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sábado, 4 de março de 2017

Olha, o gelo glaciar da Gronelândia a aumentar extraordináriamente !


Pois é, ninguém diz nada, não há polémica nem escândalo. O barulho que fizeram com a fusão dos glaciares na Gronelândia, que era um desastre ecológico e o sinal mais sólido da catástrofe climática, culpa do Homem capitalista ganancioso.

Este Janeiro, a placa de gelo cresce ACIMA da média, mais do que em todos os meses de Janeiro nos últimos 24 anos, em quantidades extraordinárias. E já vinha a crescer desde Outubro 2016. São mais 8 gigatoneladas ! Há quem fale de "anomalia" na Gronelândia.

Ganho de gelo acumulado desde Setembro 2016, em gigatoneladas.

Em cima, a azul, os ganhos em tonelagem de gelo até Janeiro comparados com a média; em baixo, a relação massa ganha / massa perdida (acumulada) em todos os 24 anos (faixa cinzenta) e de Setembro a Janeiro 2017 (azul).
Fonte:

É verdade que um ano assim não chega para inverter uma tendência - a capa de gelo continua a diminuir cada ano que passa. Temos de aguardar, as perdas a partir de Junho podem ultrapassar o ganho. Mas a notícia merece destaque, tanto mais que também na Antártida tem havido mais acumulação de gelo do que o modelo alarmista previa.

A placa de gelo na costa leste da Gronelândia.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Que as imposturas de 2016 morram em 2017


Este título é copiado do editorial de Franz-Olivier Giesbert no Le Point de 29 de Dezembro.

Em vários pontos, Giesbert elenca exemplos de manipulação da opinião pública, cada vez mais assustadora. Ao contrário de muitos, eu não receio o que se veicula nas redes sociais, as patranhas que seja quem for aí pode colocar. Quem tiver dois dedos de testa não frequenta esses sítios, ou então percebe ou desconfia logo da vigarice, e se esta se propaga é desmentida a curto prazo.

O que me assusta mesmo são os media de grande alcance público, mesmo os prestigiados, em que se acredita porque quem escreve são jornalistas e jornalista é uma profissão digna de crédito. Ora bem: não é. É preciso, é urgente, desconfiar dos jornais e ainda mais da TV, seja pública ou privada, tablóide ou "séria". Sem precisar de muita perspicácia, dou conta com frequência de pequenas aldrabices ou trapalhadas - números que não dão certo com o que se diz, adjectivos que distorcem a verdade num sentido ou noutro, destaques disparatados, ênfase no acessório, e tanta coisa importante que não é noticiada. Os debates que costumam seguir-se são uma perfeita anedota. Nos três canais nacionais, há ainda outra pecha (menor) - o atropelo constante da gramática - ortografia e sintaxe - quer pelos pivots, quer pelos inúmeros e impreparados repórteres in loco.


O mais grave é o enviesamento, ou seja, a forma tendenciosa como a notícia é dada. Giesbert identifica sete, mas não sei se serão sequer as piores imposturas. Por exemplo, o conflito sírio completamente distorcido (nunca ouvi os pershmerga !); Obama, que não foi de todo o grande presidente que se propagandeia - vaidoso, passivo, inábil e contemporizador, um inútil bem-falante; Erdogan, que foi desde sempre (e não de agora) inimigo da Europa e carrasco da oposição; e em geral o Mundo, que não está nada a bater no fundo, como reza a imprensa miserabilista criadora de falsas aparências, mas pelo contrário - o "progresso" continua a fazer o seu caminho, por mais que o tentem desacreditar. A pobreza recua (em 1990 uma pessoa em cada duas vivia abaixo do limite de pobreza extrema; agora são 14%); o analfabetismo está em vias de extinção, a tirania já é um fenómeno local de pequenos países, a abundância de alimentos e água contraria as previsões de fome e penúria ... e a qualidade de vida urbana tem melhorado significativamente, basta lembrar como eram as grandes e médias cidades há um século, sujas, poluídas, escuras, perigosas (à noite sobretudo), cercadas de bairros miseráveis. Claro que há um século não havia cobertura diária e ao vivo dos assaltos e crimes.

