domingo, 6 de setembro de 2026

"North Coast 500" - estrada cénica à volta das Highlands (Escócia) - 3ª e 4ª etapas


(continuação)

3ª etapa

Depois de Durness a estrada NC500 orienta-se para sudoeste:

É preciso percorrer uns 60 quilómetros para se encontrar o primeiro ponto de interesse; mas não é coisa menor: é a famosa Kylesku Bridge, a ponte muito usada na propaganda turística desta Rota, inspirada talvez na bem mais espantosa Via do Oceano na Noruega.


Foi construída em 1984, ainda nem se sonhava com a NC500; em gaélico, língua local, chama-se Drochaid a’ Chaolais Chumhaing, quer dizer, 'ponte sobre o apertado estreito'.


Antes de continuar pela costa, um breve desvio pela A894 para ver a

Allt Cranaidh   (The Wailing Widow waterfall)

O pranto da viúva !


É uma bonita cascata, sobretudo se se puder ver também a lagoa de onde a água cai. Depois corre num canyon de altas paredes.


Voltando à Rota da NC500, um pouco mais à frente, outra queda de água ! A estrada B869 faz um grande desvio para o litoral para se poder ver em Clashnessie as formidáveis Clashnessie Falls.

Ficam longe da estrada, há que fazer uma boa caminhada a pé, uns 3 + 3 km .


Prosseguindo pela estrada litoral, finalmente chegamos a uma povoação inserida num belo cenário : Lochinver é uma aldeia litoral cuja rua principal corre na margem de uma entrada de mar, o Loch Inver (não é lago, o nome engana); tem um porto de pesca que presta serviço de ferry.



Há apenas uma rua ao longo da margem, um reduzido casario, loja, alojamento e 'café'.


19 Main Street, a casa mais bonita.

O que não falta. é onde encontrar livros !


Até eu gostava de ler.

E depois ir ler no Driftwood Café, nome bonito, junto ao porto.


Este troço é o mais longo da NC500. O próximo sítio de interesse é o Loch Assynt que surge em beleza numa curva da estrada.


É um lago bastante visitado, que oferece vistas como esta, muito fotografada, de um ilhota com pinheiros.

A NC500 bordeja o Loch Assynt, paraíso de fotógrafos.


Mas é mais conhecido pelas ruínas do Ardvreck Castle, um castelo do séc. XV-XVI. As ruínas oferecem um belo contraste com as montanhas e a água.



A estrada encurva na direcção do litoral, e surge junto ao mar um farol - o Rhue Lighthouse.


E vamos parar em Ullapool.

Quarta étapa.


Ullapool é uma cidade pequena mas incontornável da costa ocidental; fica numa margem do Loch Broom, um lago que se estende no sentido N-S.

Shore Street é o 'centro' da vila, onde há lojas e restauração.

No  troço final, Shore Street converte-se em High Street


Há uma livraria única, peculiar!


Ullapool Bookshop, Quay Street.

E não há mais nada a assinalar. A não ser que haja interesse nas malhas de lã tricotada da West Highland Woollen Company.



Ullapool e o seu movimentado porto, a Shore Street e o 'centro' (marca vermelha) em Quay Street.

Continuemos a longa etapa. Ullapool está na extremidade Norte do Loch Bloom, agora a estrada segue para Sul. 


Loch Maree merece visita, é certamente um dos mais belos lagos escoceses, para o que contribuem os belíssimos pinheiros que decoram as margens.



Na verdade, toda a área sul do lago é uma Reserva Natural, a primeira que foi designada no Reino Unido; a combinação água-montanha-floresta oferece  cenários lindíssimos.


Torridon não merece paragem mas antes da aldeia de Shieldaig atravessa-se um rio, o rio Balgy, que tem mais uma cascata - Balgy Falls - bem bonita , que se alcança com uma caminhada a pé de menos de 1 km, seguindo pela margem. 


Na A896, designação deste troço da NC500, ao chegar à ponte sobre o rio Balgy há uma cancela que abre para o percurso de 600-700 metros até à catarata. 


O rio vem do Loch Damh, que começa ali antes da cascata.

 Esta é a costa escocesa das cascatas !

Sem dúvida uma das mais espectaculares da Escócia.


Querendo prolongar a caminhada, não falta que ver.

E chegamos a Shieldaig, uma minúscula aldeia lacustre, que tem, esta sim, um 'charme' peculiar.


A aldeia foi construída nas primeira décadas de 1800, com o propósito específico de alojamento de marinheiros da Royal Navy para exercícios de treino. O acesso por terra era muito difícil. Só a partir de 1960 abriu a estrada para Torridon através do Balgy Gap, o passe de montanha de Balgy.


Actualmente, pesca artesanal e turismo são as únicas actividades.

Há uma loja de tudo, um Hotel e alojamentos, café-bar ...

O ponto de paragem para retemperar fica na curva a seguir: o Nanny's.

Bem situado, na curva do lago frente à ilha.

Coisa rara, deve saber mesmo bem.

O nome 'Shieldaig' provém da pequena ilha no lago, mesmo em frente do Nanny's:


Lembra-me Innisfree, a ilha sonhada de Yeats ...


Deixando Shieldaig, estamos a aproximar-nos da costa, que vamos descer até Applecross sem paragens. O que vem nos mapas como 'Applecross' é mais conhecido como Shore Street : é apenas uma rua com uma dúzia de casas. Está junto ao mar, no final de uma passagem de montanha chamada Bealach na Ba. que era usada par conduzir o gado dos campos interiores em altitude, descendo pelo vale até ao mar; o nome Applecross  não tem a ver com maçãs nem com travessia, mas vem do gaélico Aporcrosan, actualmente Obar Crosain, a foz do rio Crosain.


A Applecross Inn é o sítio estratégico onde descansar.


Esta foi até aqui a maior étapa, perto dos 150 km.


Termina assim a penúltima étapa. A última vai finalmente em direcção a nascente, atravessando a Escócia de costa a costa, de Applecross a Inverness


O ponto alto desta etapa, alto no sentido próprio, a subida de montanha mais íngreme e espectacular do Reino. Na saída de Applecross, a NC500 estreita numa  só via, iniciando uma subida cujo gradiente vai aumentando até chegar ao Passe de Bealach na Ba

Desde a saída de Applecross, sempre a subir em curvas apertadas e uma só via.


A estrada sobe atè aos 626 m, uma travessia até às alturas de onde há uma panorâmica de encher o olho, vendo-se a estrada a descer muitos quilómetros em zig-zag em direcção ao Loch Kishorn, secção do Loch Carron, uma mancha azul ao fundo muito ao longe. É capaz de ser a mais vasta panorâmica na NC500: Bealach na Ba (Passagem do Gado).


Construída sob direcção do prolífico engenheiro e arquitecto Thomas Telford, a íngreme estrada de montanha faz curvas apertadas de quase 180º que poem à prova qualquer condutor.



Não é para fracos. Assim acaba a parte mais surpreendente e aventurosa da NC500, não me parece que haja nenhuma outra rota que se lhe compare.

Última etapa.


Paramos em Locharron, outra pitoresca aldeia de lago.




Finalmente, descemos em direcção do monumento escocês mais celebrado, mais filmado, mais visitado: o castelo de Eilean Donan. Não preciso de documentar mais que três imagens:






Agora a NC500 inflecte em direcção a sudeste, mais adiante para nordeste; vamos em breve chegar ao Loch Ness ! Estamos quase a fechar o circuito, em Inverness. Mas penso que esta cidade merece um post dedicado, a publicar proximamente.


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