domingo, 28 de junho de 2026

W. B. Yeats, partir para Innisfree ! (traduzido)


Loch Gile

Traduzir o intraduzível, poemas, mania minha. Como já disse uma vez, só o faço porque fico a gostar ainda mais do original, a conhecê-lo melhor e a sentir que foi escrito, também, para mim.

Este é um daqueles Yeats que nunca teve uma tradução decente, seja em francês, espanhol ou português. É preciso sempre recorrer a alterações radicais de forma a manter uma linguagem minimamente coerente; tentei que, sendo radicais, mantivessem a essência do que (penso) o poeta quis dizer. Pareceu-me que manter a rima era essencial; mas atropelar a métrica, minimamente aqui e ali, foi a consequência, espero ter mantido um ritmo aceitável. Horas e horas à volta de Yeats.

Na Irlanda do período enegrecido e enevoado da primeira indústria, a utopia de regresso à Natureza pristina que nunca esquecemos, como um filho pródigo ao seu lar. Uma tentação da meia-idade.


W. B. Yeats, The Lake Isle of Innisfree
[tradução minha]

Vou levantar-me já e partir, partir para Innisfnree,

Onde hei-de erguer uma cabana, de vime e de madeira,

Aqui nove renques de feijão, e uma colmeia de mel ali,

Irei viver a sós, eu e as abelhas zumbindo na clareira.


Lá terei sossego, pois a paz vem descendo devagar,

Desce dos véus da manhã e pousa onde os grilos cantam.

Lá a meia-noite cintila, o meio-dia é urze roxa a fulgurar,

E a tarde cheia de asas dos pintarroxos que voltam. 


Vou levantar-me já e partir, pois noite e dia 

Ouço as águas do lago, nas margens de leve a chapinar;            

Andando eu na estrada ou em cinzenta rodovia, 

No mais fundo do coração as ouço ecoar.

                                                                                        1889


Lake Isle of Innisfree


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