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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Devaneios no Loch Fyne: Inveraray e as pontes

Sonhar, talvez sonhar.

A enorme Escócia - um nunca mais acabar de lagos e fiordes e vales, centenas de ilhas, e umas quantas vilas costeiras irresistíveis - é, juntamente com Itália, a  Europa de que mais gosto. Tem um dos seus recantos mais genuínos em Inveraray, no Loch Fyne. É como mergulhar num livro romântico, para fora deste mundo, irreal. 

Vista do alto de Dùn na Cuaiche

Nem falta o inevitável castelo de conto de fadas. Acho que este deve ser um bom refúgio quando se aproximar o fim do mundo; ao que dizem, está próximo.😄

Inveraray (gaélico: Inbhir Aora)

População:    ~700
Coordenadas: 56°14′ N, 5°04′ W

A avenida planeada com acesso de Front Street por uma grandiosa arcada. À  esquerda, Main Street, a rua comercial.

O burgo foi criado por Jaime III em 1474, e subiu a Burgo Real em 1648 com Carlos I; mas a actual Inveraray foi planeada no século XVIII (1772-1800) pelos duques de Argyll, do aliás mal afamado Clã Campbell. Os arquitectos John Adam e Robert Mylne, contratados para traçar o novo espaço urbano, desenharam duas vias principais, paralelas à linha de água: The Avenue (um fiasco!) e Main Street, onde se alinha um luminoso casario branco, num estilo Georgiano elegante e bem proporcionado. A rematar, em ãngulo recto, uma frente para o lago que proporciona o perfil mais divulgado da vila.

Começo pela vista da frente para o lago.


The Inveraray Inn (antigo Argyll Hotel, de 1757), entre arcadas, é um dos prédios mais relevantes. À direita, a Bell Tower.

Front Street

'The Courtyard', Front Street,1757. Antes foi Alfândega, Tribunal, Escola e Prisão - era a Townhouse.

Avenue Screen Wall, 1788 - as portas de entrada com três arcos para a falhada 'Avenida' residencial, ao lado da pousada.
 
Há pouco restaurada, é património classificado.

No alto da Main Street, de frente para o bulício comercial e para o lago, fica a Igreja paroquial de Inveraray, edifício neoclássico com elementos palladianos, de 1792.


O desenho original da igreja de Inveraray, previa dois locais de culto numa só igreja - um em inglês, outro em gaélico; para isso o espaço interior estava dividido a meio por uma parede, e as duas igrejas eram simetricamente opostas, cada uma com o seu pórtico de entrada. 


As duas entradas só diferem em que no frontão de uma há um relógio, no da outra um sino.

Frente Norte com relógio.


Além disso, a igreja tinha uma torre espiral ao centro, sobre a parede divisória; em 1941, essa parede e a torre forma demolidas e o espaço interior único e mais amplo.

Arkland era a parte pobre da cidade planificada de Adams, por trás da Igreja, na South Main Street; 'land' é gaélico para 'propriedade'.

Bairro pobre, mais parecem casernas de um quartel, mas foi requalificado.

A (North) Main Street, frente à igreja, reúne o comércio e hotelaria e por isso é a rua mais animada de Inveraray.

Main Street desce da Igreja directamente para o lago Fyne.

O George Hotel (1779), do arquitecto Adams, Main Street East. A ilusão funciona: a pequena povoação quase parece uma cidade.

Inveraray centraliza comércio e serviços de uma vasta região.



The Royal Burgh Café, Main Street - "wide range of Italian Coffee" !



Ao fundo de Main Street, no passeio do lago, encontra-se desde 1839 a Mercat Cross.

A rua principal vista a partir da Inveraray Cross, com a igreja paroquial ao fundo.

Esta cruz celta de 1300-1400 é um dos poucos vestígios históricos do burgo medieval; sinalizava o mercado, e pode ter sido trazida da vizinha Iona. Caso raro, está esculpida com hastes de videira entrelaçadas.


Front Street e Main Street vão terminar no Quay Close, o pátio do cais, lugar turístico onde se costumam juntar excursões.


A Pier Shop já foi edifíco de correios; e a casinha georgiana por trás é o restaurante Ban-Diùc (A Duquesa), de cerca de 1800 - uma fantasia do duque de Argyll.


Também não falta junto ao cais um museu marítimo: uma escuna e um pequeno cargueiro "puffer"  (o mítico Eilean Eisdeal de 1856) que levava abastecimentos a partir de Glasgow ao longo do canal Forth and Clyde; neles se documenta o passado marítimo da Escócia.

A escuna "Arctic Penguin" e o cargueiro Eilean Eisdeal formam um pequeno museu.

Vamos até ao Castelo.

Inveraray Bridge, sobre a foz do rio Aray no Loch Fyne.

A ponte é de 1776 e atravessa os domínios do Castelo dos duques de Argyll. O orifício central destina-se a dar mais escoamento em caso de cheia.

Inveraray Castle

O castelo actual foi construído no século XVIII. É a residência do chefe Campbell, o Duque de Argyll, que ocupa actualmente uma parte do palácio, libertando uma zona de museu para visitantes.  


A arquitectura é uma mescla de elementos do barroco, neo-gótico e palladiano, lembrando o estilo do Château apalaçado francês.



Na sala de jantar, dão nas vistas as miniaturas de caravela em ouro.


Sala Victoriana.

Quarto MacArthur, dito assombrado ...

Na cozinha vitoriana, a bastante fotogénica janela ogival.

Vista sobre os jardins e o lago no "quarto escondido" de um dos torreões.

Ah, as pontes !

Frew's Bridge.

A Frew's Bridge atravessa o rio Shira nos terrenos do castelo.

Garron Bridge (1747), um dos postais da Escócia, sobre a foz do rio Shira.

'Slán', com a ponte sobre o Aray ao fim do dia:

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E em breve 'voltarei' a Itália.


terça-feira, 8 de setembro de 2020

Anna Amalia von Braunschweig, die Prinzessin



Ana Amália de Brunswick (1739 – 1807) foi uma princesa germânica, regente de dois estados da Saxónia, que também se dedicava a compor música. A sua corte em Weimar, Musenhof (Casa das Musas), foi na época o centro cultural mais influente na Alemanha, atraíu Goethe e Schiller; Ana Amália criou, também em Weimar, uma biblioteca luxuosa que tem agora um milhão de livros. Uma princesa perfeita.

Biblioteca de Ana Amália, Weimar

Irmã de Frederico II, nasceu em Berlim, numa familia que já cultivava o Iluminismo. Casou jovem, aos 17 anos, com um nobre enfermo que a deixou viúva em dois anos, com o cargo de Regente. Pôde então implementar o requinte cultural da Musenhof - concertos, teatro, palestras - ao mesmo tempo que conseguia dar bom governo ao ducado.

Sobre a Musenhof escreveu o poeta Wieland que era
"... uma instituição para a promoção da alegria e do bom humor, onde se tocava piano e violino, soprando, assobiando e brincando para que os anjos no céu se divertissem".

Leitura de poemas na Musenhof de Weimar, perante Ana Amália e Goethe.

Ana Amália compôs uma sinfonia, um oratório, uma ópera e muitas obras de câmara. Difícil é encontrar boas gravações - consegui estas três. Dão bem a ideia de uma hábil compositora, que poderia ir mais longe se...

- Abertura de Erwin und Elmire,
pela excelente AAM sob diecção de Andrew Manze


Mas o seu melhor foram as sonatas:

- Sonata para Oboé & Orgão - Adagio
Pahud / Pinnock


- Sonata em Fa para flauta e cravo
 


Boas audições.