Outra enorme impostura são as "médias" e projecções de base estatística. As "médias" são quase sempre mal noticiadas como se fossem fiéis evidências, outras vezes de forma disparatadas - "uma média entre 3 e 5 óbitos por semana"- ou grotescamente errada - "a maioria dos rendimentos estão abaixo da média". Por exemplo, dizer-se de uma país maior que Andorra que o crescimento é X e subiu 0,1 é uma inutilidade enganosa. Espanha ou França, para não ir mais longe, podem ter variações regionais de crescimento de -1 a 6%, por exemplo. Na Rússia, na China, as diferenças são ainda mais extremas. E que é 0,1 senão zero, para mais com o erro intrínseco da medida ? As sondagens, já se sabe, são encomendadas para dar o que o encomendante quer, dentro de um erro à volta de 5% pelo menos. Porque é que "órgãos de informação" alinham nessa fantochada ? As sondagens reflectem a opinião dos-que-respondem-a-sondagens, ou nem isso - muitos divertem-se a mentir.

Giesbert termina com uma adequada citação de Shakespeare, comparando o noticiário actual a uma "tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing."

Não sou tolo ao ponto de achar que tudo vai bem no melhor dos mundos. Há as incómodas assimetrias, que outra mentira (a multinacional Oxfam é uma fábrica de intrujice) nos faz acreditar estarem a aumentar - não estão; mas no mundo dos homens, esses que já se combatem e matam sem parar há mais de 1 milhão de anos, desde que se puseram a andar de pé, esse ser fracote e quase irrelevante, capaz de bondade e maldade mas sempre à procura de melhor, não se pode ter expectativas demasiado optimistas; há que reconhecer, isso sim, um lento, muito lento, progresso.


Seria uma ajuda se a impostura mediática recuasse em 2017.


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P.S. Não tenho ilusões: o 'Le Point' também faz parte dessa máquina de mentira mediática.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Incêndio na Glasgow School of Arts de Mackintosh :(



Não sei porque só agora soube do desastre: a 23 de Maio passado, passou pouco mais de um mês, um incêndio consumiu boa parte da Glasgow School of Arts, um dos mais relevantes edifícios de Charles Rennie Mackintosh e um marco histórico e artístico na capital escocesa. Concluído em 1899, parecia um castelo escocês com elementos orientais, na visão modernista, geométrica, austera, de Mackintosh.



Se foi notícia cá, passou-me despercebida; provavelmente um minuto final ou um canto de página, que isto não mete bola nem mexericos, nem colunáveis ou papas.

Foi uma actividade artística (com espuma expansiva) que deu origem ao fogo, devido à explosão de um projector. Muitos cursos estavam em funcionamento, mas a evacuação foi eficaz e rápida. Só o edifício sofreu danos, muitos irreparáveis; se a maior parte da estrutura resistiu e permite restauro, já muito do interior e do espólio ficou em cinzas.

O mais lamentável provavelmenete é a famosas sala de leitura e sua biblioteca, reduzida a cinzas.

Era assim:
.

O estilo inimitável de Mackintosh notava-se sobretudo nas janelas:

As janelas da sala de leitura




Estive duas vezes em Glasgow, em 1993 e 2007, e estive sempre muito bem, com chuva ou com sol. A arquitectura da cidade é magnífica, assisti lá a um Peer Gynt excelente, e a paisagem da Escócia está ali tão perto -  alguns quilómetros a norte e estamos em terras de Glens. Tenho por tudo isso muita pena do desastre que caiu sobre a GSA.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Invenção de Leonardo da VInci ouvida pela primeira vez



Não resisto ! Bem sei que isto é quase só copy-paste, mas a tentação é forte.


A "viola-organista" desenhada por Leonardo há mais de 500 anos (1488-89) foi agora construída e pela primeira vez tocada pelo fabricante polaco Slawomir Zubrzycki. Quatro rodas em torno das quais se enrola crina de cavalo "tocam" as cordas metálicas de uma espécie de cravo, não através da percussão com martelinhos, como no cravo, mas esfregando, tal como um arco nas cordas da viola. O tocador acciona a rotação das rodas com os pés.



