domingo, 25 de janeiro de 2026

Qaqortoq, cidade florescente na Gronelândia, com história e arte


A Gronelândia, uma Ultima Thule quase inalcançável, tem estado em foco. Mas não é só Nuuk, como a TV tem mostrado; é um país enorme. Esta Qaqortoq é uma bela cidadezita colonial que ultrapassou os 3000 habitantes.

O centro histórico sinalizado a vermelho, perto do porto de 1775.

Qaqortoq, 60°43' N, 46°2' W


Fundada em 1775 como Julianehåb, já tem dois séculos e meio de História, e conserva algum património e tradições. É a terceira maior povoação da ilha, na região sul que deu o nome "Terra Verde " ao país.

Um porto importante, num arquipélago onde os Vikings aportaram no século X.

O local já tivera presença humana na pré-história (Culturas Saqqaq e Dorset). Os Vikings chegaram por volta de 980, estabeleceram-se em Hvalsey, poucos quilómetros a nordeste da cidade. Ficaram durante cerca de 500 anos, até meados do século XV, e de alguma forma partilharam a área com os proto-Inuit 'Thule'.


Foi a colonização dinamarquesa que fundou a cidade Julianehåb ( Juliane era  a raínha da Dinamerca) em 1775, como centro do negócio da caça de focas e do tratamento da sua pele. Na época das grandes viagens de exploração ártica, a cidade ficou conhecida pelo encontro acidental em 1933 entre Charles Lindberg e Knud Rasmussen, dois dos maiores exploradores e aventureiros do século XX. Isso é recordado no museu.

O edfício mais fotografado é a igreja luterana de 1832Frelserens Kirke, pintada de vermelho vivo. Um postal.

A Igreja do Salvador




Navio votivo

O MS Hans Hedtoft sofreu o choque de um iceberg e afundou-se com 95 pessoas a bordo em 1959, na viagem inaugural pela costa ocidental da Gronelândia com destino a Julianehåb. Foi um "Titanic dinamarquês", que esta igreja homenageia.


A Praça da Fonte e o Museu

Não estamos em Itália, mas o centro cívico de Qaqortoq é muito europeu:


Na Torvet i Qaqortoq encontram-se vários edifícios coloniais - uma antiga loja, padaria, casa do ferreiro, a casa do Conselho, a sede do jornal e o Museu, tudo à volta da fonte Mindebrønden de 1932.


Perto da cidade, em Uunartoq, há um lago de fontes termais (38ºC); são essas águas quentes que alimentam a preciosa Mindebrønden, a primeira fonte de água 'fresca' do país, encimada por três baleias em bronze.


Vamos dar a volta à praça; esta casa de 1878 foi a Casa do Conselho de representantes, espécie de Junta de Freguesia.

Adquire a antiga relevância durante eleições, ainda como casa dos representantes. Note-se o sino no cimo da escadaria.


Não falta um café na praça, à boa maneira europeia. E há raros dias em que se consegue estar de esplanada.

Lal’laati’s Café


Ao lado esta casa de ardósia de 1804 que pertenceu à KGH (Kongelige Grønlandske Handel), agora tem escritórios comerciais:


Na esquina com uma das ruas centrais, Storesøvej, a sede do Kujataamiu, jornal local, casa de 1871 que tinha sido antes padaria: 

46 Storesøvej


O antigo armazém junto ao caminho para o porto é agora a loja JYSK.


Mas os edifícios mais relevantes são os do Museu.

Katersugaasivik (Museu) Qaqortoq



Fica junto ao porto colonial, numa casa em madeira alcatroada, de 1797; é a edificação mais antiga de Qaqortoq, onde residiu o administrador colonial, e serve agora como Museu.


Está bem tratada, a herança colonial. Também esta outra antiga casa de 1804, que foi do ferreiro da aldeia, alberga museu e loja:
 


Além de exposições e muita documentação fotográfica, o Museu exibe vários artefactos e trajes inuit e ainda a reconstituição fiel dos alojamentos de Linberg e Rasmussen de 1933.


O kayak (ou umiak) é reivindicado como uma invenção inuit. Os arpões são parte integrante do kayak.

Os afamados Kamiks, botas de pele de foca coloridas e bordadas.

Traje de festa.

O aposento vermelho do sótão onde se alojou Knud Rasmussen. Encontrou-se com Lindbergh na procura de locais seguros para aterrar um avião na rota aérea sobre o Ártico.

Pedras e Homens

Um projecto mais recente, da década de 90, entregou à artista gronelandesa Aka Høegh (Inuk, 1971) a decoração da cidade com várias obras escultóricas na pedra local. Sob a designação Sten og menneske, Stone and Man, 40 obras estão um pouco por toda a parte, e pelo gosto e escolha adequados deram um novo alento cultural à cidade.






Certamente inspirada na Sereia de Copenhaga.


Em  Qaqortoq há uma rede mínima de ruas pavimentadas serpentando pela encosta, e ligando o porto ao heliporto na parte baixa; mas as habituais escadarias, rocha acima rocha abaixo, são as mais utilizadas pelos habitantes.



Mesmo uma família inuit das terras frias pode ter gosto em decorar a casinha; e flores na primavera são um luxo.

No Verão, aqui a temperatura sobe até aos 0 graus, ou com sorte um ou dois positivos.

No Inverno varia entre -8º e 0º C, e o sol quase não se levanta.


Hvalseyfjördur

Perto de Qaqortoqestá o local onde foi fundada a primeira colónia Viking, sob a chefia de Eric o Vermelho. As ruínas da Igreja de Hvalsø são património da Humanidade, e há escavações anexas em terras de criação de gado e cultivo.




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Em breve voltarei a Gronelândia a propósito da actualidade.



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