sábado, 29 de janeiro de 2011

Dame J, a voz que já não há

É uma dádiva inestimável poder continuar a ouvir cantar Joan Sutherland, com esta difícil facilidade, com esta sobrehumana humanidade.

(Nunca mais) há vozes assim.

Dame Joan Sutherland, bolero de I Vespri Siciliani, G. Verdi


P.S. Próxima viagem: Bologna, e il suo Teatro Comunale

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

No Botânico do Porto

O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.


Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.

António Ramos Rosa

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

tangerina, tangerina

FRUTOS

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

Eugénio de Andrade