Mostrar mensagens com a etiqueta inverno. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta inverno. Mostrar todas as mensagens

domingo, 29 de janeiro de 2023

Neve: as 'pallozas' de O Cebreiro, uma aldeia nos Ancares galegos.



Ver a neve neste Inverno evitando as ciladas turísticas ? O Cebreiro, pequeno povoado de casebres em pedra, lugar mítico no Caminho francês de Santiago à entrada da Galiza, oferece o máximo que se pode pedir desde que se dispensem hotéis, pistas, teleféricos. Brrrr.

O Cebreiro fica a 1293 metros de altitude, no concelho de Lugo.

Desde pelo menos o século XI , O Cebreiro é um ponto de abrigo e repouso no caminho francês para Santiago: foi lugar de monjes Beneditinos e Franciscanos, no alto da serra dos Ancares. O ponto alto da sua história foi o Hospital de Peregrinos que ali funcionou no século XII.


A aldeia, com cerca de 30 habitantes, é de origem pré-romana, talvez céltica; distingue-se pelas pallozas, palhoças redondas com cobertura cónica de palha adequada a suportar a neve. 

São visitáveis 4 pallozas pré-romanas : Xan López (palloza-museo), Campelo, Quico e Galán, a mais chamativa.

O Galán, por vezes vítima de abusos turísticos na rampa nevada.


É um dos exemplos mais antigos de arquitectura na Península Ibérica, iniciado na época da cultura celta e castreja, desde as Idades do Bronze e do Ferro. Debaixo do mesmo tecto viviam pessoas e animais, enquanto outros edifícios se destinavam ao armazenamento.

Campelo

Xan-López (museu)

´

Igreja de Santa Maria de O Cebreiro, séc. IX.



É uma igreja de estilo pre-românico, provavelmente fundada por monjes beneditinos no século IX.


Uma bonita imagem em talha de madeira, do século XII


Ler mais:
Cebreiro, O - Xacopedia
Pallozas de O Cebreiro (Lugo) - El turista tranquilo

-------------------------------------------------------------------

Para alojamento há pelo menos duas casas tipo albergue de montanha com algum conforto.

Hospedaria de Peregrinos


Casa Antón

Venta Celta


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Jäätee, a estrada de gelo para Hiiumaa + texto de Nancy Campbell


Já aqui referi o livro Fifty Words for Snow de Nancy Campbell. É dele que agora publico um dos textos, que traduzi, sob o título Jäätee, que significa 'estrada de gelo' em estoniano. Será este o meu post de Natal.


Historicamente a Estónia, depois da era Viking,  e desde o início da Liga Hanseática, esteve ocupada pela Dinamarca, Suécia, Polónia, Alemanha e finalmente Rússia; todo este tempo ameaçada, dividida, combatendo sempre pela independência, que só teve no intervalo entre 1918 e 1940 e agora desde 1988, até custa a acreditar que tenha conseguido manter a sua própria língua e identidade nacional. E um elevado nível de cultura musical !

A Estónia é agora um dos pequenos países da União Europeia, com uma forte identidade Báltica; é prejudicada pela geografia do seu parco terrritório, em parte constituído por ilhas - mais de 800. Se juntarmos 1500 lagos, que terra firme sobra? Por outro lado, são ilhas e lagos, com as florestas que os rodeiam, que constituem a natureza mais preciosa do país. Hiiumaa e Saaremaa (desta já aqui falei) são as duas maiores ilhas, e é indispensável que estejam interligadas entre si e com o continente. No Inverno, esta zona do Báltico congela numa larga placa, cuja espessura costuma permitir o trânsito de veículos; é este percurso sobre o gelo que recebeu o nome de Jäätee - a língua estoniana é parente próximo do finlandês.




Traduzo então Nancy Campbell:

"No Inverno, surgem estradas sobre a superfície gelada dos mares, lagos e rios da Estónia. Nestas rodovias, não há nada senão brancura até ao longínquo horizonte, talvez uma faixa escura de coníferas no espelho retrovisor, e um silêncio absoluto. Isto contribui para uma bizarra experiência de condução na estrada que se prolonga por 26 km desde o porto de Rohukula no continente através do Mar Báltico até à ilha de Hiiumaa. 