Zubrzycki demorou três anos (5000 horas) a dar vida ao instrumento, a partir de um esboço no Codex Atlanticus de Da Vinci, doze volumes de manuscritos e desenhos de tudo e mais alguma coisa - armas, máquinas voadoras, corpo humano...

Zubrzycki inscreveu na madeira uma citação de Hildegarde von Bingen:

"Santos profetas e estudiosos imersos no oceano das artes humanas e divinas, conceberam uma multitude de instrumentos para deliciar a alma"

Entrevista em polaco (vale pelas imagens e sons):

sábado, 22 de setembro de 2012

Salve, Pen Club

O maledetto (venho de ouvir o Rigoletto...) Acordo Ortográfico da L.P. foi tchumbado, com t meu de "toma lá e embrulha", pelo Pen Club internacional: ameaça à língua portuguesa.
PIM !

Excertos:
 “tentar centrar uma língua em prioridades administrativas e/ou comerciais é enfraquecê-la ao atacar a sua complexidade e criatividade inata, a fim de promover métodos burocráticos de natureza pública e privada”.

“Duvidamos muitíssimo que essa proposta de estandardização produza outros efeitos além de burocratizar os textos usados nas escolas, separando assim os alunos da real criatividade da língua portuguesa, nos planos regional e internacional”.

Mais, aqui

[achei que a notícia justificava um intermezzo nas sereníssimas reportagens]

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cenas tristes: os neutrinos & a ficha

Tanta tinta correu sobre a ultrapassagem da velocidade da luz pelos neutrinos do CERN, e consequente revisão da relatividade ! Afinal, caboum! fiasco! e...

...mais uma saborosa vitória de Einstein, glória a ele! Então julgavam que a má conexão de um cabo de computador ia dar cabo de uma ideia de génio que dura há mais de um século? LOL 300 000 vezes, ou melhor, 299 792 vezes !

É também para eu aprender (como se já não soubesse, enfim) a não embarcar em espalhafatos mediáticos , mesmo que aparentemente científicos. Quando alguma coisa acontecer, será provavelmente silenciosa, inicialmente rejeitada e só lentamente insidiada.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ena ena ena! Nuno Crato...

...é ministro da Educação! Wow!

Foi preciso eu deixar o ensino para haver finalmente um ministro de jeito para o ensino em Portugal ! Hélas, pas pour moi...


A melhor notícia dos últimos dias...semanas...meses... sei lá...

Parabéns, professores e alunos, coragem Nuno!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ena! Estamos livres deste também !

Contrariamente ao sentimento geral (que os telejornais e os economistas economicistas acentuam), ultimamente abundam boas notícias.

Já não me interessa nada, mas Yahooo! foi suspenso o amaldiçoado, muito imbecil e totalmente ineficaz modelo de avaliação dos professores!

Parece que estamos a evoluir no bom sentido, civilizacionalmente falando. Provavelmente, será suspenso o TGV , espero para breve mais essa boa nova.

Dinheiro não é tudo. Que importa a subida das taxas ? Hão-de descer. E o petróleo. E o euro.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ena! Estamos livres dele!

Isso é bom, não é ?

Bom como ter chegado a primavera !

Pelo menos, fez-me sorrir.

Festejemos:


Haydn, As Estações - Primavera, dir. Harnoncourt

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nova vida, vida nova

A revelação da NASA é estrondosa, nem se pode imaginar até que ponto. Todo o barulho à volta de extraterrestres foi armadilha para/de jornalistas, jogando com a palavra "alien". A realidade ultrapassou a ficção.

Não significa apenas que pode haver outros seres vivos diferentes, como homens de 3 olhos ou aranhas inteligentes... significa radicalmente "outra vida", baseada numa génese, numa química e numa estrutura diferentes. E descobri-la aqui na Terra é espantoso, sabe-se lá se estamos a ser assistentes do surgimento de novas formas de vida "paralelas", árvores de vida cuja história futura será diferente da nossa.

É estonteantemente fantástico, este ano de 2010 já vai ficar na História ! E viva o arsénico.

