domingo, 12 de junho de 2016

"Cântico do Sol" de Gubaidulina estreia na CdM


O Cântico do Sol  de Sofia Gubaidulina teve a sua estreia na Casa da Música num programa em que reinou o violoncelo, e que incluiu três canções corais de Brahms e a suite para violoncelo BWV1007 de Bach, que só por si já valeria o concerto se fosse boa a prestação de Filipe Quaresma: foi excelente, teve alguns toques pessoais  (uma ou outra dissonância salientada, acentuações inusitadas), nada Rostropovichiana - a opção foi mais rápida, ao estilo barroco revisitado, e resultou fantástica na Courante vertiginosa.

Mas o plat de résistance era o Cântico do Sol de 1997, para violoncelo, côro de câmara e percussão.
Côro Casa da Música
Kaspars Putninš, direcção musical
(titular do Coro Filarmónico da Estónia)
Filipe Quaresma, violoncelo (e outros)
Mário Teixeira, percussão
Manuel Campos, percussão


Sofia Gubaidulina nasceu numa cidade tatar (tártara) - Chistopol, na actual república autónoma do Tatarstão, próximo da bela, histórica, 'incontornável' Kazan. Actualmente a sua vida artistica é repartida entre a Alemanha e a Suécia.

O Cântico do Sol é uma obra coral religiosa sobre texto de S. Francisco (Laudes Creaturarum) em dialecto úmbrico italiano. Praticamente isenta de melodia, com o côro limitado a pouco mais que cantochão, a obra vale pelo protagonismo quase histérico do violoncelo, polivalente, e por harmonias bem conseguidas com o violoncelo, a percussão e as vozes. Apreciei sobretudo os momentos em que houve contraponto (côro /violoncelo).

Tenho uma gravação de 2012, com a Kamerata Baltica e Nicolas Alstaedt ao violoncelo; por comparação, esta na Casa da Música fica a perder, mas valeu pelo desempenho de Quaresma e pela componente visual e espacial, que tem a sua importância.



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