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domingo, 14 de dezembro de 2025

Fechou o 'Prostir.coffee' de Kherson... os drones caíam todos os dias...


Kherson, Ucrânia, foi um símbolo de resistência: ocupada pelos russos, Zs por todo o lado, a cidade uniu população e exército e conseguiu expulsá-los em ... , uma humilhação que o Kremlin nunca digeriu. Nos últimos meses tem sido ataque após ataque, vindos do céu, explosões a toda a hora. Dos 300 000 habitantes mantêm-se na cidade 60 000, ou porque não têm para onde ir, ou porque fazem ponto de honra em não ceder ao russos, ou por amor à cidade. 

Amor à cidade havia no Café Prostir (Café Espaço), na rua Teatralna 6/8, onde se reunia gente jovem e bonita, habitantes e visitantes, para manter um ritual de boa vida urbana, civilizada e pacífica. A Teatralna é a rua da cultura em Kherson, com teatros, museus, academia de música, cinema...

Uma explosão próxima arruinou o primeiro prostir.coffee, e a sua fachada em madeira.

A segunda versão do Prostir parecia mais resistente, mas os nervos de quem não dorme sob as bombas é que não resistiram.






O dono Oleksiy Melnychenko mudou-se para sítio mais seguro, espera ele.

Kherson não era nenhuma beleza antes da guerra; procurando, lá se encontra uma zona ´histórica´do séc. XIX-XX. Na Rua da Europa (Evropeiska, novo nome, a substituir qualquer coisa czarista) há este lindo prédio, a "Casa dos Atlantes":


Deve ser do entre-duas-guerras, anos 20 ou 30.


A Evropeiska, que antes foi a Suvorova, é uma rua bonita, pedonal, bem tratada, um sítio para passear em paz. Imagens de 2020/2021.




Escola

O actual abandono. Ao fundo, a entrada do Parque Shevchenko.

O centro histórico é o quadriculado de ruas à esquerda do Parque Shevchenko; foi aqui que a cidade nasceu, a partir da Fortaleza de Kherson.


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A fazer de tampão, ou último bastião, na defesa de Odessa, Kherson é mais uma cidade mártir - mas por enquanto sem botas russas. Valentes.


O que a guerra tem de pior são certamente as vítimas humanas. Aqui, contudo, só posso mostrar o abandono, e a destruição das pedras que esses humanos construíram com alguma arte e muito trabalho.





domingo, 25 de maio de 2025

Quatro memórias da Galiza de um café frente ao mar


Algumas das boas memórias que tenho das férias na Galiza têm a ver com estar sentado numa esplanada frente ao mar, num dia quente de Verão, a tomar um cafezinho. Na Galiza a qualidade do espresso varia muito, desde marcas portuguesas - Candelas - a outras melhores como a Illy; mas tive quase sempre sorte neste locais.

Tenho saudade dessas praias galegas, sobretudo as do Grove, pequenas e bonitas, limpíssimas, e a da Pragueira, onde passei horas inesquecíveis. Praia e comida boa, eram as férias baratas ao alcance das nossas bolsas nesses anos 2002/3/4/5.


- Terraço do Samar sobre a praia da Lanzada




- Café Sotavento em Portonovo, de frente para a ria

Já não existe, o Sotavento, substituído por outro sem a mesma graça. Estava no alto de uma rampa panorâmica na penísula de Punta Cepelo, na Avenida de Pontevedra, com um miradouro em frente.






Miradouro de O Cepelo
 
As ilhas Ons no horizonte.
 
- Esplanada do Almar na Praia da Pragueira

A Pragueira é favorita de vários anos. Um acesso apenas visível da estrada litoral indica "Aparthotel Almar". Nada nos prepara para o magnífico e vasto crescente de areia branca que a maré vaza decora com belas formações rochosas, cheias de
 algas e de pocinhas. Lambra um poco o Baleal Norte, mas com uma mar suave.
 



Estivemos sempre na Pragueira assim, sem gente, mesmo em Julho ou Agosto.


- 'O Pirata' em S. Vicente do Grove

Aqui era romaria certa todos os anos. O sítio é excepcional até porque muito perto fica o passadiço de madeira sobre estacas que é uma das maiores maravilhas da península.


Em frente tem um relvado sobranceiro à praia onde costuma instalar serviço de esplanada; é preciso sorte para arranjar mesa...



Sendero de Pedras Negras

Ao longo do passadiço, com as ilhas Ons ao longe.

