domingo, 3 de outubro de 2010

às 7 já é noite

(de fim de semana em Chaves)


Os dias curtos aí estão, mais frios e tristes também. Chegaram depressa.

Laden Autumn here I stand
Worn of heart, and weak of hand:
Nothing but rest seems good to me,
Speak the word that sets me free


Outono carregado, aqui me tens
de coração gasto e fraca mão:
Só o descanso me dá gosto, agora
Diz-me a palavra e serei livre então.


William Morris

5 comentários :

Sara Raposo disse...

Mário:
Discordo que os dias frios de Outono ou de Inverno sejam tristes. Pessoalmente prefiro-os ao Verão e ao calor.

Poder-se-à dizer que a beleza, a tristeza ou a alegria que atribuímos resulta do nosso olhar ou o Outono será - por motivos racionalmente justificáveis - de facto, menos alegre que o Verão?

Não será antes uma ideia feita que aprendemos a associar a essa estação do ano?
Cumprimentos.

Moura Aveirense disse...

Dias deprimentes...

Gi disse...

Sara, o facto de haver menos horas de sol tem influência sobre a actividade hormonal e por isso sobre a sensação de felicidade.

Não é por os dias serem frios mas por serem curtos.

Depois há o factor psicológico: temos menos horas para as nossas actividades, e se chover é menos agradável andar na rua.

Mário disse...

Sara,

tenderia a concordar consigo - dou-me mal com o calor em excesso do verão e gosto da poesia outonal - mas este Setembro estava muito bom, soalheiro, alegre mas fresco. De repente, isto - dias curtos - isso é mau! - vento e chuva violentos, para não falar da catástrofe anunciada do nosso relativo bem estar europeu.

Sim, deprimente, Moura, pelo menos este início brusco e bruto.

Gi, engraçado, de repente tenho 3 mulheres a discutir a psicologia do clima no meu blog, :))

Carlos Pires disse...

A autêntica estação

É verão. Vou pela estrada de sintra
por sinal pouco misteriosa à luz do dia
ao volante de um carro que não é um chevrolet
e nesse ponto apenas se perdeu a profecia
Não há luar nem sou um pálido poeta
que finja fingir a sua mais profunda emoção
Chove uma chuva que me molha os olhos
e me leva a sentir saudades do inverno:
a luz o cheiro a intimidade o fogo
Quem me dera o inverno. Talvez lá faça sol
e eu sinta aflitivas saudades do verão:
uma estação na outra é a autêntica estação

Ruy Belo, Obra Poética, Vol. 1. Organização e posfácio de Joaquim Manuel Magalhães. 2ª edição. Editorial Presença, 1984