terça-feira, 12 de maio de 2009

Contos e Lendas do Norte - IV

Mais um conto, desta vez da zona ártica do Canadá. Curioso como a moral se aproxima dos paradigmas de interculturalidade actuais.


Kiviuq um dia deparou com uma mulher a banhar-se. Era a mulher mais linda que tinha visto em toda a vida. Mas perto, pousadas no chão, estavam as suas roupas – eram só penas de pássaro! A bela senhora era uma mulher - ganso !

Kiviuq decidiu que tinha pouca importância que ela fosse um pássaro. Queria-a para esposa, por isso foi e escondeu-lhe as roupas de penas. Depois pediu-lhe que casasse com ele. Ela concordou.

Com o tempo, na mulher cresceu o amor por Kiviuq. Tiveram filhos. Ela gostava de ser ganso, mas era infeliz : gostava da comida de erva e areia em vez da comida de gente como caribu e carne de foca. Kiviuq insistia para ela comer o que ele trazia da caça.
Um dia, a mulher- ganso decidiu que havia de comer o que quisesse, e assim fez. Kiviuq zangou-se.

Outro dia, enquanto ele caçava, ela encontrou o sítio onde estava escondida a roupa de penas. Vestiu as penas, juntou as crianças e voou com elas para longe em direcção a Sul. Antes de conhecer Kiviuq, voava para Sul todos os invernos.

Quando Kiviuq regressou, a família tinha desaparecido. Procurou por toda a parte. E procurar por toda a parte demora muito tempo. Um dia encontrou um velho a rachar lenha. Chamava-se Eqatlejok. Com o machado, esculpia peixes na madeira. Kiviuq pediu ajuda a Eqatlejok. O escultor de peixes acedeu, e fez um grande peixe de madeira para transportar Kiviuq pelo mar até ao sítio onde a família vivia.

Kiviuq trepou para cima do peixe, que o levou pelo mar fora. No fim do dia, encontraram a família. A mulher disse que era bem melhor quando Kiviuq estava junto dela, e Kiviuq decidiu não se importar mais com a comida. Resolveram viver juntos de novo e deixar que cada um fosse como realmente era.

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