Quais eram os nomes das cidades
domingo, 20 de setembro de 2026
Michael Ondaatje, três poemas pasmados perdidos
Quais eram os nomes das cidades
domingo, 28 de junho de 2026
W. B. Yeats, partir para Innisfree ! (traduzido)
Loch Gile
Traduzir o intraduzível, poemas, mania minha. Como já disse uma vez, só o faço porque fico a gostar ainda mais do original, a conhecê-lo melhor e a sentir que foi escrito, também, para mim.
Este é um daqueles Yeats que nunca teve uma tradução decente, seja em francês, espanhol ou português. É preciso sempre recorrer a alterações radicais de forma a manter uma linguagem minimamente coerente; tentei que, sendo radicais, mantivessem a essência do que (penso) o poeta quis dizer. Pareceu-me que manter a rima era essencial; mas atropelar a métrica, minimamente aqui e ali, foi a consequência, espero ter mantido um ritmo aceitável. Horas e horas à volta de Yeats.
Na Irlanda do período enegrecido e enevoado da primeira indústria, a utopia de regresso à Natureza pristina que nunca esquecemos, como um filho pródigo ao seu lar. Uma tentação da meia-idade.
Vou levantar-me já e partir, partir para Innisfree,
Onde hei-de erguer uma cabana, de vime e de madeira,
Aqui nove renques de feijão, e uma colmeia de mel ali,
Irei viver a sós, eu e as abelhas zumbindo na clareira.
Lá terei sossego, pois a paz vem descendo devagar,
Desce dos véus da manhã e pousa onde os grilos cantam.
Lá a meia-noite cintila, o meio-dia é urze roxa a fulgurar,
E a tarde cheia de asas dos pintarroxos que voltam.
Vou levantar-me já e partir, pois noite e dia
Ouço as águas do lago, nas margens de leve a chapinar;
Andando eu na estrada ou em cinzenta rodovia,
1889
Lake Isle of Innisfree
domingo, 31 de maio de 2026
E livros ? Também, incluindo poesia, BD e enciclopédia.
Livros em espera ou apenas iniciados.
The still point, Amy Sackville (trad. francês: Là est la Dance)
"Still point' é um ponto fixo, o Pólo Norte, que não se movimenta durante a rotação diária. A narrativa recorda a vida de Edward Mackley, explorador (ficcional) do Ártico que, em rota para o Pólo desaparece subitamente na paisagem de gelo, sem deixar traços.
New York Times: Sackville agita a linguagem como uma varinha mágica ... a sua prosa recorda-nos o prazer de ser transportados para mundos longínquos apenas pela palavra escrita; a proeza parece mágica, não técnica.
The Guardian: Os dois mundos do gelo e do calor, separados por um século, no cuidado equilíbrio de uma prosa requintadamente contida.Bagatelles, Jenny Erpenbeck
(Tralha, tralha ! É o que constrói a mão dos homens. )
Conversation Poems, Coleridge
Extracto (traduzido):Minha pensativa Sara ! a tua face assim reclinada
sobre o meu braço, ainda mais doce torna
estar aqui sentados junto à nossa casita, recoberta
de branco Jasmim florido, e densa folhagem de Mirto,
(aí estão sinais de Inocência e Amor !)
e olharmos as núvens, tão belas há pouco na luz da tarde,
entristecendo devagar, ver surgir a estrela da alvorada,
serenamente luminosa (tal como a Sabedoria)
a brilhar no lado oposto! Como são refinados os aromas
emanados daqueles feijoeiros! e o mundo tão apressado !
O murmúrio sussurrado do mar distante
Fala-nos do silêncio.
BD J'ai toujours rêvé d'être un fermier, Jean Harambat
PETIT LAROUSSE 2027
domingo, 10 de maio de 2026
Coleridge, 'Frost at Midnight' (Geada à Meia-noite), intemporal
É um poema bem conhecido de Samuel Coleridge (1772-1834) poeta romântico, contemporâneo da máquina a vapor e do início da industrialização, antecessor de Thomas Hardy (1840-1928). Viveu o início da Pax Britannica (1815-1914) que precedeu a era victoriana, em que a Europa Ocidental esteve em paz quase um século, período de prosperidade e de florescimento das artes. Isso favoreceu a esperança no futuro, uma mentalidade positiva romântica - o completo inverso de hoje - que se reflecte no desejo do regresso à Natureza, uma Natureza deificada, como Colerige conheceu no Lake District.
Referi Thomas Hardy porque ele admirava Coleridge e em particular este poema, que o emocionava intensamente. Soube isso com a leitura de Winter, o livrinho de que acabei de ler.
