNLI, instituição muito acarinhada e protegida.

Hamnavoe, o porto seguro 

Hamnavoe era um abrigo de barcos no tempo dos Vikings.

Em 1590, Stromness estava bem estabelecido como porto de pesca no extremo Norte da Europa. A história da cidade sempre foi de intimidade com o mar e os navios, mas o que lhe trouxe maior prestígio foi o negócio em peles de raposa e castor do Canadá; foi até o maior porto estratégico da Hudsons's Bay Company para recrutamento de marinheiros e caçadores.


A casa branca no porto era o maior armazém da época do comércio com as Américas; data de 1765, e a sua dimensão deve-se à importância crescente da importação de arroz, o "carolino" da Carolina do Sul americana. Foi convertido em edifício do Turismo e espaço de exposições, nº 8 de Victoria Street. 

O armazém de arroz, que era importado da Carolina do Sul. 

O ferry 'Hamnavoe' chegando a Stromness.



O Centro de Artes Pier

Fica mesmo à entrada de Victoria Street, do lado nascente (a dar para o mar).

Era o antigo entreposto da Hudson's Bay Co., um conjunto de duas casas com noust

Foi o mais importante projecto de arquitectura na frente marítima de Stromness nos últimos anos. Foi o entreposto da Companhia Hudson's Bay, renovado em conjunto com outra casa de empena antiga. Nasceu assim o Pier Arts Centre  que mudou a vida cultural de Stromness.


As duas casas do século XVIII estão unidas por uma edificação moderna em harmonia com as empenas de pedra. Assim a cidade ganhou uma Galeria de Arte marcante no arquipélago.

Pier Arts Centre oferece a artistas locais ou residentes um espaço de trabalho e de exposição. Tem uma colecção permanente e exposições temporárias.


'Curved form (Trevalgan)' de Barbara Hepworth situada no pátio exterior, o antigo noust.

Barbara Hepworth e Ben Nicholson, dois dos principais artistas da colecção.

Painted relief, Ben Nicholson, 1939

Three Circles, de Ben Nicholson, 1947

Analema, de David Ward, 2015

Group III (evocation) de Barbara Hepworth, 1953

Vamos às compras

Stromness Books & Prints, 1 Graham Place - a indispensável livraria.



O herói local, evidentemente.

Em Victoria Street, perto da Graham Place, fica esta outra galeria:

Waterfront Gallery, 128 Victoria street

Janela da Waterfront Gallery; à esquerda um trabalho em vidro que retrata a rua principal de Stromness.

Pierhead é também zona de uma ou duas esplanadas.

Julia's Café / bistro


A luz e o crepúsculo destas latitudes oferecem a cada passo um regalo para a vista:

À luz quente da manhã.

Um pouco de História

Foram os Vikings que deram à baía o nome 'Hamnavoe ' (hamna significa ilha; voe significa baía). Desde o século XVII que o porto abrigado se tornou uma base de pescarias. Foi crescendo, e no século XVIII já era um centro de negócio intenso com o Novo Mundo. Em 1702 a Companhia Hudson's Bay, dona do negócio de peles de raposa e de castor no Canadá, em Rupert's Land, começou a recrutar marinheiros na cidade, e nomeou um mercador de Stromness como seu agente nas Ilhas. No Verão, o porto de Stromness fervilhava com navios da HBC ancorados a carregar mantimentos; entre 1700 e finais do séculp XIX, cerca de 4000 Orcadianos embarcaram para poente, e três quartos do pessoal da Companhia no Canadá eram das Orkney !


A chegada de um navio de regresso do Canadá com tripulação local era saudada em terra por tiros de canhão; no convés do navio, sob um toldo que protegia da chuva, um festim com música e danças celebrava o sucesso e o reencontro. E havia listas de compras que os marinheiros traziam, pedidas pelos que ficaram nos entrepostos de Rupert's Land - livros, roupas, instrumentos musicais, óculos, doçaria - que faziam prosperar as lojas em Stromness.  

Navios na baía de Stromness no séc. XIX.

Em 1780, os navios Resolution e Discovery capitaneados por James Cook fizeram escala em Stromness no regresso da sua terceira viagem, que tentou abrir caminho marítimo para o Pacífico pela Passagem do Noroeste..

Em 1845, os navios Erebus e Terror da expedição de Sir John Franklin, que acabou no mais trágico desastre marítimo do século, parou em Stromness a caminho da Gronelândia para fazer o pleno de provisões e de água fresca no Login's Well.

Um dos recrutados pela HBC, que já mencionei, foi o médico John Rae, explorador andarilho que calcorreou e mapeou um largo território em torno da Baía de Hudson e fez contactos amigáveis com os nativos índios e esquimós. É o herói local, e foi ele quem encontrou o que restava da expedição de Franklin.


No século XIX a posição de Stromness como porto de negócio e serviços com as Américas e a Europa central foi reforçada; destilarias e tabernas prosperaram, e o comércio estabeleceu-se ao longo da rua principal. Os navios HBC continuaram a ancorar, abastecer-se e fornecer as lojas até finais do século XIX.

Por esta altura já os comerciantes mais ricos e oficiais da marinha construíam casas mais altas e espaçosas. Foi-se instalando assim uma classe urbana burguesa, culta e exigente, que favoreceu o aprecimento de artes e lazeres.




Tão cercada de mar e voltada para as Américas, tão longe da Europa culta e rica, Stromness e todas as Orkney têm de ter forçosamente uma personalidade própria muito vincada de auto-suficiência, independência e solitário orgulho.