sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Hildegard von Bingen

Possivelmente, o mais antigo compositor conhecido é ... uma mulher. Hildegard von Bingen (1098 – 1179) foi uma monja beneditina, polímata e visionária; escreveu música, pensamentos, livros de teologia, botânica, medicina...

Hildegard ditando uma visão para o escriba

Um exemplo de mulher “homo universalis”, como se classificavam no humanismo renascentista pessoas como Da Vinci. Percorria o vale do Reno de mosteiro em mosteiro, pregando, narrando as suas visões ( também não regulava bem... julgava ter poderes curativos, e escreveu um livro sobre isso!) e estudando sempre tanto a natureza como a alma humana. Dedicou-se ainda à iluminura, cuja feitura supervisionava.

Homo Universalis, do Liber Divinorum


Eleita magistra pelas freiras em 1136, fundou mosteiros e foi virtuosa compositora. Escreveu mais de 72 cânticos e hinos; a obra máxima é Ordo Virtutum, exemplo de drama litúrgico ou teatro moral, o único drama em música medieval que sobreviveu até hoje completo (texto e música).

Ordo Virtutum canta a luta por uma alma humana (Anima) entre as Virtudes e o Demónio. São melodias monofónicas, em cantochão.

Hildegard von Bingen - Kyrie Eleison



Hildegard of Bingen, Spiritus Sanctus

5 comentários :

Xico disse...

Hildegard é uma figura que me fascina. Dizem que descreveu o orgasmo feminino. Deita por terra toda a visão pateta e holywoodesca que se tem da idade média. Então o que dizer desse magnífico século XII. O Kirie que aqui pôs é absolutamente fantástico. Como Hildegard, não desafiando o canone, usa uma melodia popular,quase uma dança, para a música religiosa, é genial.
Obrigado.

Xico disse...

Quanto à antiguidade não é bem assim, mas quase. Abelardo, mais velho que Hildegard, escreveu música e chegou até nós. Outros mais antigos são conhecidos, não sei é se a sua música nos chegou.

Mário disse...

Xico,

Partilho o seu entusiasmo pelo Kirie. Para ouvir só em total silêncio.

Fernando Vasconcelos disse...

Hildegard, Fanny, Clara ... É como diz Mário, o que não teremos perdido mais ?

Alberto Velez Grilo disse...

O Kirie, interpretado por uma voz que não é lírica (Catherine Braslavsky), é simplesmente extraordinário.