- As Pipas do Grove

No Grove, as praias são as melhores da Galiza. pequenas enseadas, mais ou menos rochosas, areia muito branca com orla de conchas e algas, águas quase paradas, de azul ou verde transparente com reflexos no fundo. A Barcela - nossa favorita - , Area Grande, Area das Pipas, Reboredo...

A Barcela, dourada e azul com as mexilhoeiras ao longe


Area das Pipas

O que melhor aqui lembro ao sair da praia é o pequeno restaurante As Pipas e as suas merluzas - a la gallega (a melhor) , à romana, na plancha.
 

Plataformas mexilhoeiras na luz do sol poente.

A Galiza é um mundo. Há países grandes mais pequenos.

 



domingo, 10 de novembro de 2024

Escapada em Braga, a cidade mais estrangeira (per capita ~ 8%)

Há muitos anos, andei a concluir os meus estudos em Braga, na Universidade do Minho. Era uma cidade pacata, parada, muitas fachadas em ruína, e onde apenas havia um sítio notável que eu frequentasse - o café A Brasileira

 

Braga duplicou de população, está à beira dos 200 000, que se notam numas ruas cheias de gente, muito comércio, casas restauradas - muitas para alojamento, como em toda a parte. Ouve-se falar brasileiro por toda a parte, e espanhol (castelhano e sul-americano), menos galego do que eu contava, algumas línguas do leste europeu. Há turistas em excursóes, até japoneses/as. Há um Museu novo e recentemente enriquecido - o Museu D. Diogo (*) - , abundância de azulejos interiores, 'A Brasileira' à cunha, e acima de tudo uma extraordinária Livraria, a '100ª Página'.

A casa Rolão, onde se instalou a Centésima Página.

Em termos de património construído, o ponto de partida é o Arco da Porta Nova, entrada poente para a longa Rua do Souto, que passa no antigo Paço, na , e vai subindo até desaguar n'A Brasileira

Entrada para a Rua do Souto pelo Arco da Porta Nova.
 
Do outro lado fica o Largo da Praça Velha.
  
Largo da Praça Velha



 
Logo acima encontra-se o Largo do Paço, antigo centro urbano.


Muitas recordações: aqui fui admitido na Universidade, aqui recebi o diploma.
 
 
Foi no salão medieval da Reitoria:

 

O colorido travejamento do tecto.
 
Poucas centenas de metros acima chegamos à famosa Brasileira.

Não se está mal.

Mesmo ali ao lado fica uma das casas mais antigas , a Casa dos Crivos, longos anos ao abandono mas agora restaurada. Não tão antiga como parece, é uma casa do século XVII.

Gelosias de madeira fechadas para total resguardo das mulheres, já na altura havia Talibans de outra crença.
 

Também a Casa dos Coimbras merece referência, mesmo sendo um falso.

Havia no outro lado da rua um palacete do século XVI, com elementos manuelinos. Foi demolido no século XX, mas aproveitaram esses elementos para o reconstruir. Agora é restaurante.

Outros motivos de interesse: as paredes cobertas de azulejo e os presépios esculpidos da Igreja N. S.ª A Branca, do séc. XVIII.

Mas o Theatro Circo de 1914 é que me levou agora até Braga para assistir a um concerto de jazz com Bill Frisell Four.

 
É mais bonito o interior, restaurado como novinho em folha, há 20 anos.

 

Foi um óptimo concerto, gosto muito da guitarra no Jazz.

A maior surpresa, contudo, foi a 100ª página, a Livraria Centésima Página !

A fachada nada promete, é apenas mais uma pesadamente barroca, do século XVIII - a Casa Rolão.


A porta da rua dá para um pequeno átrio; mas a livraria ocupa uma vasta área, tem salas e salas de edições em português lindamente expostas, cafetaria, terraço e jardim - onde há mesas quase sempre ocupadas onde se lê, toma café ou lanche ou almoço. Mas o labirinto livreiro interior é que vale a visita, digamos duas horitas e um saco cheio de livros.

Átrio de entrada.

  

 

Corredor de passagem para o jardim nas trazeiras.
 

 
Imperdível, incontornável, o que quiserem. Já vi coisas assim 'lá fora', cá nunca.

E é assim que a triste, pobre e beata Braga está convertida em moderna, rica e culta e poliglota.

Termino com um pouco da música dos Bill Frisell Four:



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(*) Já publiquei Aqui