Os meus planos eram outros - ir de combóio à Corunha, na faixa dos 100% de ocultação do Sol, rever o que é a 'noite súbita', o apagão, o reacendimento sem ser ao sol nascente - o que já tínhamos observado em Chester, em 1999.
Mas a via férrea está em obras. Não há ligação directa à Corunha, tinha que andar de trasbordo em trasbordo, uma seca. Montesinho estava fora de questão por causa dos 40º C, e acabei por optar por apenas 99.2% em Valença, com viagem directa de combóio. A fortaleza está muito bem situada, numa alto sobre o rio Minho, e pareceu-me o melhor compromisso. Reservei na Pousada.
À chegada vi logo que tínhamos feito boa escolha: às 19.30 a nossa varanda panorâmica, de vasto horizonte, apontava perfeitamente para o Sol. Ia ser o eclipse mais cómodo que se possa imaginar. Para poente, esta seria a vista para o eclipse:
Ainda saímos essa noite, as ruas da cidadela até são vias pedonais agradáveis com o comércio fechado. Varandas de ferro, azulejos, e as fotogénicas guaritas nos baluartes da muralha.
Quem é ? Moisés e a serpente enrolada ('Nehushtan')? S. João Baptista, conforme descrição local? St.º António ? A casa e a imagem são do século XVIII.
O dia seguinte foi passado a evitar o sol (perto dos 35º). Como as ruas da cidadela são estreitas, há sempre sombra de um lado ou em toda a rua. Esperava-nos a multidão habitual, multilingue com predominância galega; ocupava todo o espaço pedonal e parava em todas as lojas de atoalhados, que são centenas e têm estendal de têxteis no passeio, de modo o que só resta uma estreita faixa para caminhar. Lá chegamos ao centro para o primeiro café.
Fica sempre a dúvida se Valença intra-muros não seria bem mais simpática e valiosa se conseguisse emergir dos atoalhados.
Brasão e relógio dos Paços do Concelho
A casa mais vistosa:
A 'Casa Azul' é do século XIX, toda revestida a azulejo.
Gosto em particular da galeria vidrada "neo-gótica" no ático.
O largo ajardinado agradável, em frente à Câmara.
Chegada a hora, fomos para a nossa varanda; e lá começou.
Valença, 12 /8/2026, Lumix SZ10
Das fotos do eclipse, uma das melhores foi esta, com o filtro dos óculos solares em frente da lente (o filtro alaranjava um pouco), na Sony Cyber-shot G.
Para mais segurança, levei uma Lumix SZ10 (Leica) que tem um particularidade: o écran traseiro é orientável, por isso eu podia à vontade apontar a lente para o sol mas olhando eu de cima para baixo no écran.
Com a Lumix SZ10, uma lente mais luminosa, a parte final do eclipse.
Felizmente, a excelente óptica da Leica deu-me uma foto fantástica que adoro: a obscuridade aos 92% do eclipse.
Luz e cores estranhas, não é um entardecer normal.
Devo ter sido o único a fotografar um combóio de carga a passar na ponte de Tui-Valença à luz do eclipse.
Havia mais gente a ver, lá 'em baixo', dos baluartes :
A fotógrafa ao meu lado na varanda 😉 fez uma foto no TM. Tal como a nossa vista desarmada, o sol ofusca e não se vê a fatia obscura à esquerda em cima, com o eclipse a terminar. Mas um reflexo projectado acima do rio mostra como a Lua punha o Sol está em 'quarto crescente'.
Vou aproveitar ainda para mostrar um recanto pouco conhecido, muito sossegado e livre de turismo consumista: a Calçada da Gaviarra , com a Casa do Poço e o Palacete da Gaviarra.
A Casa do Poço é uma casa senhorial do séc. XIX convertida em alojamento turístico.
Varandas e galerias 'cristaleras' à maneira galega.
No topo, esta galeria envidraçada tem a mesma vista sobre o rio e Tui.
Pertence à Misericórdia de Valença. Descendo, chegamos à Porta:
Porta da Gaviarra, ao fundo da calçada.
Uma perspectiva bonita das duas torres de igreja, entre o barroco e o neo-clássico, ao fundo da praça forte:
Que pena não termos cobertura ferroviária de jeito, como a Suíça ou a Áustria. Há tão pouco a descobrir neste país viajando de combóio...





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