terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo no Arte


Bons momentos na passagem de ano, para quem ficar por casa:

Arte, dia 31, 17.25-18.45
Fil. de Berlin com Lang Lang ao piano dirigidos por Simon Rattle
Dansas, ritmos, melodias ao gosto da quadra.

Arte, dia 1, 17-40-18.45
Segunda parte do Concerto di Capodanno - uma tradição veneziana - com grandes árias da ópera italiana, como o  'Va' pensiero ' de Nabucco ou o 'Brindisi' da Traviata.

AUGURI !


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Que é que vai sair daqui ?



Desconfio que não vai ser gande coisa.


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Esta foi a mensagem nº 1111 deste Blog.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Leitura a acabar o ano:
'Stoner' de John E. Williams


Disse-me bastante, este livro, em parte por narrar a vida de um professor, os seus conflitos e contradições, glórias e vergonhas, surpresas e desenganos, sobretudo desenganos. O professor Stoner ensinava Literatura Inglesa na Universidade do Missouri, tinha nascido de uma família camponesa pobre e a sua primeira traição foi apaixonar-se por poesia e literatura em vez de técnicas modernas de cultivo. Ano após ano foi construindo a sua carreira tal como mobilou o seu escrtório, com minúcia, dedicação e gosto.

(...) it was himself that he was attempting to define as he worked on his study. As he sanded the old boards for his bookcases, and saw the surface roughnesses disappear, the gray weathering flake way to the essential wood and finally to a rich purity of grain and texture — as he repaid his furniture and arranged it in the room, it was himself that he was slowly shaping, it was himself that he was putting into a kind of order, it was himself that he was making possible.

 John Williams, Stoner


Stoner era um solitário, desterrado por decisão própria numa cidade, numa universidade e numa família onde não se sentia à vontade, onde era um outsider; não conseguira amigos e só nos livros encontrava conforto.

Sometimes, in his attic room at night, he would look up from a book he was reading and gaze in the dark corners of his room, where the lamplight flickered against the shadows. (...) The past gathered out of the darkness where it stayed, and the dead raised themselves to live before him; (...) Tristan, Iseult the fair, walked before him; Paolo and Francesca whirled in the glowing dark; Helen and bright Paris, their faces bitter with consequence, rose from the gloom. And he was with them in a way that he could never be with his fellows (...)

John Williams, Stoner

E o ensino? Stoner conseguia cursos muito bem sucedidos de quando em quando, admiração de uns alunos, ódio de outros, mas não sendo "da casa" davam-lhe quase sempre os piores horários e os cursos mais elementares.

The years immediately following the end of the Second World War were the best years of his teaching; and they were in some ways the happiest years of his life. (...) He worked harder than he had ever worked; the students, strange in their maturity, were intensely serious and contemptuous of triviality. Innocent of fashion or custom, they came to their studies as Stoner had dreamed that a student might - as if those studies were life itself and not specific means to specific ends. He knew that never, after these few years, would teaching be quite the same; and he committed himself to a happy state of exhaustion which he hoped might never end. He seldom thought of the past or the future, or of the disappointments and joys of either; he concentrated all the energies of which he was capable upon the moment of his work and hoped that he was at last defined by what he did.

John Williams, Stoner

O sonho de um professor: que o estudo seja para o estudante a própria vida, e não um meio para atingir algum fim. Utopia.

É um romance de feitura clássica, muito bem construído, que narra com solidez, eficácia e alguma secura a história de uma vida essencialmente desalentada, triste e inútil. Quando acaba, acaba: só resta o silêncio.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Prenda de Natal: Von Otter e Costello


Para quem cá vier por estes dias, aqui deixo uma miniatura (há quem diga "miminho"):

"Green Song", cantada por uma dupla improvável,
Anne Sofie von OtterElvis Costello


Green Song
...

Is patience exhausted?
Are your pockets picked clean?
I was lost in the next world
Or somewhere in between.
And it's much as predicted,
They go down that same track.
They say they'll return
But they never come back.