Comentários variados aqui.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Guimarães na vanguarda

o fim das touradas

Em solidariedade com o Garden of Philodemus, transcreve-se da notíca do Público de hoje:

"Guimarães exclui tourada das festas da cidade

As Gualterianas (...) vão deixar de contar com uma corrida de touros no programa. A decisão é «um sinal de modernidade» , assume o Presidente da Câmara, António Magalhães (...)"

Bem-vinda modernidade; é de pequenos sinais assim que se pode fazer mais civilização.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Nova "catástrofe" à vista, LOL ?

Depois das profecias de Nostradamus, do vírus do ano 2000, do 6 /06 /2006, dos asteróides em rota de colisão, do el Niño, de todas as oportunidades perdidas de assistirmos de bancada a um belo fim do mundo, eis mais um Armagedon:

O Sol!
Terminado um período anormalmente longo de acalmia (ver aqui), o Sol entrou numa actividade desenfreada e na manhã de 3 de Julho a NASA registou duas erupções simultãneas de invulgar magnitude, com ejecção simétrica, que assustaram os astrónomos.

Ao que parece, se erupções tão violentas fossem dirigidas no sentido da Terra, muito provavelmente causariam uma catástrofe electro-magnética - pondo fora de serviço tudo quanto é electricidade, aparelhos domésticos, comunicações fixas ou móveis, hospitais, governos, exércitos... caos nos transportes (as bicicletas não eram afectadas!), um silêncio quase total. Um regresso a mais de 100 anos atrás. Ouviríamos de novo os sinos das igrejas, os melros e o vento a soprar sobre as searas (é isto o fim do mundo?).
Não atingindo directamente a terra, teremos apenas um aumento de auroras boreais e alguma perturbação nalgum satélite , degradando o sinal.
Reportagens sensacionalistas típicas:
CBS


FOX
http://www.foxnews.com/scitech/2010/06/10/electronic-armageddon-solar-flares-disaster/

O que pode ser verdadeiramente preocupante são as consequências climáticas de toda esta actividade. E para já, :( temos uma onda de calor em Portugal :(







terça-feira, 25 de maio de 2010

Efeito Borboleta

Todos observamos com tristeza o progressivo desparecimento das borboletas dos nossos jardins. Não será a mesma coisa, mas é quase um milagre o que conseguiram Hiroto Tanaka em Harvard e Isao Shimoyama em Tokyo : uma borboletinha feita de angélicas asas de polímero , madeira de balsa e elásticos. O estudo do modelo, a borboleta swallowtail (cauda-de-andorinha), foi ao detalhe minucioso de imitar o exacto tamanho e peso e mesmo o desenho das veias nas asinhas de plástico. Toda a mecânica de voo foi estudada graças a um filme em câmara lenta da borboleta real. O estudo completo, que deve ser monumental, chama-se Bioinspiration & Biomimetics e está para ser publicado em breve.



sexta-feira, 21 de maio de 2010

Notícias do Ártico

A linha de árvores e o heróico Lariço

Já há algum tempo não escrevo aqui sobre o ártico, cá vai um post, desta vez dedicado ...às árvores.

A linha de árvores (a verde) e a linha de clima ártico (laranja).

A linha de árvores é a fronteira geográfica do habitat favorável ao crescimento de árvores. A latitudes superiores, podem ser plantadas mas não sobrevivem, porque as condições de vento, temperatura ou escassa profundidade de solo fértil são demasiado hostis. Na região do ártico, esta linha oscila entre os 55º e os 71 º N (ao nível do mar). Para lá, só tundra e a calote de gelo.

Por exemplo, na Gronelândia, na ausência de árvores nativas, fizeram-se várias tentativas de plantação, com poucos casos de sobrevivência crescendo lentamente no Søndre Strømfjord, a 67°N. Conseguiu-se aí uma pequena floresta (floresta de Rosenvinge):

Há 500 000 anos a Gronelândia era realmente verde, coberta de prados, matas e florestas; agora, com um pequeno mas gradual aumento de temperatura, começa a haver mais condições de sobrevivênvia - a linha de árvores está a deslocar-se para norte - e até as mais enfezadas árvores de Rosenvinge (coníferas plantadas em 1893) têm tido um espectacular renascimento: os topos estão a verdejar com novas agulhas ! E há mais prados, mais culturas...

