domingo, 13 de outubro de 2013

Julia Lezhneva, de Yuzhno-Sakhalinsk
(no extremo oriente da Rússia)


Julia Lezhneva virá em Abril à Gulbenkian cantar Handel.

Com formação de canto e piano em Moscovo, a soprano de agudos doces chegou à nossa Europa em 2008, no festival de Pesaro, apadrinhada desde os 18 anos por Marc Minkovsky que de imediato reconheceu o promissor canto da Lezhneva. Ouvi-a na ilha de Ré a cantar Mozart , justamente com Minkowsky.

Mas o que mais me traz a fazer este post é ter sabido do local onde Julia nasceu e viveu a infância até aos 7 anos: a cidade de Yuzhno-Sakhalinsk, 190 000 habitantes, no extremo oriente da Rússia - a maior cidade da Ilha Sakhalin, tão próxima do Japão que até já lhe pertenceu. Dada a riqueza étnica da região, é mesmo provável que Julia Lezhneva combine genes russos da Sibéria com genes de origem coreana ou nipónica, como a maioria da população.


Julia Lezhneva nasceu em 1989, numa família de cientistas. Aos cinco anos já tinha começado a cantar no côro da cidade. Como será, Yuzhno-Sakhalinsk ?

Cidade isolada, perdida nos confins do mundo, sem vivência cultural que mereça esse nome, é ainda por cima feia do urbanismo soviético (os blocos pré-fabricados de 4 andares) e da extracção intensiva de carvão, petróleo e gás na ilha Sakhalin - a 'Sakhalin Oil and Gas' é uma mina de ouro negro para a Shell, e uma terrível fonte de poluição na ilha.

Mesmo assim, nos últimos anos de riqueza emergente da zona Ásia-Pacífico, alguma coisa vem melhorando no triste ambiente urbano de Yuzhno-Sakhalinsk.


Um hotel ocupa um dos edifícios renovados da cidade.

Igrejas, são todas recentes (mesmo que construídas ao estilo antigo) :

- a Catedral Ortodoxa da Ressurreição:

- a igreja ortodoxa de S. Nicolau, construção tradicional em madeira de 2005:

Museus, vários, como é costume na Rússia, mas salientam-se:

- O Museu Chekhov de Artes e Letras:


- O Museu Regional de Sakhalin, num restaurado edifício japonês de 1937, que é o que resta de herança arquitectónica desses tempos de ocupação:


- O Centro Chekov, teatro e sala de concerto, onde se costuma apresentar o côro de Sakhalin:

Deste berço improvável nasceu a voz angelical da Lezhneva !

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Talvez o concerto de Lisboa inclua, de Handel, este
Saeviat tellus (Mottetto) O nox dulcis
Julia Lezhneva, soprano
Il Giardino Armonico, dir. G. Antonini


ou melhor ainda, este
Da tempesta, do Giulio Cesare
com a Helsinki Baroque Orchestra

(só espero que a orquestra esteja mais bem afinada, não é ? )

5 comentários :

Gi disse...

Segundo a Gulbenkian, vai ser La Ressurrezione.

Mário Gonçalves disse...

Gi, o programa que consta do site oficial da Helsinki Baroque Orchestra é:


Sonata (Resurrezione, HWV 47)
Disserratevi, o porte d'Averno! (Resurrezione, HWV 47)
Concerto grosso B-duuri, op. 3/2 (HWV 313)
Salve Regina (HWV 241)

***

Ouverture (Clori, Tirsi e Fileno, HWV 96)
Ouverture (HWV 341)
Marche (HWV 416)
Sonata (HWV 302b)
Passacaille (Rodrigo, HWV 5)
Sonata (Resurrezione, HWV 47)

Prelude (Agrippina, HWV 6)
Un pensiero nemico di pace (Trionfo del Tempo e del Disinganno, HWV 46a)
Ouverture (Agrippina, HWV 6)
Pensieri, voi mi tormentate (Agrippina, HWV 6)
Come nembo che fugge col vento (Trionfo del Tempo e del
Disinganno, HWV 46a)

1h 45 min with intermission

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http://www.hebo.fi/pages/index.htm

João Alves disse...

E nós,que nunca estamos a mais de 200 km do Atlântico, pouco mais que Paris, queixamo-nos da interioridade e justificamo-nos com ela.

Mário Gonçalves disse...

Caro João,

Mais do que "interioridade", a nossa pecha é "exterioridade".
Deixamo-nos ficar fóra de tudo, mesmo tendo uma localização privilegiada. Ai de nós se não fosse a UE.

Michael Popov disse...

A qualidade do canto de Julia Lezhneva

http://culturafm.cmais.com.br/seguindo-a-opera/a-qualidade-do-canto-de-julia-lezhneva

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