Fine rain was falling on the gravel and glades.
The last rays of September bejewelled broken blades.
Are you still restless'
Or are you serene?
As the red earth lies under just a covering of green.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Elegia do Inverno, por John Surman


Hoje, no dia mais curto, a música de Surman é boa companhia.




Sorte para os antípodas, com o sol a brilhar no céu até bem tarde:

Sol da meia noite num Dia de Natal antártico.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Drohender Schneesturn: Paul Klee, 18/12


Vergonha minha, deixei passar o dia de nascimento do pintor suíço Paul Klee, um dos que provou que o seu país é muito mais que aquilo a que alguns o reduzem.

Neste tempo frio e cinzento, fica aqui bem "Drohender Schneesturn", Tempestade de Neve Ameaçadora, e não um dos seus quentes quadros magrebinos. Paul Klee será sempre para mim uma festa, uma esfuziante festa de arte pictórica, de Verão ou de Inverno.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Prendas


Do Soares: que se cale com araldite.
Do Coelho: que vá aplicar austeridade no Zimbabwe.
Do Portas: que se reforme com pensão de sobrevivência.
Do Seguro: que se desvaneça no ar como bola de sabão.
Do Sócrates: que faça lusofonia com o Relvas e não volte.
Do Cavaco: que regresse à escola primária, com exame obrigatório.
Do Crato: que leia 1000 vezes o que escreveu, e escreva 1000 vezes o que disse.
Da Lagarde: que vá de joelhos a Fátima expiar os maus conselhos.
Da Merkel: um curso "como manter crescimento à custa de parceiros sonsos".
Do Obama: que lave bem as mãos depois dos cumprimentos.
De Putin: que se vá a gerir um Gulag lá para Norilsk.
De Bashar-el-Ashad: cicuta não, mas um tumor no pâncreas calhava bem.
De deus pai: um salto mutacional para outra humanidade.

É pedir muito?

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Estado outonal da minha Zelkova



Mostrei-a aqui há tempos, no Verão, bela copa verdinha. Está assim agora.

Entretanto a velhíssima oliveira, mesmo ao lado, não dá por nada, intemporal:


Coisa linda, as árvores.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A biblioteca infinita das cidades, segundo Nadir Afonso


Jorge Luís Borges e Nadir Afonso, dois geómetras do infinito.

"lo infinito es importante no sólo por su valor temático, pero también por su función en términos estructurales" *

"el narrador explora la extensión infinita espacial pero al mismo tiempo describe detalladamente la estructura fundamental" *


"no hay hecho, por humilde que sea, que no implique la historia universal y su infinita concatenación de efectos y causas” (Borges, El Aleph)

 Les villes

 Moyen Age

Barroso

Douro no Porto


Tal como o de Borges, o infinito de Nadir habita en résidence aqui no Livro.

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* 'Borges: una exploración del infinito' - Abhishek Agrawal

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nadir Afonso, 1920 - 2013



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ler e Reler: Dicionário de lugares imaginários,
'ficciones' para todos os gostos


A colecção de livros de viagem da Tinta da China editou finalmente um livrinho maravilhoso, do qual este 'Livro de Areia' se confessa leitor para sempre !


Trata-se de uma colectânea de textos sobre lugares míticos da ficção literária e não só - a Ilha do Tesouro, de Stevenson; Hogwarts, de J.K. Rowling; Thule, dos relatos greco-romanos; Narnia, de C.S. Lewis; A Terra do Meio, de Tolkien; a Utopia, de Thomas More; e de muitos outros autores -  Homero, Melville, Júlio Verne, Rabelais, Conan Doyle, Borges, Carroll, Kafka, F. Mendes Pinto... mas também Mozart, Wagner, Handel !

