segunda-feira, 23 de abril de 2018

Os 'misteriosos' frescos de S. Sebastião da Terceira


Deparar com esta pequena maravilha numa remota igreja da remota Ilha Terceira, no meio do Atlântico, é de facto surpreendente. Bem sei que a ilha vale sobretudo pelo património urbano e paisagístico, mais uma razão para este apontamento de Arte surgir como valioso contraste.

São Sebastião é uma vila pequena (~2000 hab.) no sudoeste da ilha, a quinze minutos de Angra, que se organiza à volta da Matriz e da Praça da Vila.



A Igreja Matriz, em gótico tardio, afonsino, é provavelmente a mais bonita da ilha ( pode-se gostar igualmente da de Praia da Vitória). Foi edificada pelos primeiros povoadores da ilha em 1455, e deve ter sido por estas bandas que a Terceira nasceu para a História. O templo, de pequena altura, destaca-se pelos seus portais em estilo manuelino, arcos e abóbodas nervuradas.



A maior riqueza são os frescos, de autor desconhecido, que datam do séc. XVI (1565 talvez). Um belo legado.
Um dos painéis tardo-medievais, na parede sul, de arte já Renascentista, a juntar à gótica manuelina !

Figuras autónomas separadas por molduras decorativas, num mural que excede 8m de largura.

São Martinho.

Maria Madalena.


Cá fora, um festivo manuelino:




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Mesmo ao lado, no estilo rococó popular (kitsch) tipico da Terceira, um Império, capela como há muitas na ilha, dedicada ao conhecido culto dos ilhéus.

2 comentários :

Fanático_Um disse...

A igreja de São Sebastião é a mais bonita da ilha Terceira, também concordo, considerando exterior, interior e área circundante (e o império é também talvez o mais vistoso da ilha). Para além da igreja de Praia da Vitória, há outra que rivaliza com elas, sobretudo no interior, a igreja do Convento de São Gonçalo em Angra do Heroísmo. Por fora passa totalmente despercebida mas o interior é deslumbrante. Se esteve recentemente pela Terceira, espero aprender aqui algo importante sobre mais esta. Obrigado.

Mário Gonçalves disse...

Fanático_Um, antes tivesse sabido, passou-me despercebida... estive pouco tempo na Terceira, mas não teria perdido a Igreja do Convento se tivesse informação. Vi muitas otras maravilhas - a floresta, a serra, as lagoas, e as magníficas casas de quinta, nobres, apalaçadas, com moldura colorida em todos os tons... a organização do território faz cobiça, é um modelo que o continente bem podia 'importar'.