Mostrar mensagens com a etiqueta gostos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gostos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

2006, em Annecy, uma tartiflette


Vai-me saber bem espairecer ao sol dos Alpes. Mesmo 'confinado'.


Foi há quinze anos, Annecy, as ruas de arcadas, o lago, a estrada para Megève. Não esperava uma cidade francesa que mais parece suíça, com aquela luminosidade lacustre, o fundo de montanhas nevadas, as ruas medievais estreitas.

Muita gente pelos canais, como em Veneza, pelo menos naquele ano. Aqui, é o rio Thiou que atravessa entre o casario antes de desaguar no lago.

Rue Sainte-Claire, o eixo histórico.

Numa tarde, ou duas, de Verão, fomos parar ao Chez Mamie Lise, um restaurante pitoresco sob arcadas com uma decoração exuberante e toalhas em xadrez vermelho.


Servia uma tartiflette fora de série: uma especialidade da Sabóia, com queijo reblochon, que satisfaz qualquer fome em minutos. Deliciosa, sobretudo com um branco Côtes du Rhône.

Fica na Rue Saint-Claire, o principal eixo da parte antiga. Depois, fomos digerir pelos Jardins de l'Europe na promenade do lago.




domingo, 25 de outubro de 2020

Na trattoria Fantoni em Bolonha, e no Cavour de Ravenna.


Mais um episódio de gastronomia em viagem.

Bolonha e a vizinha Ravenna são inesquecíveis, o tempo que passei lá em 2011 foi de permanente deslumbramento, um banho de cultura europeia como poucos sítios podem oferecer, iluminada por aquele sol intenso e musicada pela alegria de viver italiana.

Numa das praças de Bolonha, a Malpighi, visitámos a Basílica de San Francesco, e ao lado os Mausoléus ou Arcas medievais dos 'Dottori' da Universidade de Bolonha.

Mausoléu bolonhês de pirâmide, de 1268, construído para um jurista. O túmulo está no andar de cima.

Estão na Piazza Malpighi, no seguimento da via Nosadella.

Depois fomos procurar sítio para almoço, pelas ruas laterais. Foi na Via Pratello que encontrámos a Trattoria Fantoni.

A Via Pratello é uma daquelas ruas muito italianas, estreita, com arcadas e as fachadas de amarelo torrado.

A Antica Trattoria Fantoni é o que por cá chamamos 'um tasquinho' : um antigo tasco que se converteu em casinha regional de comida caseira. Ainda lá estão os pipos.



A nossa sala tinha estantes de muitos livros nas paredes - boa companhia.



Pedi 'Linguine con boconcini di coda di rospo e pesce spada al pesto di basilico' ("Coda di rospo" é tamboril). O bom tempero à italiana fez milagres: era uma delícia, mas não tenho imagens. Sei que o almoço se prolongou tempo de mais - estava-se bem.

-------------------------------------

Num dos dias seguintes fomos a Ravenna; também lá tive um intervalo restaurativo excelente antes de ir ver os mosaicos bizantinos: na Via Argentario, o Bar Cavour, vendo ao fundo San Vitale e a Galla Placidia.


Menu del Giorno: Tortellini panna e prosciutto 7 €

Estava calor, foi perfeito. Depois foi só seguir a rua até à entrada do Museu Nacional.





Nada, mas nada no mundo se compara a Itália.


terça-feira, 13 de outubro de 2020

Descendo Grey Street em Newcastle encontrei o Marco Polo


Mais uma memória gastronómica ... e livreira. Newcastle-upon-Tyne tem um centro urbano elegante, de arquitectura georgiana e victoriana muito, muito british.

O centro de Newcastle, um largo onde se cruzam Blackett Street, Grainge Street e Grey Street, rodeando a coluna do Monumento a Grey.

Quando lá estive em 1995, antes de ser capital europeia da cultura, vi uma cidade imponente, embora com alguns sinais de abandono. Grandes edifícios de amarelo claro com mansardas, clarabóias, torreões e agulhas. Agora que beneficiou de muita obra nova, ganhou uma vitalidade que não conheço; há 25 anos, era a famosa Waterstone's, o edifício mais central e um dos mais grandiosos, de arquitectura arte nova, que marcava a cidade como Cultural; o Theatre Royal ali mesmo em frente. 

O monumento a Earl Grey (1838), no topo de Grey Street.

A Waterstones ocupa parte de um edifício de 1903 Art Nouveau. Uma grande, grande livraria - passava-se bem um dia inteiro lá dentro.


Naquela altura ainda se podia trazer uma mala carregada de livros, não havia limite de peso e depois a coluna sofria... mas quando em casa se abria a mala , que beleza !

Já com a tarde adiantada a fome apertou, e com a luz do poente a incidir nas fachadas georgianas, saímos à procura de uma mesa para nos reconfortar . Descemos Grey Street, a rua mais bonita, que curva em descida, em direcção ao rio, alinhada com frentes da época.

Theatre Royal , à esquerda, e a curva da rua Grey.

Pouco mais abaixo, já em Dean Street (depois da curva), encontrámos o Marco Polo; a possibilidade de boa comida italiana motivou a entrada.



E foi Coq-au-vin com puré e legumes.


Apurado, gostoso; mas nada que se compare ao prazer de estar horas na Waterstone's.





quinta-feira, 3 de setembro de 2020

No Museu Britânico, dez assombros e uma galeria


Que falta sinto de viagens com Museu no roteiro...

