sexta-feira, 15 de junho de 2012

Londres, a terminar: Mahler pela Philarmonia

Isto de fazer posts de antecipação de viagem é um bocado absurdo, o balanço posterior poderá ser bem diferente. Mas entretém-me e ajuda a pôr as coisas em perspectiva.

Londres foi para mim, primeiro, uma utopia intensamente desejada, depois, uma revelação avassaladora, mais tarde uma cidade quase de adopção, acolhedora e sempre deslumbrante. Iria para lá viver, sim, em Mayfair ou Chelsea, num desses bairros lindos de morrer, com crescentes e jardins, lojas de antiguidades e pequenas livrarias, tea room, fachadas eduardianas...

Seria a minha ruína, rapidamente, não só por ser uma cidade cara, mas sobretudo porque não resistia à agenda cultural - é rara a semana em que não há nada imperdível.


E depois, há as livrarias, centenas, de todos os tamanhos e especialidades, normalmente irresistíveis. E depois, Oxford e Cambridge estão ali a menos de uma hora...

Nesta semana cada vez mais próxima tentarei concentrar o máximo de tudo isso, já aqui falei de St. Paul's e Covent Garden, no Royal Albert Hall e no Globe Theater.

A 28, na véspera do regresso, será a minha estreia do Royal Festival Hall com a Philarmonia dirigida por Esa-Pekka Salonen na 2ª de Mahler.

Salonen já tem algum currículo, gravou a 4ª, a 6ª e a 9ª pelo menos. Parece-me que terei um Mahler nórdico, um pouco à Sibelius. Veremos. Canta Monica Groop, que não me deixará ficar mal.

Um exemplo: o adagio da 9ª com, justamente, a Philarmonia.



Quanto a Monica Groop, mezzo finlandesa, aqui está, com Salonen, mas no Liebst du um Schönheit de Mahler:
(no embedding)

A segunda de Mahler é uma obra enorme. Não consigo imaginar a energia e o talento necessários para pôr mãos à obra num trabalho destes, só uma portentosa inspiração o pode explicar. Reflecte com certeza uma dura peregrinação interior. Mahler escreveu sobre o último andamento: “A tensão crescente, em construção até ao clímax final, é tão tremenda que nem eu próprio sei, agora que está pronta, como fui sequer capaz de a escrever.”

No dia seguinte apenas terei tempo para um breve adeus, talvez definitivo. Sim, estou a pensar que será definitivo, damn.

5 comentários :

Virginia disse...

Ler este post fez-me saudades de Londres. Estive lá em setembro passado, mal eu sabia o que estava para acontecer. É realmente uma cidade caríssima, os taxis são fogo, os transportes lume, andar a pé é quase impossível...mas adorei lá ir, assistir ao Benfica-Manchester num pub rodeada de ingleses, ver o Billy Elliot e ouvir Bach em St. Martin...excelente.
Tinha bilhetes da Ryanair para o dia 2 de Julho, mas troquei-ospara ir a Leeds buscar a minha filha. Não sei quando voltarei lá.
Já uma vez fiquei num dos hoteis mais carismáticos de Mayfair, o Chesterfield. Foi uma experiência única...

Boa estadia. Aqui para nós há um bocadinho de mim que tem inveja...

Abrº

Gi disse...

Definitivo porquê? Sei que não tenho nada com isso, mas está a assustar-me, Mário, e talvez perceba a razão. Adeuses nesta altura...

Mário disse...

Virgínia, obrigado, ainda ver ter muitas oportunidades :)

Mário disse...

Gi,

Nada de especial, apenas resolvi que com os poucos anos de mobilidade que me restam (10?) e com poucos recursos, chegou a altura de ir dizendo o último adeus aos sítios onde gostei de estar. A seguir será Veneza, Nova Iorque...

Também, na verdade, não tenho muita vontade de aventuras no desconhecido... basta-me a Ultima Thule :)

Thanks for the concern anyway!
Mário

Virginia disse...

NUNCA se dizer NUNCA, mas compreendo essa sensação, pois tb eu já sinto que não sobram muitos anos para realizar aqueles sonhos que me acalentaram durante anos.

Felizmente viajei muito nestes últimos 20 anos por causa dos meus filhos e aproveitando a sua companhia. Com o meu ex- fiz viagens inesquecíveis a países do medio oriente, com o meu filho aos EUA por quatro vezes e ao Brasil. Gostava de ainda ir à América do Sul e à India, mas não vai ser possível, se continuar com problemas de saude, como artroses e congéneres.

Faz bem em ir e em gastar dinheiro nisso. É o que fica na vida.
Boa estadia e ainda melhores concertos.

Abº amigo