quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Emily Dickinson em tradução

Publicada recentemente, uma colectânea de Cem Poemas de Emily Dickinson (1830 – 1886), traduzidos para português, deixou-me muito desiludido.

Emily Dickinson é uma das minhas poetas de eleição, frequentemente citada no Livro de Areia.

Alguns exemplos, de tradução minha, que pode não agradar a muitos mas ... é minha.

1.

Vim comprar um sorriso – hoje
Um simples sorrisito
Um leve, no teu rosto,
Serve lindamente –
Ninguém mais dá por ele
De tão esbatida luz –
Peço ao balcão – senhor,
Vá lá, pode vender –

Trago diamantes nos dedos
Sabes, diamantes ?
E Rubis – sangue do entardecer ~
E Topázio – como estrelas!
É bom negócio, judeu !
Posso ficar com ele – senhor ?


2.

Para fazer um prado basta um trevo e uma abelha
Um trevo, uma abelha
E fantasia.

A fantasia basta, só ela,
Se faltam as abelhas.


3.

Neste prodigioso mar,
Em silêncio navegando,
Ho! Timoneiro, ho!
Conheces tu a praia
Onde não rugem as vagas
E a tempestade passou?

No tranquilo ocidente
Muitas velas em repouso,
Âncoras a descansar ;
Para lá vos conduzo.
Terra à vista! Eternidade!
Enfim, desembarcar.


4.

Como se o Mar se abrisse
Mostrando outro Mar –
E este – ainda outro – e os três
Só uma antecipação –

De Períodos de outros Mares –
De Praias não visitados –
Eles Origem de Mares vindouros –
A Eternidade – são Esses.


5.

Ó Estrelas e Sonhos e Gentil Noite;
Ó Noite e Estrelas, voltai!
E escondei-me da luz hostil
Que não aquece, queima

Que seca o sangue de quem sofre;
Bebe lágrimas em vez de orvalho;
Deixai-me dormir enquanto o seu reino cega,
E só acordar convosco!


6.

Como se uma pequena flor do Ártico
desde a região polar,
fosse descendo através das latitudes,
até chegar perplexa
aos continentes do verão,
aos firmamentos do sol,


a estranhos, luminosos campos de flores,
e de pássaros de línguas estranjeiras! Digo,
Como se esta pequena flor
ao Éden estivesse a chegar --
E então, o quê ? Ora, nada, só
o que daí te pões a pensar !

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