Organizadas por ordem alfabética (daí 'Dicionário'), as entradas são notas descritivas e históricas baseadas nos dados das obras originais; muitos dos textos vêm ilustrados com belas imagens ou mapas - sempre ficcionais, claro. É verdade que há descrições que podem desiludir, por comparação com a riqueza do nosso imaginário, e algumas são francamente pobres. Além disso, a recolha está longe de ser exaustiva; faltam por exemplo Hergé (Sildávia, Bordúria), alguns Borges fundamentais (Tlön, Uqbar), a Ilha de Morel de Bioy Casares; e noutros casos é excessiva - demasiados Tolkien, Ursula Le Guin, Edgar R. Burroughs (o do Tarzan). Mesmo assim, a colecção de referências é preciosa !

Os autores são dois bibliófilos - tinha que ser, leram imenso para aqui chegar - e James Cook desenhou os mapas. Muito bem encapado e encadernado, é uma prenda irrecusável para os tempos que passam - e nem sequer é caro.

Mapa de James Cook para o "Mundo dos Sonhos" de Lovecraft

Não resisto a transcrever alguns exemplos, dos mais curtos, como estes do delirante e impagável Luciano de Samósota (*) na sua História Verdadeira (séc. II !), frequentemente citado no livro:

ILHA DAS NOZES: No oceano Atlântico, perto do Mar Vegetal, assim chamado devido a certas árvores que nele crescem produzirem nozes enormes, com mais de cinco metros de comprimento. Os habitantes utilizam-nas como barcos.

MAR VEGETAL: Parte do Atlântico, com cerca de 75 km de comprimento, onde pinheiros e ciprestes flutuam sem raizes. Estas plantas estão tão densamente emaranhadas, que o viajante pode deslizar por cima delas com a ajuda de ventos fortes, desde que consiga primeiro içar o navio para cima das árvores


Ou esta de Italo Calvino (das Fábulas Italianas):

POCAPAGLIA: pequena aldeia do Piemonte, Itália, localizada no cume de uma colina cujas vertentes são tão abruptas e escarpadas que os habitantes penduram um saco debaixo dos rabos das galinhas para não perderem os ovos, pois de outro modo estes rolariam pela encosta abaixo até aos bosques.

;)



(*) Luciano de Samósata (125 AD, Samósata - 180 AD, Atenas)
"A História Verdadeira" é uma paródia de relatos de viagem, talvez a primeira obra de "ficção científica", escrita como sátira aos relatos fantasiosos de navegadores e aventureiros.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Solidário com a Ucrânia europeia



Há mais Europa na Ucrânia que nalguns países que nela estão contra vontade.

Ich bin ein ukrainischer.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Michael Sanderling à frente da OCM:
grande concerto, a terminar a temporada.


Menos mal, vá lá, desta vez o meu funesto pessimismo foi defraudado. A orquestra tocou lindamente, Michael Sanderling preparou-a e dirigiu-a com imensa segurança e controle, os metais e os pianíssimos estiveram admiráveis - coisa rara na OCM.


O 2º andamento foi para mim o mais bem sucedido. A alternância de secções foi vertiginosa e impecável, o humor presente a rodos fez-me sorrir várias vezes. O adagio final teve entrada avassaladora, as cordas impetuosas em crescendo, mas conseguindo depois quase-silêncios prolongados de arrepiar, como nos derradeiros compassos.

O programa original da C.M. (antes de este concerto ser transformado em homenagem) intitulava-se "Transfiguração". Foi o que sucedeu à orquestra. Estou satisfeito. Não ouviria melhor em casa (critério definitivo para avaliar um concerto).

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Cereja no topo: não avistei nenhum VIP; a polícia abundava fardada e à paisana mas o senhor, se lá foi, primou pela discrição. Ou então passou o concerto a jantar no restaurante, o que lhe deve cair mais no gôto. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mahler hoje na CM


Michael Sanderling, que dirige a Filarmónica de Dresden desde 2005, vem à Casa da Música interpretar a 9ª de Mahler. Espero um concerto digno, e apesar de a C.M. o dedicar aos 105 anos de Manoel de Oliveira, personagem mediana do cinema, quem estará para mim presente na elegia final é sobretudo Mozart, falecido a 5 de Dezembro. E também Claude Monet. E também Alexandre Dumas...

