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terça-feira, 14 de julho de 2026

Grande Arte Europeia no Harvard/Fogg Art Museum de Cambridge, Boston



Publiquei aqui  há uns meses um post sobre o Museu de Cleveland, e a riqueza da sua colecção de Arte Europeia gótica e medieval. Outro museu que devia estar na Europa mas está em Boston é o Museu de Arte de Harvard, em Cambridge - Boston. São várias colecções, por isso costumam ser referidos no plural, Museus de Arte de Harvard. Lá dentro abunda arte europeia desde a clássica (mediterrânica) até ao século XX.

Fra Angelico, Filippo Lippi, Botticelli, Ghirlandaio, F. Guardi, Cézanne, Manet, Degas, Manet, Pissarro, Monet, Matisse, Picasso, Toulouse-Lautrec, van Gogh, Renoir, Rodin, Klimt, Klee, Calder, Rothko...

1 - O Fogg Museum, aberto em 1896, é a parte mais antiga e mais extensa.

2 - O Busch-Reisinger Museum fundado em 1903, arte de países de língua alemã.

3 - O Arthur M. Sackler, Médio Oriente e Ásia

Plano do Museu Fogg

Piso 1 - Arte Moderna, Impressionistas, séc XIX-XX

Piso 2 - Período Medieval, Renascimento, Romantismo/Neoclássico

Piso 3 - Arte Egípcia e Greco-Romana 

Piso 4 - As melhores colecções privadas (Fogg, Busch-Reisinger)

Vamos para a Antiguidade Clássica, no piso 3:

Horus, o deus-falcão egípcio, bronze (Período Tardio, ca. 650 – 500 A.C.).

Olpe (jarro para vinho, coríntio) ~700 AC

Kantharos (taça), Etrusco, 500 AC

Cerâmica "black and orange" -  período Arcaico (600–480 AC) e Clássico (480–323 AC)

Os pintores destes vasos são nomes bem conhecidos, famosos na época, estabelecidos em Corinto e Atenas.

Calyx Krater, ~500 AC (Kleophrades)

Kylix com mulher oferecendo libação a um altar, ~ 480 AC (Akestorides)

Outro, lindíssimo, do famoso ateniense Douris

Ânfora, Ática, 500 AC

Detalhe

Baixo relevo funerário sobre uma múmia (período Romano do Egipto, loc. Antinoopolis)

Antinoopolis foi uma cidade fundada em 30 DC pelo Imperador Adriano na margem direita do Nilo.

Cálice com padrão decorativo de pinhas, Anatolia (Imp. Romano), séc I

Fragmento de pavimento de mosaico com Pavão, Roma, séc. V-VI

Seguindo uma ordem cronológica, passo à Idade Média europeia.

Fra Angelico, Madonna e Bambino, 1430

Filippo Lippi, São Jerónimo no Deserto, c. 1455

Ghirlandaio, Madonna e Bambino, 1480

Detalhe de Madonna e Bambino, Sandro Boticelli, 1490

Até aqui, não está nada mal, certo? Enfim, a Arte é nossa, o dinheiro é deles.

Altar de Santa Ana, gótico germânico, 1516

Orazio Gentileschi (pai de Artemisia), 'La Madonna col Bambino dormiente', 1610

Lindo de cortar o fôlego. Os séculos XVII e XVIII são italianos.

F Guardi, Isola della Madonnetta, 1790

F Guardi, Fondamenta della Zattere, 1780

Salto temporal: vamos para o século XIX.
Um Turner invulgar, com um vermelho fabuloso:

Turner, Rembrandt's Daughter, 1827

Corot, Bateau de pêche à Honfleur, 1830

Renoir, claro, um deslumbrante vaso de flores.

Renoir, Bouquet Printanier, 1866


Oh não! Este também ?!

Claude Monet - Gare Saint Lazare, Arrivée d'un train, 1877 (série 'Saint-Lazaire')

Cézanne, Nature Morte à la commode, 1888



E Matisse, a brincar com as maçãs de Cézanne :

Que magnífica 'Nature Morte avec pommes', 1916

'Je n’ai jamais été aussi conscient que récemment, de la beauté de la couleur noire, de tout ce qu’elle peut offrir, à la fois comme contraste et en soi.'
                                                                                    Matisse

Gustav Klimt, Birnbaum (Pereira), 1903

Esta obra-prima de Klimt está na colecção Busch-Reisinger.

Degas, 'Grande Arabesque, troisième temps', bronze, 1919

Paul Klee, (Kopf) beim Einschlafen [Cabeça (ao adormecer)], 1935

Paul Klee, N.H.D. (provinzenhade), 1932

Tenho a impressão de que ficava a morar lá uns dias... está aqui exposta praticamente a História da Arte ocidental.

Alexande Calder, Little blue under red, 1947

Vou terminar com um tríptico de Rothko encomendado pela Harvard University para ser exposto no museu; não é europeu mas é impressionante.

Rothko, 1962

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Há muito mais ainda, greco-romano, medieval, mais Matisse, mais Renoir, Picasso... mas também excelentes Singer Sargent, Hokusai...  estes Museus de Harvard são um exagero.



domingo, 17 de maio de 2026

Dornoch com o seu fiorde; Tain , cidade histórica - a bela Escócia que nunca cansa


Regresso à Escócia, num local remoto e ignorado na região de Sutherland, situada a noroeste de Inverness: o fiorde de Dornoch. Surprise, surprise.

