domingo, 3 de novembro de 2013

Morte e ressurreição de Anarulunguaq


A Quinta Expedição 'Thule' (1921-1924) de Knud Ramussen ao ártico americano foi a mais ambiciosa, reconhecendo em toda a extensão o território da Passagem do Noroeste, em trenó puxado por cães.


Ao acabar o relato, no seu livro "Across Arctic America", Knud Rasmussen leva consigo os companheiros de aventura, Anarulunguaq e Miteq, para Nova Iorque. Eles, que tinham vivido toda a vida entre um continente de gelo e o mar, conheciam um mundo a duas dimensões, onde a preocupação permanente era conseguir caçar a próxima refeição, e o ritmo de vida lento como o de quem nada mais tem para fazer depois de se alimentar, o mundo imenso à volta feito de tapete branco ou águas do mar.


E o choque não podia ser maior.

'I stood on the roof of a skyscraper looking out over the stony desert of New York. (...) Anarulunguaq stood beside me.

"Ah", sighed Anarulunguaq, "and we used to think nature was the greatest and most wonderful of all ! Yet here we are among mountains and great gulfs and precipices, all made by the work of human hands.(...) Nature is great; but are not men greater ? Those tiny beings we can see down there far below, hurrying this way and that, they live among these stone walls; on a great plain of stones made with hands. Stone and stone and stone. There is no game to be seen anywhere, and yet they manage to live and find the daily food.
Have they then learned of the animals, since they can dig down under the earth like marmots, hang in the air like spiders, fly like the birds and dive under water like the fishes; seemingly masters of all we struggled against ourselves ?



I see things more than my mind can grasp; and the only way to save oneself from madness is to suppose that we have all died suddenly before we knew, and that this is part of another life.

Nature is great; but man is greater still."


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Quantos poderão hoje passar por uma experiência destas ?


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