IV andamento, Sehr langsam und noch zurückhaltend
L. Bernstein à frente do Concertgebow:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Irresistível Joyce


Mascagni, pela primeira vez !  e com que facilidade...



Eu, não resisti. Três audições seguidas !

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

La Clemenza no Calderón de Valladolid / 2014


Do que eu gostava, era de ir passar quinze dias ou um mês para Salzburgo durante o festival, com bilhetes de primeira para tudo e passeios de verão pelo Tirol.

Mas arruinava qualquer hipótese de outras escapadas durante o resto do ano. E ficar um ano em casa não é opção.

Bom, portanto, vou arriscar ... Valladolid ! A 4h de viagem, um pouco mais longe que Lisboa mas muito menos que Madrid, vai estar La Clemenza di Tito, produção do Teatro Real de Madrid, que já foi ao Festival Mozart da Corunha dirigido por Fabio Biondi, e estreia agora no Teatro Calderón no fim de Janeiro:

O director cénico é Marco Carniti; uma encenação minimalista, moderna mas poupada, pouco mais que uma escadaria para todo o serviço, foi contudo um êxito em Madrid.

Em Valladolid toca a local Orquesta Clasica Europea, que nunca ouvi. Vivica Genaux será Sesto, e espero um Sesto de alto nível.

Aqui fica o Sesto de Vesselina Kasarova:
Parto ma tu ben mio


Non piú di fiori, aria de Vitellia, canta Dorotea Röschmann




Valladolid tem outros motivos de interesse:

A bonita igreja românica de Santa Maria La Antigua (séc. XI)

E o castelo único de Peñafiel...

Preciso de projectos, não consigo estar frente à TV a ver o tempo passar. Este é o meu projecto para iniciar 2014.

domingo, 1 de dezembro de 2013

CDs 2013


Os meus "discos do ano":

Maria João Pires e António Meneses,
O recital no Wigmore Hall


Schubert, Brahms, Bach, Mendelssohn e mais algo de mágico a dois.







David Zinman, Orq. Tonhalle de Zurique,
8ª Schubert (A Grande)



Irresistível de ímpeto, rigor e detalhe.







Prémio especial

Arabella Steinbach, Orq. Gulbenkian
Max Bruch, Concerto para violino



A Gulbenkian no seu melhor







Repescado de 2012

Os canadianos Tafelmusik são um agrupamento de música barroca de Toronto,  em instrumentos da época, aqui dirigido por Bruno Weil
Em Outubro de 2012 editaram este excelente CD gravado ao vivo, com a Italiana de Mendelssohn e a Heróica de Beethoven; como só o ouvi em 2013, fica aqui com uma menção especial - a melhor Italiana de sempre !

Outras músicas

June Tabor, Quercus





Canções lindas, melancólicas, nocturnas, acompanhadas com delicadeza ao piano e saxofone.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Ulaan Baatar, ou o mistério das imparáveis visitas mongóis


É uma coisa incrível, estranha, inexplicável: porque tenho, a acreditar nas estatisticas do blogger, visitas continuadas de um sítio tão remoto e imprevisível como Ulaan Baatar (ou Ulan Bator), capital da Mongólia ? Não percebo. Está sempre presente no mapa de visitas.

Muitos outros locais remotos e surpreendentes surgem e desaparecem, fazem visitas efémeras - que aliás me dão muito gosto. Mas Ulaan Baatar veio para ficar, anda sempre aqui metido, sem um intervalinho que seja de sumiço. Terei muitos seguidores por lá ? Mas afinal que terra é essa ?

Pretexto para mais uma viagem virtual no Livro !

Bonita 'Yurta' no centro de Ulaan Baatar.

Gandan, templo budista, a religião dominante. Ainda há vários na cidade, alguns entalados entre arranha-céus.

A minha perplexidade levou-me a fazer umas procuras - deixo aqui os resultados.