Também no Canadá, Alasca e Noruega algumas espécies sobreviven até perto dos 70ºN. Mas o local onde as árvores conseguem resistir até maior latitude é no planalto central da Sibéria, no vale do rio Kathanga, onde condições extremas de clima continental permitem calor suficiente no verão até aos 72°30'N !

Lariços na floresta de Ary-Mas

A conhecida floresta de Ary-Mas é a mais nórdica do planeta. Devido a um microclima continental, o vale do rio Khatanga é o único local onde árvores subsistem acima dos 70º de latitude – e até aos 72º 30’, 660km a norte do Círculo Polar. Formam uma espécie de ilha de árvores isoladas na tundra.

O Lariço siberiano, árvore admirável

Em condições inimagináveis no inverno, os Lariços sobrevivem a -50º C e ventos que podem atingir 50m/s , que lançam gelo como facas contra as poucas árvores que resistem. Mas resistem. Os lariços, variedade de cedro, sob os ventos do ártico, adquirem formas curiosas:

Estas formas surgem devido aos ventos invernais. Quando neva, o fundo da árvore fica coberto de uma protecção que abriga os ramos baixos dos terríveis ventos árticos. A parte de cima é severamente desbastada. Duas razões explicam a resistencia da floresta: o calor do verão continental e a profundidade do permafrost - o solo fértil de sedimentos fluviais - pode aqui atingir 200 m !

O Lariço da Sibéria ( Larix Dahurica) é uma conífera de crescimento rápido, resistente ao frio, que noutras parte do mundo pode atingir 45 metros; nas condições árticas as árvores raramente passam os 5 metros.

Lariços com cerca de 15 m

A cidade de Veneza deve aos troncos de Lariço sobre os quais repousa a longa sobrevivência dos palácios! Embora se trate da variedade Lariço-europeu, tem os mesmos troncos rijos e resistentes, recomendados para postes, travessas de caminho-de ferro e construção naval, e usados também na construção de cabanas para os povos do ártico.

O rio Khatanga, que gela completamente no inverno

O rio Khatanga fica na península de Taymyr , uma região ártica habitada pelos Naganasans, um povo tradicionalmente nómada de caçadores, pescadores e pastores de renas, muito mal tratados durante o regime soviético. São a população mais nórdica do planeta, e não foi por acaso que se estabeleceram na última região fértil da tundra. Possivelmente, alterações climáticas virão a dar a estas populações condições com que nunca sonharam...Voltarei ao assunto num futuro post.

Mapa:

Fonte principal:
http://www.wondermondo.com/Countries/E/RUS/Krasnoyarsk/AryMas.htm

terça-feira, 27 de abril de 2010

Por falar em vulcões: o Beerenberg, na ilha Jan Mayen



Um vulcão activo, o Beerenberg (2277 m), domina a ilha europeia de Jan Mayen. É o mais nórdico dos vulcões activos no planeta.

Jan Mayen é uma pequena ilha (380 Km2) ártica e estéril, coberta de gelo excepto nos meses de verão onde exibe algumas ervas e musgos. Situada a 71°N , 8° 30' W, ergue-se inesperadamente do Atlântico Norte, 950km a oeste da Noruega e 600 km a norte da Islândia. É o lugar mais remoto de todo o hemisfério norte, muito acima do círculo polar ártico e a dias de viagem de qualquer outro local.

Geograficamente, o mais notável é o Monte Beerenberg, cujo topo (a cratera vulcânica) está coberto por uma capa de gelo que envia glaciares em todas as direcções. A paisagem do resto da ilha, quase rasa, é de pedra de lava negra e musgo verde. Um glaciar precipita-se do alto da cratera para o mar.

Jan Mayen está sob soberania da Noruega desde 1922. É habitada desde 1912 por uma equipa de investigadores - actualmente são 18 - que opera as estações de rádio, meteorologia, vulcanologia e marítima e mantém as infrastructuras - edifícios, pista de aterragem, central de energia.

A cratera principal - vê-se o início de um dos glaciares.

