sábado, 26 de abril de 2014

Ostentação czarista de visita a Lisboa


Por estas e por outras é que a Rússia também sofre de uma economia inviável, como nós. Não fabrica nada de topo, nenhum produto-bandeira mundialmente conhecido. O que tem de bom nas lojas, é importado. Mas é perita em gastos sumptuários, e acumulou uma riqueza incálculável de arquitectura, palácios e igrejas, jóias e preciosidades sem fim.


Esta exposição deslumbra, mesmo que reduzida a uma ínfima amostra. Contém ofertas à corte provenientes do Egipto, Turquia e sobretudo Irão, obras de ourivesaria suíça e holandesa. Tudo importado, portanto. É um regalo, se se conseguir abstrair por momentos da desgraça que corria pelo país.


A vitrina mais recheada. 

Corno de búfalo decorado com ouro e pedras preciosas, proveniente da Pérsia na primeira metade do século XVII, e que foi oferta dos Países Baixos.

Relógio calendário e conjunto de escrita (tinteiro e estojo) em ouro, diamantes, rubis e pérolas, Istambul, séc. XVII.

Taça de jade, Istambul, séc. XVII. Ouro, esmeraldas, rubis, safiras.

Caneca de cristal, Istambul, séc. XVII. Rubis, esmeraldas.

Arreios de cavalo para cerimonial.

Escudo de cavaleiro para cerimónia, com o Sol ao centro em raios espiralados de rubis e turquesas.

Chamariz da exposição, este ícone do séc. XVI com moldura de ouro dos séc. XIV e XV (Nossa Senhora da Ermida Barlovskaya).


Curiosamente, esta Rússia virada ao Oriente parece hoje bem mais viável, capaz de prosperar em paz, do que o actual regime pretende, ao disputar território e influência com a Europa / UE. Senhores, deixem em paz a muito europeia Kiev, e tratem de rentabilizar a estepe, a tundra, o ártico, o Baikal, a Mongólia.


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Bem melhor que este meu post está este documento da Gulbenkian , e também a apresentação de slides no site do Público.

No Museu da FCG, até 18 de Maio.

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