*
Trata-se de uma cidade de mais de um milhão de habitantes, o que já espanta no que pode bem ser a capital de maior interioridade do mundo, longe do mar como nenhuma outra. Com área de 1.564.115 km2, a Mongólia é um país enorme, quase do tamanho da Índia. Contudo não chega aos três milhões de habitantes, mais de um terço dos quais vive na capital - nada a ver com a capital imperial do tempo de Gengis Khan, atenção.


A História mongol foi épica e grandiosa . O fascinante Império Mongol foi tão extenso como o Romano, e abarcou, desde o Báltico e Danúbio até ao Pacífico, uma imensa faixa de território diverso em povos e civilizações. Não consigo sequer imaginar como foi possível, durante a nossa Idade Média, uma civilização tão pujante às portas da Europa. Uma Pax Mongolica garantiu no séc. XIII rotas de intenso comércio transcontinental pela Eurásia. Como era de esperar, após o apogeu no final do século, o Império acabou por se desmoronar e terminou em 1368.
Uma visão animada da expansão aqui:
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Mongol_Empire_map.gif

Essa glória passada sob o domínio da dinastia Khan ainda se esvaneceu mais tragicamente do que a nossa, portuguesa, vã glória - nada restou senão um território quase deserto no meio de nenhures, longe de tudo, pobre e atrasado, 'entalado' debaixo da Sibéria, com um povo nómada de pastores e umas poucas povoações num isolamento que só as viagens aéreas e o trans-siberiano ajudavam a minorar.

Estepe, deserto do Gobi e montanhas - um território ingrato.

E eis que, subitamente, depois de se emancipar da Rússia, surge um rápido enriquecimento com a exploração intensa de carvão, gás e minérios. Imensos depósitos de cobre, chumbo, muito ouro, tungsténio, urânio até, que o regime soviético aliás conhecia e guardara em segredo !

Mina a céu aberto, uma entre muitas.

Agora, quem lucra é a Rio Tinto, sobretudo, alguns personagens locais, muito, e a balança comercial, o que sobra. E a Mongólia parece outra coisa.

Entrada na capital. Igual a qualquer europeia.

A praça Sukhabatar, centro cívico da capital. Ao centro sob a colunata, uma enorme estátua de Gengis Khan, o ícone venerado. 

Ícone antigo

Ícone novo

Se a terra não dá para cultivo nem pasto, ao menos que dê energia e calhaus de valor em bolsa - uma preciosidade em tempos que correm. É que dos pastos têm dado cabo as cabras dos rebanhos criados no planalto pela famosa cachemira do Altai, que apesar da crise, continua famosa e relevante nas exportações; como o nosso vinho do Porto, é um produto único e requintado.


'Altai Cashmere':
http://mcashmere.com/brands/altai-cashmere.html

Agora, a Mongólia de fértis subsolos, esburacada por todos os lados, deixa rapidamente de ser nómada e viver em yurtas, e vai de se pôr a construir arranha-céus, aeroportos, centros comerciais, ruas pedonais com fontes e esplanadas, tudo à novo-rico. Lojas de marca. Hotéis de muito luxo. Até os tristes blocos pré-fabricados de cinco andares da era soviética são reconvertidos, e com uma colunas gregas à porta , abre um cabeleireiro, um pub, uma loja de telemóveis. Nada que nos seja estranho: capitalismo entusiástico.

A Avenida da Paz, a maior avenida da Mongólia, centraliza quase todo o comércio e é um inferno de trânsito e poluição.
Hotel em Ulaan Baatar

Hotel em Karakorum, a antiga capital do Grande Império Khan.


Surreal.

Os dois mundos convivem, evidentemente, mal, e a Mongólia é um dos países mais desiguais e mais poluídos do planeta...

'Ger' (acampamento de yurtas) num subúrbio pobre. Com carro à porta, note-se.

Duas cidades.

O pior é o Inverno, onde se pode ter que sobreviver a -50 º C . As yurtas são aquecidas com fogareiros de carvão, barato, e o fumo é tanto que torna insuportável o ar da cidade - nem se vê o outro lado da rua.

