segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Prenda de fim-de-ano:
o Xadrez Viking de Lewis (The Lewis Chessmen)



É uma atracção do British Museum mas também de museus escoceses um conjunto de peças de xadrez do século XII (1150-1200), esculpidas em marfim de dente de morsa, com 3,5 a 10 cm de altura.


Foram descobertas em 1831 num banco de areia, numa baía da costa oeste da ilha de Lewis, nas ilhas Hébridas da Escócia; constituem um raro conjunto medieval de xadrez, 78 peças (talvez 8 jogos), a maioria até há pouco no British Museum.

Baía de Uig, na costa oeste, onde estavam guardados os Chessmen.

Recentemente um número significativo de peças foi atribuído ao Museu Nacional da Escócia: 11 estão em Edimburgo, outras 6 irão ajudar a inaugurar o novo museu instalado no castelo de Lewes em Stornoway, a linda capital das Hébridas.


Stornoway, Isle of Lewis, 58º N

A origem mais provável das peças é Trondheim, no norte da Noruega, a 63º N - quase no círculo polar ! Até ao século XIII as Hébridas pertenciam ao reino Viking (entretanto cristianizado) da Noruega. Na fabulosa catedral de Nidaros, em Trondheim, começada no séc XI, encontram-se algumas peças semelhantes, talhadas em dente de morsa. Nessa altura residiam famílias de ricos mercadores na cidade que podem ter contratado artistas para esculpir peças em marfim de alta qualidade. O xadrez tinha sido introduzido na Europa por volta de 900-1000 DC, trazido da Índia (Pérsia ?) pelos árabes.

As peças do Xadrez Viking lembram os guerreiros berserkr * das sagas nórdicas.


O estado das peças, como novas, mostra que se perderam (ou foram escondidas ?) quando eram transportadas para venda, talvez uma encomenda, por algum mercador norueguês. As peças estavam numa espécie de "caixa" feita de pedras, sobre uma duna da praia, como se guardadas em segurança enquanto aguardavam transporte.

São trabalhos elaborados em marfim de morsa, na forma de reis (8) e raínhas (8) sentados, bispos, cavaleiros montados, guardas (torres) e peões na forma de obelisco.

As costas da raínha.

O 'bispo' foi uma versão cristã do original 'elefante' do xadrez hindu-persa. Os árabes usavam "camelo" (alfil), mas como todas as sua peças eram não figurativas, o alfil era formado apenas por dois bicos como as bossas do animal. Na Europa, o alfil deu foul ('fou', em França), e por lembrar uma mitra deu bishop nos países anglo-saxónicos.



Mais:
http://www.messagetoeagle.com/mystery-beautiful-viking-uig-chessmen-found-isle-lewis-scotland/

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* origem da expressão to go berserk , ficar louco furioso


5 comentários :

Gi disse...

Lindíssimo, Mário.
O meu pai, que foi jogador de xadrez, só gostava de usar peças tradicionais porque as outras eram uma distracção.
Eu, que não jogo, vejo-as apenas como obras de arte.

Fanático_Um disse...

Muito interessante e muito bonitas. Sempre que se visita o seu blogue há uma surpresa agradável e instrutiva Mário. Obrigado e continue.

Mário Gonçalves disse...

Gi, Fanático_um, obrigado pela visita e pelas palavras simpáticas.

Bom ano de 2016, no todo e em partes, incluindo a parte bloguista!

Virginia disse...


Esta entrada é um monumento ao xadrez, jogo que sempre me fascinou , mas que não sei jogar, infelizmente.

Aprendo sempre com este blogue....é um verdadeiro Livro....sem páginas, mas com fotos lindíssimas.

Um bom ANO 2016, sem grandes agruras de saúde e óptima Música!

redonda disse...

Gostei muito deste jogo de xadrez e do blogue - cheguei aqui pela referência no blogue da Virgínia e vou passar a segui-lo.
Gábi

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