domingo, 7 de junho de 2026

Bath, no rio Avon, cidade onde seria bom viver - 1ª Parte


Pulteney Bridge sobre o rio Avon, em Bath

Quando estive em Bath, em Julho de 2016, deixei aqui um relato da visita aos banhos romanos, e outro ao museu de Herschel; mas a maior riqueza de Bath é ela mesmo, a cidade, a esplêndida arquitectura Georgiana das ruas acima e abaixo ou transversais numa rede encurvada e inclinada, desde a cidade baixa até ao famoso Royal Crescent no topo.

O primeiro 'crescente' de casas geminadas em fileira , exemplo de "rus in urbe" (o rural na cidade) .

Mesmo m Itália não se encontra facilmente um espaço urbano de dimensão média (humana) tão coeso, harmonioso, elegante e cómodo, com espaços tão bem definidos. Se não fosse a longa história de Bath, dir-se-ia uma idade construída em dado momento, cuja traça seguiu um plano de forma livre e criativa. Não me cansava de lá morar - mesmo sem mar ...

Bath Street: os banhos romanos

Abbey Green

Vou começar pela cidade baixa, junto ao rio Avon, pois foi lá que estabelecemos arraial, numa praça que fora o antigo pátio do Mosteiro: 1 Abbey Green.


É uma rara praça urbana central e pedonal, rodeada de casas anteriores à era Georgiana, dos séc. XVII-XVIII. No centro um enorme e frondoso plátano plantado em 1793, uma das mais antigas árvores instaladas por decisão de arquitectura urbana.



Abbey House, a nossa casinha em Bath, 1758-60

Foi no res-do-chão, à direita da porta.

Alojados aqui, estávamos mesmo no centro, a poucos metros da Abadia, dos Banhos Romanos e da Pulteney Bridge sobre o Avon, num local sossegado e bonito. Melhor não há.


As ruas estreitas em volta da praça conduziam a três destinos: a Abadia, para Norte, o rio e a ponte, para leste, e um armazém Marks & Spencer para sul.

Abadia de Bath

A Igreja gótica do antigo mosteiro beneditino é História que vem do século XVI.

 A viela que liga Abbey Green à Igreja da Abadia.

A praça da Abadia é onde se encontram grandes ajuntamentos - manifestações, eventos ou excursões.

O templo actual foi construído na década de 1580 e completado em 1611, sob o reinado de Isabel I; o Mosteiro anterior, românico, tinha já sido desmantelado a mando de Henrique VIII. A Igreja anglicana chegou a ser brevemente elevada a Catedral, mas o bispado foi para Wells. 

Este portal Oeste é de 1617.

A Escada dos Anjos (ou escada de Jacob) na fachada é mais antiga ainda, de 1520, também anterior à construcção gótica.


A Nave gótica - desde o séc XVI foi objecto de restauros e acrescentos, como os leques da abóbada e os vitrais (victorianos, séc. XIX).


Foi o restauro victoriano em 1860 que recuperou a abóbada esculpida em leque, de acordo com o desenho gótico original, uma riqueza excepcional devolvida passados três séculos.



Os Banhos Romanos

Mesmo ao lado, no núcleo central da cidade, ficam os antigos Banhos Romanos, enquadrados em edificações do séc. XVIII e XIX. A entrada é por uma colunata de 1897,  nº1 Stall Street.


A arquitectura victoriana pretendeu simular o ambiente romano interior, sem ser
exuberante ou imponente.




O topo da edificação que cerca a piscina dos banhos foi decorado com estátuas de Imperadores Romanos.

Júlio César, Cláudio, Vespasiano, Adriano, Constantino... revivalismo imperial !




Os Romanos designavam Bath por "Aquae Sulis", em homenagem ao deus celta que designava o Sol, mas dedicaram as termas a Minerva; junto aos banhos erigiram sobre um pátio um templo a Sulis Minerva, portanto ao Sol, e outro à Lua. Desses templos restam as decorações dos frontões:



No Museu dos Banhos há ainda um busto de Minerva em bronze e uma secção de mosaico do chão, ambos desde há muito famosos:




Cá fora de novo é York Street, rua histórica no centro monumental  de Bath.


Bath Street, ladeado por colunatas

Stall Street, a rua principal no centro histórico, onde História e comércio andam juntos.

Nesta loja Ecco não resisti a um bom saldo... os pés agradeceram.

A zona de lojas mais atractiva está em Old Bond Street.




Mais uma vez, parece Itália.


Um mapa para ajudar a localizar. A zona rosa-laranja é pedonal.


Pulteney Bridge

Construída em 1774 , é um dos monumentos georgianos classificados pela UNESCO.



Há muito poucas pontes antigas* com edificações sobre os dois lados do tabuleiro, menos ainda tendo lojas permanentes. Na Europa, a Ponte Vecchio de Florença e a Rialto em Veneza, na Turquia a Ponte de Irgandi em Bursa.


Café, sala de chá, pastelaria com vista para o rio.




'The Hampstead Bazaar'

Gravura de 1788

É assim. Por toda a cidade só há contentamento visual, arquitectura que não cansa, história e arte. Todo o ambiente urbano nos encantou, está no meu topo das cidades visitadas junto com Léon, Wismar, Basileia, Ghent ou Cremona.

Fica prometida a continuação para o próximo post, pois este iria ficar demasiado extenso; na 2ª Parte irei mostrar a "cidade alta" com as suas ruas e praças de fileiras residenciais, o museu Herschel e a casa de Jane Austen, e alguns extras da nossa estadia.

Um dos nossos favoritos em Bath.


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(*) Há muitas pontes modernas deste tipo na Ásia.