No Mar de Irminger, à saída do estreito da Dinamarca.
Desde 2020 que as visitas a este blog desceram drasticamente, andando agora entre 25 e 50. Uma miséria. Consegui algumas excepções, e aqui vai a lista das mais visitadas:
O Estreito da Dinamarca, em 6/8/21 ......................218
Emily Dickinson, rascunhos, em 5/1/20 ..................213
Labirintos nórdicos 'Troy Town' em 10/5/20.............185
Ponto Nemo em 6/12/20 .....................................180
Cy Twombly em 1/5/20.......................................165
Robin Hoods Bay em 12/1/20 ...............................152
(entretanto, posts mais antigos continuaram também a acumular visitas; Paul Klee, o mais visitado de sempre, tem 5 334)
No ano passado, 2022, o record vai para
Nijmegen (Noviomagus), com ... 53 :(

Hoje, como extra, sirvo um texto sobre uma incursão no Mar de Irminger a bordo do navio oceanográfico Knorr, 'Into the Wild Irminger Sea', por Dallas Murph:
"Os ventos de 100 km/h atingem rajadas acima de 130, mas o navio Knorr vai de encontro às ondas com audácia, escalando para o céu até à crista, afundando tranquilamente no fosso seguinte. Muros de água azul-negra sem fim, cobrinhas brancas de espuma a deslizar por elas abaixo, as altas cristas a quebrar sobre um precipício líquido.
É uma visão marítima de violência extrema , de uma beleza estarrecedora, um privilégio para quem assiste - na segurança da ponte de comando do Knorr. (...) A sul do estreito, estendendo-se desde a Islândia até à latitude do cabo Farewell no extremo sul da Gronelândia, este é o Mar de Irminger - a mais ventosa extensão de água salgada do globo. (...) As suas poderosas, vertiginosamente complexas correntes, a emaranhada topografia do fundo marinho, e a tendência para congelar, desafiam quem pretende compreender estes reinos aquosos setentrionais.
A estreita passagem às portas do Círculo Polar Ártico é um gargalo naquilo que Pickart, um oceanógrafo a bordo do Knorr, chama "super-autoestrada" na circulação global dos oceanos - a rota principal para as águas fluírem para sul , do Oceano Ártico para o Atlântico Norte, uma componente do que é refrido como Circulação Termohalina.
Em cada segundo de cada dia, a corrente do Atlântico norte, uma ramificação da Corente do Golfo, transporta uns 15 milhões de metros cúbicos de água 'quente', muito salina, ao largo da costa ocidental da Irlanda e Reino Unido, dando origem às incongruentes palmeiras da Cornualha, Segue para a Noruega, onde larga o calor para a atmosfera e onde garante os seus portos livres de gelo no Inverno, quatro graus a Norte do Círculo Polar.
Ora, para que uma certa quantidade de água corra para Norte, é preciso que seja equilibrada por uma igual quantidade que corra para sul. Quando as águas mais quentes do Golfo perdem o calor por evaporação, arrefecem e tornam-se mais densas, afundando-se nas profundas bacias dos mares nórdicos acima do Estreiro da Dinamarca.
(...) Sob as águas do Estreito há plataformas continentais rasas, a apenas algumas centenas de metros de profundidade, que se estendem para leste da Gronelândia e oeste da Islândia e quase se juntam, deixando um canyon entre elas. Criam uma barreira no fundo oceânico que separa os mares a norte do Mar de Irminger a sul, que tem mais de 2 000 m de profundidade. As águas frias que descem do norte precipitam-se subitamente ao longo de uma íngreme encosta submarina. Não é uma queda tão abrupta como as do Niágara, mas é uma catarata submarina de um volume de água milhares de vezes maior que todas as quedas de água da Terra juntas. Seria uma visão espantosa.
O mar ainda executa mais outra manobra: puxa as águas circundantes e acumula-as numa vasta corrente de fundo para sul, que se cruza por baixo com a Corrente do Golfo, ao largo do cabo Hatteras."