Há imensos estudos sobre o significado de Frost at Midnight, de 1798, fáceis de encontrar na net. O que não há é boas traduções, pelo menos em português ou espanhol (castelhano). Aventurei-me , esforcei-me, e este é o resultado. Durante a tradução, curiosamente, fiquei a gostar ainda mais do poema. Genial. Mesmo que invoque Deus, fá-lo numa perspectiva neo-platónica, menos mal.
Nota: a palavra 'stranger' (que traduzi como estranho, visitante) é uma referência ao termo popular que designa a luzita azul quase extinta sobre as brasas, prenúncio de alguém ainda desconhecido que está a chegar.
A Geada prossegue no seu ofício secreto
sem ajuda de vento algum. O canto da coruja
soou alto — e ouçam! Tão alto outra vez.
Os residentes da minha casita, que descansam,
deixaram-me nesta solidão, que propicia
mais abstrusas reflexões; excepto que, ao meu lado
a minha criança de berço dormita serenamente.
Mas que calma ! Tanta calma que até perturba
e irrita o pensamento, com essa estranha
e extrema quietude. Mar, colina e bosque,
que povoada aldeia ! Mar, e colina e bosque,
com todos os múltiplos cursos da vida,
inaudíveis como sonhos ! A ténue chama azul
paira sobre as brasas da lareira, já não treme;
só a fina película, que dançava sobre a grelha,
ainda ali trepida, única coisa palpitante.
E penso: a sua agitação neste sossegado ambiente
dá-lhe uma leve afinidade comigo, que vivo,
tornando-a uma forma companheira,
cujos míseros tremores e caprichos a mente ociosa
interpreta conforme seus humores, a toda a volta
buscando eco ou espelho de si mesmo,
e faz do Pensamento brincadeira.
Mas, ah! Quantas vezes,
quantas vezes, na escola, de mente crédula
e cheia de presságios, eu observei as grades
à procura daquele trémulo 'visitante' ! E tantas vezes
sem fechar as pálpebras, eu já sonhava
com a doce terra onde nasci, e a velha torre da igreja
cujos sinos, única música dos pobres, soavam
da manhã até à noite, todo o dia de festa ao sol quente,
tão doces que me inquietavam e assombravam
com um prazer selvagem, soando aos meus ouvidos
como sons articulados de algo que está para vir !
Assim olhava eu, até que esses sonhos suaves
embalavam o meu sono, e o sono prolongava os sonhos!
E sntão eu ruminava toda a manhã seguinte
receoso diante do rosto severo do preceptor, de olhar fixo
a fingir atenção ao livro que flutuava.
Excepto se a porta se entreabria e eu podia lançar
uma espreitadela furtiva, o coração em sobressalto,
pois ainda esperava ver o rosto do 'estranho',
um conterrâneo, ou uma tia, ou uma irmã mais adorada,
parceira de folias quando ainda vestíamos de igual !
Querida criança, que dormes no berço a meu lado,
teu suave respirar ouço nesta calma profunda,
preenchendo os intercalados espaços
e as pausas momentâneas do pensamento !
Meu bébé, tão bonito ! que o meu coração vibra
com terna alegria, só de te contemplar,
e pensar que hás de aprender tão vastos saberes,
e em outras distantes paisagens ! Pois eu fui educado
na grande cidade, fechado em claustros escuros,
e nada de belo via senão o céu e as estrelas.
Mas tu, meu filho! hás-de vaguear como uma brisa
pelos lagos e as praias de areia, sob as escarpas
de antigas montanhas, e sob as nuvens
que espelham no seu bojo os lagos e as praias
e as montanhas: assim, verás e ouvirás
as formas adoráveis e os sons inteligíveis
daquela língua eterna, a que o teu Deus
pronuncia, ele que desde a eternidade proclama
estar em tudo, e todas as coisas n’ele.
Grande Professor universal ! Ele dará forma
ao teu espírito, e ao dar, o fará querer mais.
Deste modo, todas as estações te serão doces,
quer o Verão ao revestir a terra
de verdura, ou o tordo ao pousar e cantar
entre tufos de neve sobre o galho seco
na macieira coberta de musgo, enquanto palha fria
fumega derretida ao sol; quer as gotas de orvalho caiam
mal se ouvindo entre os transes do trovão,
ou ainda o ofício secreto da geada
as pendure em agulhas de gelo, silenciosas,
brilhando serenas à serena Lua.
Samuel Taylor Coleridge
[tradução minha]
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Este poema faz parte de uma colectânea intitulada "Conversation Poems"
domingo, 18 de janeiro de 2026
O Natal 'negro' genial de T. S. Eliot, 'Journey of the Magi'
Foi no blog The Silvertree Café que li, ou reli talvez, não me recordo, este poema de Thomas Stearns Eliot, escrito, segundo ele próprio, depois da missa e de meia garrafa de gin. É inesperada a perspectiva da Natividade vista por um dos Reis Magos (que seriam reis/sacerdotes persas zoroastrianos), e perturbador ou mesmo subversivo o que ele tem para nos dizer.