Nesta que é a mais longa Jäätee da Europa há algumas marcações para cumprir. Um carro tem de seguir a faixa de gelo marcada por veículos anteriores, passando um eventual sinal de trânsito, ou guiar-se por grandes ramos de zimbro, 'plantados' de pé como se fossem árvores a crescer da neve por magia, que indicam os limites seguros da estrada. 



Durante a viagem, que pode levar pelo menos uma hora, os viajantes disfrutam uma visão cinemática a desenrolar-se no pára-brisas, e podem ter a sensação que estão a atravessar a fronteira do mundo.  Recomenda-se uma boa banda sonora.


É tanto um alívio como uma contrariedade que a linha de costa de Hiiumaa apareça, uma ténue sombra ao longe. O contemplativo céu e a prateada finura da Jäätee são em breve substituídos por asfalto coberto de sal e rotundas sob geada granulada, e toda a infraestrutura atrapalhada de portagens, barracões, lampiões e postes telegráficos.



As estradas de gelo só abrem durante as horas de luz do dia, e mesmo então os flocos de neve podem prejudicar a visibilidade. Esta estrada é um atalho, em linha recta, mas nunca deve ser percorrida à pressa nem a vaguear em sonho. As velocidades devem manter-se entre 25 e 40 km/h - o limite inferior é importante. Não é permitido parar. É uma precaução contra variações súbitas no ritmo de andamento, que podem originar uma onda sobre o gelo; se essa onda se for acumulando, pode ter força para quebrar a placa. ( ...)"

                                                          Nancy Campbell, Fifty Words for Snow
                                                          [tradução minha]



--------------------------------------------
Ilha plana, Hiiumaa nada tem de notável a não ser talvez um conjunto de antigos moínhos de vento como já não se vêem noutras paragens.




Na principal povoação Kärdla há um museu !

À entrada, o antigo posto dos bombeiros, agora Turismo.

Rua no Inverno

Pikk Maja, a Casa Longa, um museu dedicado à ilha.

E finalmente um sítio quentinho! A cafetaria do museu. Sem máscara, bons tempos, ainda nos vamos esquecer.


Que longo Inverno este. Que estejamos vacinados na Primavera, é o meu desejo para 2021.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Feira de Natal em Belgravia - typical posh


Por esta altura não há cidade do centro da Europa que não tenha o seu mercado de Natal, com barraquinhas decoradas de fios de luz a animar a noite, que cai muito cedo. Este ano fui sortudo por ficar alojado em Belgravia, junto à bonita esquina de Ebury e Elizabeth Street, onde abriu um mercadinho de Natal ao longo de alguns 50 metros, se tanto. O mercado de Natal de Belgravia já é uma tradição de muitos anos.

Ebury Street, parece uma aldeia dentro de Londres.

Na esquina, um café (!) - o TomTom. E com esplanada em Dezembro. Havia outro mais adiante, para... fumadores.



Na outra esquina. uma confeitaria "criativa" e "gourmet" - o melhor bolo de laranja do mundo !


E também com esplanada. No dia do mercado não havia mesa livre.


Uma das lojas - um bairro sossegado, elegante e caríssimo.

O bairro de Belgravia só em 1824 começou a ser urbanizado: antes era uma zona rural pantanosa e mal frequentada, Five Fields, nas margens do Tamisa. Construído de forma planificada em estilo Georgiano tardio, é completamente plano e de planta quase quadriculada - um paraíso para peões e ciclistas, tanto mais que o pouco trânsito flui com a maior tranquilidade.

O mercado abriu ao meio dia, mas foi pelas 15 que esteve mais animado.



A tendinha do TomTom.

Vinhos e castanha assada. "Mulled wine" é vinho aquecido... (dispenso).

Um castiço de tweed. Cachemiras e peles a preço upa upa.


Não faltou um palco com Carols de Natal, ora cantados ora tocados por uma banda de metais.

A fantasia da quadra: caudas postiças, suponho que seja novidade 'made in China'.

Com a presença de uma jovem e simpática rena, amiga de festinhas.


Sempre um homem de sucesso.

O TomTom encheu e passou a servir o café em copo de plástico, mais quentinho (a escaldar!).


Uma experiência nova, e bem agradável. Londres, a infernal, ainda tem recantos de paraíso.

Pronto. É o meu post da quadra natalícia.
Boas Festas !