terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Launceston, Tasmânia - regresso aos antípodas.


Tenho lido e ouvido que a principal viagem é a da imaginação, que a levamos conosco para toda a parte, e que quando vemos, é com os olhos que ela previamente condicionou. Seja. Esta é então uma viagem pré-concebida.

Já que se trata de uma viagem irrealizável - nem eu seria capaz de "saltar" por cima de meio mundo sem o ter sequer avistado - contento-me com conhecer a Tasmânia desta pobre e virtual maneira. O mundo é uma aldeia, mas nele há aldeias longe de mais...

Aproveitei agora, que por lá é Verão com 30º, muita luz, cor e esplanadas.


Os primeiros europeus chegaram em 1642 - o holandês Abel Tasman é reconhecido como o 'descobridor'. Depois, franceses e britânicos por lá passaram, mas só em 1798 os navegadores George Bass e Matthew Flinders fizeram a circum-navegação para explorar e cartografar a costa.


Já aqui publiquei sobre a orquestra da cidade de Hobart, a maior cidade e animado porto de partida para a Antártida, num post que passou das 70 visitas (menos mal!) ; Launceston é a segunda cidade da ilha, situada no interior norte, 60 kms a montante do estuário do Rio Tamar, e na foz do afluente rio Elk.

A King's bridge, sobre a foz do rio Elk, construída em 1884, é um dos ícones da cidade.

Fundada em 1806, Launceston é uma das mais antigas cidades da Austrália. Começou por ser um entreposto colonial para o negócio da baleia, da foca e das lãs, que foi prosperando até que em 1852 a povoação passou a município. Mas foi a descoberta de minas de ouro que lhe deu a maior prosperidade na era vitoriana.

A Câmara, de 1884, da era vitoriana, no estilo neo-clássico à italiana, foi desenhada por Peter Mills.

Launceston, Tasmânia

Coordenadas: 41° 26′ S, 147° 8′ E
População : ~ 110 000 - uma cidade pequena !

Vista desde as portas do Parque da Cidade, ao longo de Cameron Street, a rua principal da parte antiga.


O edifício dos Correios, de 1880, é outro dos marcos da cidade, com a sua torre de relógio inconfundível, adicionada em 1903, por subscrição pública.

É conhecida como "pimenteiro" (pepper pot).

A maioria dos edifícios do centro foram construídos nos séculos XIX e XX; os mais antigos são da era de prosperidade georgiana e vitoriana, outros mostram influência da Arte Nova e Art Déco. O arquitecto Peter Mills, o mais notável da Tasmânia, desenhou alguns dos prédios do centro histórico.

Cameron Street é a rua mais rica de património.

O Supremo Tribunal (1870), desenhado por Peter Mills, foi de início construído para um comerciante rico.

A 'Batman Fawkner Inn' começou por ser The Cornwall Hotel; data de 1824 e é uma construção em tijolo com elementos decorativos Arte Nova.

O Brisbane Hotel (1824) , na Brisbane Street.

Fachadas ao longo de Cameron Street.

Esk Terrace, em Cameron Street.

Também de Peter Mills , este armazém é conhecido como 'Diana, Venus & Fortuna' (1882). O próprio arquitecto viveu aqui com a família.

Venus

Diana

Luck's Corner, 1937, Art Deco - foi talho, agora é restaurante.


O Quadrant Mall (zona comercial)

É a zona pedonal de lojas, cafés e esplanadas.


A ondulante rua comercial antiga foi fechada ao trânsito e renovada em 1979. As fachadas vitorianas em curva constituem uma das marcas arquitectónicas da cidade.

Uma das esplanadas, "Pasta Caffe".

A parte coberta da Brisbane Street ainda pertence ao Quadrant Mall.

The Old Umbrella Shop


Esta loja de 1860 é a última loja 'de época' que resta na cidade; foi gerida pela mesma família desde a viragem para o século XX, e está classificada pelo National Trust.


Livraraia Birchalls

É a mais antiga livraria da Austrália, em Brisbane Street desde 1844.


Destilaria Boag & Son (Boag's)fundada em 1883.

Ainda é a produtora de cerveja em Launceston.



Igreja da Santa Trindade

É a neo-gótica igreja anglicana, completada em 1835.

Construção em tijolo no estilo georgiano.


Mas Saint Andrew, em Paterson Street, é a mais antiga:



O City Park e a Fonte do Jubileu


Esta fonte foi construída para o jubileu da Raínha Vitória, durante as celebrações em 1897 .


O antigo John Hart Hall, constrruído para a Exposição Internacional de 1891, é agora uma bela estufa no centro do Parque.




Garganta das Cataratas (Cataract Gorge)

Sobre o South Esk river, mesmo à saída da cidade, esta ponte suspensa atravessa uma garganta do rio. A paisagem envolvente foi classificada como Reserva Natural.

Alexandra Bridge, de 1940.

A vista é mais procurada durante as cheia do rio, e os mais aventureiros podem fazer a travessia numa cadeira suspensa por cabo teleférico.


E música ?
A sala de concertos e teatro mais prestigiada é o Albert Hall, edifício vitoriano construído em 1889-91.

É aqui que a Tasmanian Symphony Orchestra se apresenta quando de visita a Launceston.
A sala principal, ladeada por uma galeria em ferro forjado da época industrial.

O órgão veio de Londres (Brindley & Foster) e foi inaugurado em 1861. Caso raro: ainda é operado por pressão de água, que comprime o ar para os tubos, embora já tenha sido adaptado à electricidade.

Um dos discos gravados para a Hyperion por Howard Shelley e a Tasmanian Symphony Orchestra.

Para exemplo, encontrei este vídeo da TSO interpretando um trecho de Wild Swans, bailado da compositora australiana Elena Kats-Chernin:



Ou ainda Julia Lezhneva com a TSO (não no seu melhor, diga-se...)


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Quanto à natureza, não falta, e em estado bastante selvagem. Já não sobrevive nenhum 'Tigre' da Tasmânia, mas o dantes temido 'Tasmanian Devil', um inofensivo roedor, é protegido como espécie única e ameaçada. A densa floresta e os parques costeiros são os maiores atractivos.





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Não falta que ver, ouvir e ler, portanto. Devia sentir-me como em casa, lá em Launceston, uma cidade europeia no outro extremo do mundo. Pelo menos, imagino que sim.

2 comentários :

humming disse...

Deslumbramento ao mais alto nível. Obrigada, Mário.

Mário Gonçalves disse...

Ana, :)

Viagens imaginadas não desiludem...