A Jornada dos Reis Magos
Uma vaga de frio, que sorte a nossa,
foi só a pior época do ano
para uma viagem, e uma viagem tão longa:
Os trilhos profundos e o clima agreste,
no pino do inverno.
E os camelos irritados, com os pés doridos, refractários,
deitados sobre neve a derreter.
Houve momentos em que chorámos
os palácios de Verão em socalcos, os terraços,
e as meninas de seda trazendo sorvete.
Depois, os homens dos camelos que praguejam e resmungam
e fogem, e querem álcool e mulheres,
e o fogo nocturno que se apaga, e a falta de abrigos,
e as cidades hostis e as vilas inóspitas
e as aldeias sujas que cobram preços altos:
Passámos momentos difíceis.
Acabámos por preferir viajar toda a noite,
dormindo de quando em quando,
com vozes nos ouvidos a dizer
que tudo isto é uma loucura.
Depois, de madrugada, descemos para um vale temperado,
húmido, abaixo da cota da neve, um cheirinho a vegetação;
Com um riacho a correr e um moínho de água vencendo a escuridão,
e três árvores que se recortam no céu baixo,
e um velho cavalo branco a galopar pelo prado.
Depois passámos numa taberna com folhas de videira no lintel,
seis mãos jogando aos dados por moedas de prata,
e pés golpeando os odres vazios,
mas não havia nenhuma informação, e então continuámos
e chegámos ao anoitecer, por pouco já era tarde
quando encontrámos o lugar; foi (por assim dizer) satisfatório.
Tudo isso foi há muito tempo, recordo,
e eu voltaria a fazer o mesmo, mas que fique registado
isto fique registado
isto: o que nos guiou na caminhada foi
Nascimento ou Morte? Houve um Nascimento, certamente,
Ttvémos provas e nenhuma dúvida. Eu tinha visto nascimento e morte,
mas pensava que eram diferentes; este Nascimento foi
uma severa e amarga agonia para nós, como a Morte, a nossa morte.
Voltámos às nossas terras, a estes Reinos,
mas já não estamos à vontade, na antiga indulgência,
entre um povo estranho agarrado aos seus deuses.
Devia sentir-me feliz por outra morte.
A narrativa dos Reis Magos encontra-se no Evangelho de S. Mateus; Eliot foi lá buscar muitas ideias e mesmo citações, como a dos "odres vazios" da taberna onde não há informação, leia-se, o mundo secular pagão sem regras, da magia e astrologia, onde o divino está ausente. Jorram metáforas, verso após verso - "jogando aos dados por moedas de prata", alusão à traição de Judas...
A primeira edição, na Faber and Gwyer
Mais importante: o nascimento de um mundo novo é o fim do mundo velho, nascimento e morte interligados. E tragicamente trata-se da NOSSA morte afinal.
Não existe outra tradução decente, as que há são brasileiras e muito más, de tradutores atabalhoados que desvirtuam tudo. Mas tive dúvidas também e ainda não compreendi bem o verso final. Se calhar traduzi-o mal - 'another death ' será 'outra' ou 'uma outra' , ou seja, no sentido de 'mais uma' ou de 'uma diferente' ?
Poema fenomenal, poema terminal. O original aqui.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Três poemas de Ana Hatherly , sobre: o Saber, a Análise, os Portugueses.
Poemas extraídos de "Um Calculador de Improbabilidades", de Ana Hatherly, ed. Quimera, 2001.
sobe o sabor do saber
acima da indiferença
por onde passa
o saber
passa
o sabor da diferença
[de O Cisne Intacto]
A Análise
O barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o corpo cai
o corpo dói
português vai
português cai
o barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o país cai
o país dói
o tempo vai
o tempo dói
português cai
português vai
português sai
português dói
domingo, 2 de novembro de 2025
Um paraíso no meio da guerra - o parque Shevchenko em Kharkiv
Já aqui publiquei post sobre Kharkiv, a cidade mais mártir da Ucrânia, constantemente bombardeada. Falei também do seu excelente Museu e da magnífica arquitectura. Uma publicação de há alguns dias no Threads mostrou-me uma perspectiva do Parque Shevchenko admirável de paz e elegância.
Fundado em 1804 como Jardim da Universidade, é também Jardim Botânico e encerra um Observatório Astronómico com cúpula de observação e um museu.
Só quero ilustrar o jardim das fontes, que se prolonga na base de uma monumental escadaria:
domingo, 17 de agosto de 2025
Cinco poemas de W. B. Yeats, por mim traduzidos
sábado, 19 de abril de 2025
Livros e Música para uma Primavera imprevisível
A habitual selecção para as próximas semanas, a ver se lava a mente da sujeira que tem absorvido deste mundo.
