Continuando a visita que fizémos a Bath, agora vamos subir a encosta da colina onde a cidade está pousada, na margem do rio Avon. Podemos partir de onde tínhamos terminado , em Old e New Bond Street, ruas de lojas refinadas.
Onde se juntam as Bond Street, começa Milsom Street, a rua de prestígio mais famosa de Bath; bordada de prédios do séc XVIII, alguns classificados, alguns com estilo palladiano, é uma das ruas comerciais mais celebradas da Europa, alinhando lojas de prestígio, que vai subir até Queen Square.
O inícioNºs 37-42: Um conjunto majestático de cinco prédios, dos quais o central com um frontão em arco, ladeado por colunas Coríntias.

Chegando ao topo, para continuar na mesma direcção, passámos por uma viela estreita com escadas, Bartlett Street:
Na subida passámos nas Assembly Rooms, uma obra de 1771 que funcionou sobretudo como clube de jantares dançantes, bailes e concertos para a alta sociedade, como foi moda no séc. XVIII. Quando visitámos tinha algumas peças em exibição e uma cafetaria com esplanada: morríamos por um café bem forte.
Tanto quanto sei, está fechada para obras, já que o National Trust tem um projecto de animação especial que passa pelo Bath International Music Festival, mas não só.
Lá dentro funciona um Museu da Moda; achei alguma 'graça' a esta liteira do século XVIII, que era suspensa entre duas varas de madeira e transportada a braços por dois carregadores.
Uma espécie de Tuktuk de há três séculos, altamente classista.
À medida que se sobe, vamos encontrando ruas mais residenciais, onde fileiras de fachadas georgianas se alinham em recta ou em curva.
Bennett Street

Assim termina Bennett Street, no topo, ao chegar a The Circus
Um mapinha ajuda.
The Circus e The Royal Crescent
o nec plus ultra georgiano
Duas jóias desta arquitectura do século XVIII , The Circus (A Rotunda) e The Royal Crescent (O Crescente Real) estão no topo da encosta de Bath, interligados, e formam um dos mais extraordinários exemplos de arquitectura neo-clássica.
The Circus e, ao longe, Royal Crescent. Que conjunto !
The Circus
Construído entre 1754 e 1768, é uma rotunda seccionada em três partes pelos arruamentos de entrada/saída - Bennett St., Gay St., Brock St. - e um relvado circular em torno de cinco grandes plátanos, plantados por volta de 1820.
Entre os residentes mais notáveis nesta Rotunda, destaco o pintor T. Gainsborough, o explorador David Livingstone, o inventor do telefone Graham Bell.
Na arquitectura neo-clássica das fachadas são utilizadas três Ordens Clássicas, a Dórica, a Romana e a Coríntia, em faixas horizontais sobrepostas. Os frisos dóricos sobre o rés-do-chão estão decorados com múltiplos símbolos - náuticos, zoológicos, maçónicos, das artes e das ciências.
Regresso a casa ?
Entrámos pela Bennett, saímos pela Brock Street, para o Royal Crescent :
The Royal Crescent
Não sei bem porque é que se construiu tanto para as classes altas e aristocráticas em Bath. Esteve certamente na moda na época victoriana, devia ser 'bem' para um londrino ter uma moradia em Bath. Moradias em banda, claro, que é o modelo em todas as ruas nobres da cidade.
De todos os 'crescentes' no Reino Unido, este deve ser o mais prestigioso.
A glória neo-clássica de Bath: Royal Crescent. Construído entre 1767 and 1774, este semi-círculo residencial é o período Georgiano no seu esplendor.
É possível visitar o nº 1, adaptado a casa museu. Não achei interessante, está muito decorado-para-turista-ver. Há ainda mais alguns 'crescentes' para trás no cimo da encosta, não fomos ver.
Na descida, optámos por outro percurso, paralelo, pela Gay Street, uma das ruas georgianas mais bonitas. Atenção que 'Gay' é inglês antigo para 'alegre', uma espécie de "rua da Alegria". Voltando à Rotunda, Gay Street é outra das saídas.

É sempre a descer, num belo alinhamento de portais, janelas e telhados.
Já em Queen Square, uma praça vulgar, está a Casa de Jane Austen com a Regency Tea Room. Caía mesmo bem um lanchinho, entrámos.
Numa breve volta pela casa vimos logo que a parte de exposição não interessava nada. Regency Tea room:
A perfeição não foi alcançada, mas estivemos perto disso.
Descemos poor Broad Street, estreita rua comercial.
Um belo espectáculo, com as torres e agulhas e chaminés sobre os telhados. Mas muito íngreme, ficamos com as pernas numa miséria.
Num outro dia fui ao Museu Herschel. Além do Museu dos Banhos Romanos, é o outro museu de Bath que vale a pena, dedicado ao astrónomo Wiiliam Herschel e aos primórdios da astronomia científica.
19 New King Street, Bath
Herschel foi também compositor, pianista e cravista. Música e Astronomia ligam na perfeição, como sabemos.
Planetário em latão, 1785. O planeta Urano descoberto por Herschel em 1781 está no extremo do braço mais longo, com duas das suas luas. Uma réplica do telescópio de 2 metros usado na descoberta está junto à janela:
O original está em Greenwich.
William e a irmã Caroline Herschel, caçadora de cometas !
Nas traseiras há um quintal, onde Herschel (com a colaboração da irmã) descobriu Urano com uma lente de 6 polegadas (~15 cm). Há um pedestal moderno, de 1997, a celebrar as observações astronómicas no jardim; no topo, uma esfera armilar atravessada por um ponteiro, que funciona como relógio solar.

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'The Paragon', de 1768
Bath é uma obra-prima de cidade, está visto. Haveria muito mais - jardins, casas, museus, beira-rio - mas vou terminar com uma rua que me surpreendeu, espantou, e que ainda hoje penso ser única no mundo: uma rua que desce serpenteando, alinhada de um dos lados por uma fileira de 37 casas de arquitectura georgiana sem qualquer loja ou travessa que a interrompa. Obra de 1768, de Thomas Warr Attwood, que nem sequer era arquitecto.
Vista de balão, é um S
Uma espécie de auto-estrada residencial; é parcialmente desnivelada - um dos passeios pedonais sobe a uma cota mais alta! O arquitecto desta rua devia ser lunático ou visionário, deve ser altamente incómodo morar lá - mas visualmente é um portento. É anterior ao Royal Crescent.
Casas geminadas a perder de vista. Com a expansão da cidade no século XVIII, foi uma solução encontrada para a classe média. Não gostava de lá viver...
As primeiras casas nos 1-21, de 1768, estão classificadas pelo National Trust. Cada edifício tem portas e janelas com frontões centrais; cornijas nas janelas do 1º andar, pilastras e frontões toscanos nas entradas.
Este desenho continua quase idêntico nos números seguintes 22 a 37, de 1775.
Há alguns indícios de que a rua pode ter sido construída sobre uma estrada romana, a estrada que ligava os Banhos de Bath a Lincoln (Lindum) ; outros indícios apontam para que fosse parte do percurso da muralha medieval.
E termino com outra beleza que não arquitectónica: não faltam belos jardins em Bath, mas as margens do rio Avon são inigualáveis.
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* na Ásia fazem-nas mas são Kitsch recente para turistas.
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