Há sítios com os 10-must-see de muita coisa, museus incluídos. O Museu Britânico não é um mundo, é um Universo, mas senti-me tentado a fazer a mostra dos meus 'dez mais', como statement e como relato de uma visita guiada pelo meu gosto...  dez peças de assombrar, por onde agora naveguei de novo como se lá estivesse.

1. O Standard (padrão) de Ur


Proveniente da Suméria, no 3º milénio A.C.. Uma caixa de madeira oca, com as faces laterais embutidas com um mosaico de conchas, calcário vermelho e lápis-lazúli. Lembra outra peça do Museu que já qui referi, o magnífico Jogo Real de Ur.


Foi encontrado num túmulo real em Ur, a capital Suméria; uma face descreve cenas de paz, a outra cenas de guerra, numa preciosa banda desenhada com mais de 4000 anos.

2. O Selo cilíndrico de Dario
    Séc. VI - V AC.


Encontrado em Tebas, Egipto, o selo real sumério tem a forma de um cilindro em quartzo de Calcedónia, em baixo relevo negativo, que ao rodar sobre uma placa de barro mole imprime uma cena de caça aos leões em carro puxado a cavalos entre palmeiras, sob a protecção de um deus.


À direita, imprime uma inscrição cuneiforme: "Eu sou Dario o Grande Rei", em três línguas - persa, elamita e babilónio. No carro, de pé, Dario I aponta o seu arco de caça.


3. O Vaso de Sophilos.
    Atenas, 580–570 A.C.


Taça festiva de vinho com pé, com a inscrição 'fabricado por Sophilos'. Está decorado com cenas da mitologia heróica grega.



4. Pedra da Roseta.
     196 A.C., Egipto

Não podia aqui faltar - o milagroso dicionário trilingue, que converte escrita hieroglífica em texto demótico do Egipto e Grego antigo. Uma daquelas descobertas para a eternidade.



5. Gargantilha (torque) Céltica
    ca. 75 A.C.

Este colar céltico tem um quilo de ouro ! Data da idade do Ferro, e foi encontrado em Snettishham, Norfolk. É uma obra soberba, da mais requintada arte de ourives.



6. Vaso romano 'Portland'.
    Século I (primeiros anos da Era, 1-25).


De uma beleza deslumbrante, este vaso romano de vidro azul com camafeu branco em baixo relevo é o mais famoso do género.

 

Começou por ser conhecido como Vaso Barberini em Itália, por ter pertencido à família da Toscânia. Compras sucessivas acabaram no 3º duque de Portland: o vaso mudou de nome e de casa; desde então inspirou o célebre Wedgwood e outros a fabricar camafeu de vidro.



7. Vénus no banho, ou Vénus 'de Lely'.
    Roma, século II

Vénus agachada no banho, escultura em mármore, versão Romana de uma estátua helenística da deusa Afrodite.


Com um olhar frágil e intimidado, parece que se sente espreitada durante o banho. Absolutamente... ϟ❊ϟ!!⋆⋆⋆!


[Lely foi um pintor inglês do séc. XVII, um dos proprietários da escultura.]

8. O Xadrez de Lewis.
    Séc. XII
Já aqui fiz um post sobre este jogo de xadrez Viking.

Esculpidas em marfim de morsa e osso de baleia, estas peças não foram ainda suficientemente bem atribuídas, mas está aceite que tenham provindo da Noruega para a Escócia, já no declínio do período Viking. Foram encontradas numa pequena caixa enterrada, como se fosse um tesouro, na ilha de Lewis, Hébridas.



9. Trompa tibetana de concha.
    Séc. XVIII - XIX

Deve produzir um som portentoso e exótico, esta trompa baseada numa grande concha e hiper-decorada com cobre, esmalte e pedras preciosas.

No estandarte há um dragão ricamente esculpido.


10. O próprio Museu Britânico.


Foi o primeiro  Museu Nacional no mundo, aberto ao público em 1759 com a colecção do irlandês Hans Sloane. O edificio original neoclássico, com uma frente de 44 colunas iónicas,  é de Robert Smirke, mas muitos outros se foram adicionando ao longo dos anos.

'Reading Room', a sala de leitura circular adicionada em 1854-57.

Entre as galerias, destaco a Enllghtenment Gallery, onde se exibe documentação e objectos ligados ao Iluminismo, o início da era do Progreso. Manuscritos, instrumentos, mecanismos, e livros, muitos livros.


Um monumental vaso de mármore está de guarda à entrada - o Vaso Piranesi. Meticulosamente reconstruído no século XVIII pelo arquitecto e restaurador Piranesi a partir de milhares de fragmentos romanos, encontrados na Villa Adriana de Tivoli - o original dataria do do séc. II.


A galeria foi construída em 1828 como biblioteca de George III, e exibe também a colecção original do fundador Hans Sloane, dos séculos XVIII e XIX - desde peças antigas de variadas origens a mecanismos de precisão, espécimes de História Natural e várias esculturas.

Fauno de Duquesnoy, séc XVII (barroco)

---------------------------------
Homenagem prestada a um dos melhores Museus do mundo, o Brit. Deve ser também um dos posts mais bonitos de sempre, aqui no Livro. Bom fim de Verão.