domingo, 13 de setembro de 2026

Inverness, onde começa e termina a rota NC500, e onde se passam bem dois ou três dias.


INVERNESS


A capital das Highlands escocesas é a cidade principal na estrada circular NC500 de que tenho vindo a reportar. Não é uma cidade bela, nem sequer bonita, até ostenta alguma fealdade, ao contrário de Edimburgo, Glasgow, Aberdeen; vou tentar mostrar que, apesar de não ser um destino turistico, merece atenção, no início ou no final da Rota.


Inverness é uma cidadezita de província com 50 000 habitantes, menos que Guimarães, mas em termos logísticos governa uma ampla região: as Terras Altas da Escócia.


Está nas margens do Rio Ness, que nasce mais a sul do famoso Lago Ness e vem deitar águas no fiorde de Moray. A vista das duas margens do rio é mais interessante que as ruas interiores. A famosa ponte pedonal de Greig Street é uma ponte suspensa, construída em 188; pintada de branco cria um cenário único.


São as margens do Ness que oferevem as melhores vistas da cidade

Old High St. Stephen's é o mais antigo edifício de Inverness, data do século XVIII mas a base da torre já vem do séc. XIV, de edificação anterior, com o seu ar Românico.



Seria o 'monumento' distintivo de Inverness, mas foi desactivada, para ser recuperada pela administração local com vista a serviço cívico; infelizmente, não há verba para financiar uma obra tão cara.


A porta da frente na torre: a parte mais antiga.

Um dos vitrais victorianos de 1899.




Como seria de esperar, esta é a parte mais antiga da cidade. Pela margem do rio Ness, para Norte, Douglas Row é uma das marginais mais bonitas, com casas do séc. XVIII.


Casas do período Georgiano fazem de Douglas Row um passeio apetecível.



Em frente, na outra margem, Huntly Street.

Uma antiga igreja palladiana em Huntly Street, vista da outra margem: uma espécie de Veneza da Escócia ?

Mais adiante, a Igreja de Stª Maria, católica.

Na outra margem do Loch Ness há um percurso viário ao longo das águas, uma zona turística e de Hotéis - The Ness Walk.

The Ness Walk, com os torreões do Palace Hotel.

Visto desde Castle Road, na outra margem.

Vistas as margens, entremos na cidade; a área mais apelativa é a da escadaria Market Brae Steps.





As escadas dão para Inglis Street, avista-se Falcon Square. O melhor é cortar à esquerda para Church Street, até à igreja velha Old High; paredes meias está outro atractivo inesperado é a Leakey's Bookshop, um monumento ao livro e à leitura.








A ler !

As principais ruas do centro de Inverness são escuras, feias, de arquitectura incoerente; só uma 'arcada' vitoriana, uma galeria fechada a imitar o estilo Arte Nova, alegra um pouco. Afastemo-nos para sul.


Agora o Castelo, um símbolo bem conhecido e de real valor arquitectónico.



Teve uma longa história de assaltos , combates, sucessivas destruições; o que vemos agora é do século XIX !


Simbolicamente, é o ponto de partida e de chegada da Rota NC500.

Museu e Galeria de Inverness


Fica em Castle Wynd, uma via de acesso ao Castelo.


Tanto quanto consegui apurar, o mais valioso será a colecção de arqueologia Picta e Viking - pedras rúnicas, cerâmica, joalharia e cutelaria.


A Eassie Stone é uma cruz de pedra Picta do século VIII, esculpida em calcário (lioz) avermelhado. O corpo da cruz está decorado com um desenho variado de nós entrelaçados.



Mas a atracção principal em arqueologia são outras pedras:


Ardross Wolf Stone


A pedra do lobo, encontrada em Ardross, é uma gravura Picta em pedra clasificada. Datando dos séc. VI ou VII, mostra uma técnica de gravação soberba; uma linha fina bem definida com um corte firme desenha um lobo que parece querer saltar da pedra.

Cabeça de veado 


Também de Ardross, é uma gravação Picta representando uma cabeça de veado vermelho, com espantosa vitalidade e naturalismo.

O que é raro e mesmo precioso nestas pedras é que são não há outros exemplares semelhantes, as pedras Pictas encontradas exibem em regra desenhos geométricos como espirais, Z-rods, etc., uma esboço de linguagem simbólica. Os Pictos eram um grupo de povos de língua celta/gaélica que viveram no norte e leste da actual Escócia, durante a tardia Idade do Ferro britânica, até ao primeiro período medieval. É um dos povos "perdidos" da Europa, sabe-se muito pouco acerca deles devido a não ter sido decifrada nenhuma inscrição com os seus símbolos pictográficos gravados em pedra.

A rota Picta na NC500 :

Além de Inverness, há núcleos de espólio Picta no Tarbat Discovery Center (Portmahomack), na Groam House de Rosemarkie,  na Nigg Old Church de Tain, e mais a norte no North Coast Visitor Centre de Thurso.

Mas voltando ao Museu de Inverness:

Vaso decorado da Idade do Bronze


Vaso ou caneco da Idade de Bronze,  2300-2100 AC , encontrado em Dalmore, Easter Ross. Provavelmente de uma população da Cultura da Cerâmica Campaniforme (sino invertido) em transição, com origem nas estepes da Ásia; terá atravessado o mar desde  a costa da Holanda ou Alemanha, e substituiu a população local do Neolítico.

Machado de encaixe ou soquete de há ca. 3000 anos (~ 1000 AC), finais da Idade do Bronze, Ballifeary.

A Bíblia em Gaélico

1ª edição, 1769



Quaichs

Quaich em madeira com embutidos de prata, ca. 1705-1720, por um ourives de Inverness

O Quaich é uma taça para beber típica da Escócia. O nome deriva do Gaélico cuach,  'chávena'. Começaram por ser em madeira, feitas à mão montando secções ou staves, atadas umas às outras com fitas de salgueiro. No século XVII os ourives da prata dedicaram-se a enriquecer este modelo com bordos, asas ou fundos em prata. Por volta de 1660 começaram a fabricá-los integralmente em prata.

Quaich em prata de Thomas Borthwick, 1750 - 1794

E mais um, de Charles Jameson, 1797-1829

De Ferguson & Macbean, 1880-1906

Cafés

Costumo citar George Steiner, um dos sinais identificadores da cultura Europeia está nos cafés. Na Europa do sul é uma vulgaridade, são aos milhares e inundados de turistas. Mas nesta latitude, e daqui para Norte, são raros, e é uma festa encontrar um de acordo com os padrões - bom 'espresso', mesas cómodas, jornal disponível.

Tanto quanto procurei, há dois ou três em Inverness, pequenos e modernos, nada de histórico evidentemente.

O mais parecido com o standard europeu é o Coffee Affair




Na arcada vitoriana em Academy Street há um café mais requintado. Já não falta nada de essencial em Inverness.

Victorian Market Arcade




Café do Paulo, Victoria Market

Não será uma grande capital cultural, mas está bem como 'starting / arrival ' da Rota NC500.



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