domingo, 23 de setembro de 2012

Rigoletto, La Fenice 2012

Estreei o Teatro La Fenice, finalmente.


A entrada pelo canal

De fora, o edifício até é feio, deselegante, há muito mais bonitos aí pela Europa. Mas é lá dentro que a decoração luxuosa deslumbra.




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Como previa, não foi uma noite de Ópera superlativa, mas foi  mais que mediana, e com excelentes momentos.

Começando pelo pior: os cenários de Daniele Abbado não são kitsch pós moderno mas são de uma pobreza minimalista que não passaria com certeza no MET. Não dão de modo algum o ambiente de Veneza: tudo azul, painéis e colunas em ângulo recto, apenas valorizando os efeitos de luz e permitindo variar facilmente o espaço cénico. Roupas entre o moderno e o muito básico. Curioso o traje vermelho de Rigoletto.

O dueto, e os blocos azuis de Daniele Abbado

A orquestra do La Fenice esteve muito, mas muito bem mesmo. Até acho raro uma orquestra de teatro de ópera tocar tão bem. Não sei se houve mérito especial na direcção de Diego Matheuz, mas teve o meu aplauso.

Dimitri Platanias e Desirée Rancatore foram as duas maravilhas da noite. O dueto saiu tão belo quanto pode, as duas vozes perfeitamente entrelaçadas, ambas com timbre bonito, emotivamente expressivas e vocalmente ágeis. Frisson. Em geral, estiveram ambos sempre ao mais alto nível - apenas gostaria de um pouco menos de vibrato na Gilda, de resto personagem bem construída pela Rancatore, o que nem sempre sucede. Tutte le feste al tempio irresistível, na projecção da voz, na segurança dos agudos.

O Rigoletto é uma ópera de enganos e dualidades: o buffone e a filha debatem-se entre o bem e o mal, não há maniqueísmo, até o duque afinal tem o seu lado gentil; os enganos não são de comédia, deta vez, hélas, é uma tragédia - toda a gente engana e se deixa enganar, com o fim que se sabe.

A mediocridade da noite foi o duque de Mântua, com Gianluca Terranova. Voz pequena, sem projecção nem expressão, piorada por uma actuação estática inexpressiva. Um Dona Mobile fraquinho, esquecível, portanto. mas pior ainda foi o Ella mi fu rapita/Parmi veder le lagrime, de que gosto mais.

No Bella Figlia Dell Amore, não se notaram desencontros de maior, mas além de Terranova, também a Maddalena (Anna Malavasi) deixou muito a desejar, com uma voz feia, feia.

Nunca vi nem ouvi melhor finale entre pai e filha moribunda ! Perfetto.

O côro esteve bem e os momentos de tutti com a orquestra tiveram impacto e segurança.

Acto I, cena 2

Cena final


Desirée Rancatore no Caro Nome 

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