Loch Gile
Traduzir o intraduzível, poemas, mania minha. Como já disse uma vez, só o faço porque fico a gostar ainda mais do original, a conhecê-lo melhor e a sentir que foi escrito, também, para mim.
Este é um daqueles Yeats que nunca teve uma tradução decente, seja em francês, espanhol ou português. É preciso sempre recorrer a alterações radicais de forma a manter uma linguagem minimamente coerente; tentei que, sendo radicais, mantivessem a essência do que (penso) o poeta quis dizer. Pareceu-me que manter a rima era essencial; mas atropelar a métrica, minimamente aqui e ali, foi a consequência, espero ter mantido um ritmo aceitável. Horas e horas à volta de Yeats.
Na Irlanda do período enegrecido e enevoado da primeira indústria, a utopia de regresso à Natureza pristina que nunca esquecemos, como um filho pródigo ao seu lar. Uma tentação da meia-idade.
Vou levantar-me já e partir, partir para Innisfnree,
Onde hei-de erguer uma cabana, de vime e de madeira,
Aqui nove renques de feijão, e uma colmeia de mel ali,
Irei viver a sós, eu e as abelhas zumbindo na clareira.
Lá terei sossego, pois a paz vem descendo devagar,
Desce dos véus da manhã e pousa onde os grilos cantam.
Lá a meia-noite cintila, o meio-dia é urze roxa a fulgurar,
E a tarde cheia de asas dos pintarroxos que voltam.
Vou levantar-me já e partir, pois noite e dia
Ouço as águas do lago, nas margens de leve a chapinar;
Andando eu na estrada ou em cinzenta rodovia,
1889
Lake Isle of Innisfree


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