Do Beerenberg conhecem-se 7 erupções entre 1732 e 1985. As mais recentes foram em 1970 ( a mais forte) , 1973 e 1985.
´
A erupção de 1970 foi a única que mereceu cuidada observação e atenção da Europa:

Olonkinbyen (Olonkin City) é o nome da base permanente onde habita o pessoal científico que opera as diferentes estações de medida. Além de escritórios e laboratórios, dispõe de inesperado conforto - biblioteca, bar, sala multimedia, ginásio, sauna, amplas salas de convívio e refeitórios, corredores decorados, um museu e uma piscina!


Um lugar de mistério e desolação, aventura e ciência. Podia ser esta a Última Thule.


Mapa:

domingo, 18 de abril de 2010

Mais imagens do vulcão Eyjafjallajökull



Assim era o Eyjafjallajökull antes da erupção, com o cone coberto por um espesso manto de gelo.

Enquadramento do glaciar, ainda no início da erupção





Vídeo do telegraph.co.uk:
http://www.telegraph.co.uk/earth/earthvideo/7544497/Icelandic-volcano-spews-more-lava-dramatic-pictures.html /

(imagens do Flickr)

sábado, 17 de abril de 2010

Eyjafjallajökull

Com um nome destes, não admira que rebente em explosões de lava e lance toneladas de cinza pelos céus.

Os homens esquecem facilmente que o planeta não é um hotel com spa e ar condicionado (felizmente). E a fragilidade dos nossos "life-supporting systems" é evidente perante fenómenos como este: muitas das comodidades que damos por adquiridas entram em completa falência.

Do que mais precisamos não é de "proteger o planeta Terra": é sim , e cada vez mais, de nos proteger do planeta Terra. E isso só com mais ciência.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Belo fim de tarde na CM

Com a Real Filarmonia da Galiza, dirigida por Alasdair Neale (orq. San Francisco): foi um concerto de bom nível sem deslumbrar.

O programa era soberbo:
De Mozart, o Concerto para piano nº 23 (Deszö Ranki, pn).
- com a orquestra reduzida, algo tímida e inexpressiva, os sopros inaudíveis, mas uma sonoridade bonita e elegante. O piano correcto, sem mais. O adagio sofreu, demasiado lento.

De Beethoven, a sinfonia nº 3 , Heróica
- outra loiça: orquestra em pleno, bem ensaiada e coordenada, momentos difíceis bem conseguidos. Mais uma vez, só no adagio arrastou em excesso, mas o 3º e 4º andamentos compensaram, articulados, expressivos, triunfais.

Sala cheia. Saí contente.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

nuannaarpoq


nuannaarpoq = "um extasiado prazer em estar vivo", na língua nativa do norte da Gronelândia.


É uma lingua em perigo de lenta extinção, o que trará a perda de palavras e de expressões adequadas ao meio do ártico, como as que designam neve ou gelo, a que já me referi aqui.

Tal como na língua alemã, em gronelandês as palavras agregam-se formando palavras compostas maiores. Além disso, subtilezas de terminação dão um significado diferente.

Ilissivik é prateleira mas Ilissivit é estante. Ilissiverupa é o verbo para "guardar uma coisa em sítio seguro mas ser incapaz de a encontrar" . Simpática linguagem !
Um caso sério de Ilissiverupa ! :)
Ao contrário dos óculos, que quando são perdidos se voltam a encontrar, uma língua, uma vez perdida, e mesmo que bem guardada, nunca mais volta a ser encontrada.
Texto adaptado de Nancy Campbell




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais um pesadelo à vista


Esta imagem que até parece "gira" é de facto assustadora.

Trata-se de uma campo de energia emitido por um gerador de raios X, instalado desde 1996 num laboratório americano onde é utilizado para fazer testes de resistência a ogivas nucleares .

Formado por fios de aço entrelaçados e cisternas de água , percorridos por impulsos eléctricos, é capaz de produzir desde 2006 - e sem que ninguém saiba porquê ! - temperaturas 4 a 6 vezes superiores às de uma bomba de Hidrogénio.

Ou seja: muito mais do que o necessário para se produzir uma "arma de destruição maciça" limpa, sem urânio nem radioactividade !

Que bom, não é ? Mesmo o que estávamos a precisar ! :(((((

Sandia National Labs/Eyevine