The Glass Marker, Tracy Chevalier
Já me deu alguns dos melhores livros que já li: The Lady and the Unicorn, Girl with Pearl Earrings, Burning Bright, A Single Thread. Este passa-se em Veneza e Murano, e também é uma novela histórica ligada às artes - neste caso à arte dos vidreiros de Murano. Duas famílias de fabricantes, os Rosso e os Barovier, competem e colaboram para garantir o mercado mais importante - o alemão, com o grande entreposto junto a Rialto. Toda a narrativa segue a vida de Orsola Rosso desde a adolescência, e sucessivas Orsolas através dos séculos. Um grande fresco, com vívidas descrições como esta, em que Orsola Rosso e o irmão Giacomo, conduzidos pelo remador Bruno, se dirigem para a feitoria alemã.
"Seguiram pelo Grande Canal, tendo-se Bruno alinhado com
uma longa fila de barcos que deslizava em direcção ao pórtico. Embora já tivesse feito este caminho antes, mantinha-se em silêncio, suando enquanto manobrava para não abalroar o barco que o precedia, carregado de tapetes. Outros em volta transportavam seda, madeira, barris de vinho, especiarias; havia mesmo um carregadinho de limões. Enquanto esperavam para desembarcar, Orsola viu passar por eles uma peata que levava caixotes de madeira de Murano, como os que os Rosso utilizavam. Estavam marcados com letras, mas não conseguiu ler.
-"Moretti", esclareceu Giacomo ao dar conta da atenção intrigada da irmã. "O mercador deles deve ter inspeccionado os artigos de vidro e feito um inventório, e agora segue para São Marcos onde as caixas serão transferidas para navios que seguem primeiro para sul, depois para este ou oeste. A mesma coisa acontece com os nossos vidros."
Orsola nunca tinha pensado na viagem que os vidros faziam após partirem de Murano, embora uma vez ou outra tentasse imaginar onde iam parar: numa mesa posta em Londres, por exemplo, cada lugar com os seus cálices Rosso. "
La Rochelle
Thomas Brosset e Maggie Cole, ed. Le Croît Vif
Um relato bem documentado da Liga Hanseática : as suas várias cidades e entrepostos, as ligações entre eles, os negócios e as políticas, tudo para ressaltar a magnífica cidade de La Rochelle, entreposto francês importante pela produção de sal e vinho. Poucos sinais restam da Liga, mas toda cidade foi construída sobre essa herança.
Casa ao estilo hanseático, Place Verdun, La Rochelle.American Faith , poemas de Maya C. Popa
Sarabande Books
Já várias vezes aqui coloquei poemas de Maya C. Popa.
Hummingbird ( 'Beija Flor') , excerto traduzido
Alexander Grin, trad. Irina Lobatcheva e Vladislav Lobatchev
Já sei: se estou a ler historinhas para jovens adolescentes, está-se a agravar a minha senilidade. Acontece que nunca tinha lido Alexander Grin, não fez parte dos meus contos em criança; li Peter Pan, Alice, Irmãos Grimm, Andersen, Selma Lagerlof, depois C.S. Lewis, mas ninguém me falou de Alexander Grin. É um escritor russo do início do século XX de historinhas de ficção mágica, terras inventadas e narrativas heróico/românticas, digamos como a Narnia mas sem guerras. As Velas Escarlate (ou Velas Carmesim) é o conto mais famoso: muitíssimo bem escrito, com riqueza de detalhes e de peripécias, bem traduzido para inglês pelos irmãos Lobatchev.
CDsnarrado por Judi Dench
Não só é uma versão integral , como a narradora é Judi Dench, aquela voz inimitável de um sublime inglês teatral. Conta ainda com Kathleen Battle na 1ª fada, e a direcção de Seiji Ozawa. Para a versão apenas orquestral, há melhores escolhas, mas escutar esta dicção cativante e amável é uma experiência sem igual.
Mozart, sonatas para violinoAlina Ibragimova (vln) e Cédric Tiberghien (pn)
E deixo talvez o melhor para o fim:
Árias de TelemannDorothee Mields, com a L'Orfeo Barockorchester
domingo, 23 de março de 2025
Primavera, dois poemas de Maya C. Popa
Sky rinsed blue above the yellow grass and wind-shorn clouds as thin as mist - how often I have failed to look when looking would have changed me. I can't name much beyond the obvious handful of features of the patient whole, branches poised for next month's bloom, triangle of geese, the peat set low against the largest rock formations the wind interrupts repeatedly against, and the tree that grows at such a slant it tests the verdict of the eye, sending mind down roots as serious and sure and green as sunlight's own renewing.
Limpeza de Fevereiro









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