*
Não desvendei o mistério, mas fiquei a saber do "milagre económico" mongol. Lembra outros (celtas, etc...). Desejo o melhor aos Ulaanbaatarenses - economia em crescimento, nível de vida em progresso, longevidade, qualificação, acesso à cultura - mas por favor não se endividem de mais, pedir emprestado é caminho para uma agonia certa. Diz quem sabe.

Yurta pós-moderna.


E sejam sempre bem vindos, caros visitantes mongóis, desde as vossas yurtas ou dos lofts de 15º andar com vista.





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Só mais uns dados:
Crescimento do PIB 17.3%  !!! (2011) 
PIB per capita $ 5 000 ( Portugal: $ 23 000 )

Fotos: Panoramio, Skyscrapercity

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Uma programação em baixo, :(((


Eu sei que, segundo certos parâmetros, sofro de elitismo cultural eurocêntrico :D

Mas será suposto que uma Casa da Música, sala de acústica cuidada e com orquestra sinfónica residente, público habituado a música clássica, tenha na sua programação coisas que podiam muito bem ter lugar em qualquer sala popular tipo Coliseu ?

O ano de 2014 revela-se paupérrimo de programação. Basta dizer que o "tema" é o oriente, e temos o Cambodja, a China e o Japão como principais fontes musicais da agenda de concertos.

Vejamos um apanhado (preparem um lenço para as lágrimas de riso):

- Ensemble de Gamelão, dirigido por Jorge Queijo e Maria Mónica
(corpo de percussões)
- Kimuco Tsumori, de Osaka, canta Fados com alma japonesa.
- Gisela João, de Barcelos, canta Fado também, tendo-se afirmado como grande fadista nas casas do S. Vinho, Tasca da Bela e Mesa de Frades.
- Miguel Poveda , grande nome do Flamenco, Prémio Lampara Minera.
- Mallu Magalhães vem promover o recente CD Pitanga, com preciosa colaboração de Marcelo Camelo.

E isto, só em Janeiro ! Que maravilha ! Depois vem mais, muito mais ( e estou a saltar uns quantos):

- Márcia, que se estreou com  e tem mais de um milhão de visualizações no youtube.
- Banda Sinfónica Portuguesa, com a The Queen Symphony de Tolga Kashif, homenagem à incontornável banda rock Queen. E outros programas assim aliciantes noutras datas !
- Banda Militar do Porto, dir. Capitão Alexandre Coelho, que confere brilhantismo às cerimónias militares
- Goran Bregovic, da Bósnia, inspira-se em bandas de metais ciganas, polifonias búlgaras, guitarra eléctrica , percussão, cordas e cantores ortodoxos (uf !)
- Ballet Real do Cambodja, coreografia criada por Sua Alteza Real a Princesa Norodom Bhuppa Dévi, gestos graciosos e guarda-roupa colorido.
- Teresinha Landeiro, de Azeitão, estreou-se nos fados na Casa de Linhares, e obteve o 2º lugar no concurso "Fado dos Bairros".

Longe de mim insinuar que o programa de 2014 é só Fado, Folclore e Bandas. Mas o problema maior é que folheio o grosso livro de programação e não encontro nenhum Ponto Alto !  A não ser que nos contentemos com os habituais recitais de Sokolov e Lugansky, ou o Hespèrion XXI de aqui ao lado. Masaaki Suzuki e o Bach Collegium, daqui a uma ano (!), foi a única reserva que fiz com convicção.

Ah, e o concerto de jazz de Wayne Shorter.

Que diriam os lisboetas de uma programação assim na Gulbenkian ?
Acho que havia mortes.

domingo, 24 de novembro de 2013

Sol poente às 5, lareira acesa





Os melhores dias do outono. Castanhas, bravo-de-esmolfe, diospiros, sabe tudo bem depois de aproveitar o quentinho do sol da hora de almoço, sempre baixo. Um bom domingo.