Telhados de Tain, Sutherland

A entrada de mar é guardada por duas pequenas cidades; Dornoch a norte, Tain a sul. Como os estragos turísticos e modernaços tem sido poucos, são povoações sossegadas, bem tratadas, com ruas de arquitectura antiga coerente,  harmoniosa, enfim cidades com carácter.


Dornoch é uma pequena cidade histórica na margem Norte do fiorde com o mesmo nome, um largo estuário que abre sobre o Mar do Norte.

Fiorde de Dornoch.

Dornoch , o relvado do golfe e a praia.

O centro de Dornoch, em torno da catedral.

Dornoch, ou melhor, The Royal Burgh of Dornoch,  fica 72 km a Norte de Inverness, na estrada A 949 que faz parte da panorâmics North Coast 500. 

Dornoch são duas ruas. uma de cada lado da catedral, a High Strret e a Castle Street. No primeiro plano, a loja maçónica.

 Catedral do Dornoch, séc. XIII

Entrada principal, virada a poente.


Foi mandada construir pelo primeiro conde de Sutherland, Gilbert de Moravia,  Bispo de Caithness, canonizado como St. Gilbert; ficou completada o mais tardar em 1239. Saint Gilbert é um dos santos escoceses - o último.


Gente famosa e rica vem por vezes casar nesta catedral, relativamente protegida do assédio mediático.


Numa ruela que contorna a catedral, St Gilbert st., uma 'cottage' medieval.


Do lado Norte, High Street termina junto a uma livraria:

Dornoch Bookshop.

Em frente à livraria, no início de Bridge Street, há uma velha ponte de pedra:


Por baixo passa o Dornoch Burn, um riacho que abastecia a vila de água doce.


O ribeiro Dornoch Burn atravessa o relvado do campo de golfe antes de desaguar no Mar do Norte. 

Dornoch Castle


O Castelo é o mais vistoso edifício, a marca da cidade. Construído por volta de 1500 para o bispo de Caithness, passou em 1557, continuou na posse da família  Sutherland. Mais recentemente foi escola, prisão, tribunal, e após várias alterações passou a residêncoa do oficial de justiça. E agora? Adivinhem.

Agora é um Hotel. Dornoch tem uns 4 ou 5.


Nas traseiras do castelo, actualmente Hotel, há um relvado onde se junta a elite de Dornoch e os visitantes do golfe.


O castelo deu nome à rua mais bonita de Dornoch, Castle Street.
 

Nº 1 , Castle street.

O Eagle Hotel ocupa um dos edifícios classificados de Dornoch.

Mas nas suas ruas há mais, por exemplo, na convergência de Argyll Street, High Street, Bridge Street há esta praça:

The Square



Sutherland House, casa de sec XIX


Mais:
https://www.gps-routes.co.uk/routes/home.nsf/RoutesLinksWalks/dornoch-to-embo-walking-route
A praia de Dornoch, vendo-se o Dornoch Burn desaguar no Mar do Norte.

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Se Dornoch surpreende, que dizer de Tain ! 


Cidade de Tain, Sutherland

Fundada em  1066 pelo rei Malcom III, com um nome gaélico significando "vila de S. Duthac", é o mais antigo dos 'Royal Burghs' na Escócia. Anterior à 'nossa' nacionalidade !


Não fica de facto atrás de Dornoch em património histórico. Também cidade de granito, dispõe-se ao longo das ruas perpendiculares Tower Street e High Street.


High Street - telhados e chaminés

Quem entra por High Street, passa ao memorial a Kenneth Murray:


Depois, seguindo para Tower Street, vai encontrar numa esquina a Torre da Portagem (Tollbooth), que é a marca mais famosa da cidade. 

High Street ao chegar ao centro de Tain.


A Torre da Portagem, no estilo revivalista escocês, foi terminada em 1708; as quatro bartisanas (guaritas) e o pináculo adicionadas em 1733, e o relógio em 1755. Actualmente serve de entrada para o edifício do Tribunal, de 1843.

O Leão da Portagem

O Tribunal Administrativo adjacente á Torre.

Por trás fica uma rua estreita, Castle Brae, onde está o Museu de Tain.




Antigas pedras de Curling, jogo que se praticava nos 'lochs' quando gelavam.

Um ' quaich', taça escocesa da região de Ross para whisky; feita de talhas alternadas de madeira de buxo e ébano , data do séc. XVII.

No fundo tem uma medalha de prata com brasão e a divisa dos Ross, "Noblis est ira Leonis".


Boina Victoriana para fumadores, de meados do séc XIX. Era usada pelos homens para impedir que ao fumar o cheiro do tabaco impregnasse o cabelo.

Garrafa de Hamilton para águas minerais, ca. 1840.

O Museu dá para o jardim da Colegiata de St Duthus:


A Capela da Colegiata de St Duthus (ou Duthac) é uma pequena jóia inesperada numa cidade tão anónima.



Construída entre 1370 e 1458 , tem as relíquias de Santo Duthac (1000-1065), muito venerado nesta parte da Escócia e na Irlanda. Foi local de peregrinação na Idade Média.


A característica janela estreita de vitrais é de 1880/1882, do revivalismo Victoriano.



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Os Links do rio Tain

As margens planas do Tain sáo uma área de lazer conhecida como Links of the Tain.

A ponte pedonal Alexandra, de 1902, atravessa as margens do rio Tain. 


Um arruamento estreito dá acesso a uma ponte pedonal de tabuleiro suspenso, a Ponte Alexandra, mesmo onde o Tain desagua no Dornoch Fjord.


Tain, com que então. A Escócia é um mundo. Nunca mais acaba de surpreender.