quinta-feira, 14 de abril de 2011

Brahms : o Requiem

No próximo sábado Cristopher Konig dirige o Requiem de Brahms na Casa da Música.


Uma das obras maiores do mestre alemão, que sempre considerei um dos maiores compositores de sempre (ao contrário dos wagnerianos e atonalistas que o desprezam), exige muito da orquestra, do côro e sobretudo de quem dirige. Só espero que o "nosso" König esteja à altura, como já provou noutras obras difíceis.

Cantam :
Rachel Harnisch, soprano com créditos (cantou em Lucerna com Abbado)
Andreas Scheibner, barítono

Infelizmente (?) o programa é "inovador" , e intercala uma obra de Wolfgang Rihm (Das Lesen der Schrift) entre os andamentos de Brahms. Veremos.

Simpatizo com este Requiem até pelas razões por que alguns o acusam de "ateu". Brahms (protestante luterano) não acredita na "outra vida", na ressurreição prometida pelo catolicismo, rejeita o texto latino da Bíblia, e escreve na sua língua valorizando antes o consolo divino para quem nesta vida está em sofrimento. Pela primeira vez, um Requiem mais humano e reconfortante.
Começa com o mui lindo "Selig sind, die da Leid tragen"( Abençoados os que sofrem) e acaba com uma tranquila aceitação da morte como descanso.

Ihr habt nun Traurigkeit;
aber ich will euch wieder sehen
und euer Herz soll sich freuen
und eure Freude soll niemand von euch nehmen.

Agora estás em sofrimento
mas eu voltarei a ver-te
e o teu coração regozijar-se-á
e a tua alegria ninguém poderá tirar


uma bela interpretação:

Referência: Klemperer dirige a Philarmonia:

Wie lieblich sind deine wohnungen

(como é linda esta morada de repouso)

Agora canta Schwarzkopf:

E Simon Rattle fala sobre o Requiem:

7 comentários :

Paulo disse...

O Mário hoje disse uma inverdade aí em cima. Conheço muitos wagnerianos que são também admiradores de Brahms.
Espero que seja um bom concerto (embora o Rihm pelo meio me assuste um bocado).
Lembro-me de Um Requiem Alemão muito bom na Gulbenkian com Barbara Bonney e Hakan Hagegard (o Papageno de Bergman).

(Fui procurar o programa e achei-o: Fevereiro de 1992!)

Paulo disse...

Deixe-me juntar esta versão de Ihr habt nun Traurigkeit.

Fernando Vasconcelos disse...

Pois Paulo hoje em dia talvez, na altura era mais ou menos como entre azuis e encarnados ou rosas e laranjas. Gosto muito deste Requiem por acaso (ou não por acaso ). Essa invenção enfim nunca se sabe, pode sempre levar uns ramos de Salsa por prudência ...

Mário disse...

Paulo: erro meu generalizar a inverdade. Peço perdão a todos os que se possam ter ressentido. Mas também me parece que haverá alguns, e não "muitos", wagnerianos que admirem Brahms. Em particular os seguidores de Adorno detestam-no.

Fernando: sim, houve polémica q.b. e até duelos! O tempo sarou as feridas, como sempre.

Paulo disse...

E que tal foi?

Mário disse...

mediano, quase fraquito, Paulo, nem me apetece fazer um post. O côro desiludiu, e era o mais importante, talvez.

Paulo disse...

Oh :-(

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