segunda-feira, 4 de junho de 2018

'Ales Stenar', as pedras Viking de Ale na península de Scania (Skåne)


Talvez seja o mais importante, fascinante e enigmático monumento pré-histórico do Norte da Europa - onde a escrita só chegou pelo ano 1000, com a cristianização. Sem a escrita romana e limitados à primitividade das Pedras Rúnicas (com sinais gravados), os Vikings deixaram poucos testemunhos da sua era, daí a preciosidade de monumentos como este, datado de cerca de 600 DC.

Alinhamento com a forma de um barco no alto de uma falésia.


Pedras de Ale (Ales Stenar)
Península de Scania, Suécia
Coordenadas: 55° 23′ N, 14° 03′ W


É um navio-túmulo, feito de 59 obeliscos plantados entre o céu e o mar, numa pastagem ao alto de um promontório quase a pique sobre o mar, perto do pequeno porto de Kåseberga. A cidade mais próxima é Ystad. Quem construiu, e porquê, ou para quê ?


Tudo indica que seja um monumento fúnebre, talvez dedicado a um chefe Viking que se afundou com o seu navio e tripulação nesta costa; outros tendem mas para a tese de relógio astronómico (como Stonehenge) pois nos solstícios o sol está exactamente alinhado com as duas pedras extremas, à "popa" e à "proa" ! Ah, sempre estas 'coincidências'...


Acordo há, sobre a datação: entre 500 e 1000 DC, durante a tardia Idade do Ferro nórdica. Mas os arqueólogos descobriram que as pedras assentam numa muito mais antiga câmara funerária, datada de há cerca de 5500 anos. Quem sabe se o alinhamento em forma de barco simbolizava o transporte dos mortos subjacentes para a sua morada eterna ? Aqui, tão longe da barca de Caronte...

Os megalitos são na maioria de granito, mas há duas pedras de calcário e uma de quartzite, provavelmente não originais mas resultado de restauros antigos. Mal podemos imaginar como foram levantados pedregulhos de toneladas e arrastados pelos campos, subindo uma encosta íngreme, e por fim alinhados com cuidado e precisão com os astros celestes.


'Ale' porquê ?

O monumento era conhecido como Heds Stenar (Heesteena) no séc. XVIII ( e ainda hoje pelos locais), e existe uma menção de Stene no séc. XVII. Não se saba a origem do nome Ale.


O escritor e realizador sueco Hasse Alfredson defendeu a ideia das funções astronómicas em 1970. Com uma simples bússula verificou que a linha central, eixo de simetria do navio, apontava para o sol nos solstícios: no Verão, o sol poente alinha com a proa, no inverno o nascer do sol alinha com a popa.
Göran Lind, professor da Universidade de Lund, afirmou em 1975 ter confirmado essa hipótese de Alfredson com equipamentos mais sofisticados. Desde então não faltam estudos mais ou menos esotéricos, em que coincidências geométricas e cosmológicas são amplamente especuladas, sem credibilidade científica.


Monumento tumular, calendário astronómico ou sítio de ritos religiosos ? ou tudo ?  O melhor da História é quase sempre o que (ainda) não se sabe.



Talvez vá visitar as Stenar um dia destes.

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