terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Snegurochka

Depois do post sobre Chyskhaan, outra tradição russa desta estação do ano.

Snegurochka, a Rapariga da Neve, é uma personagem do folclore russo que nunca falta nas celebrações de ano novo. Tem origem em crenças pagãs eslavas.

Segundo a lenda, Ded Moroz, o Avô Gelo, e a também idosa Rainha das Neves, fizeram Snegurochka moldando a neve. Usaram duas safiras de azul profundo para os olhos, uma fita vermelha para os lábios, e deram vida a uma belíssima jovem. Vestiram-na com um manto branco, e na cabeça usa uma coroa de pérolas e pratas.

Mas quando o Sol volta e aquece a terra, Snegurochka entristece. Um dia foi com outras meninas apanhar flores nos bosques. Quando escureceu, elas acenderam uma fogueira e começaram a saltar sobre as chamas. Snegurochka também saltava, mas começou a derreter e transformou-se numa nuvem branca.

Snegurochka passou a ser mais conhecida no séc. XIX depois de o escritor russo Aleksandr Ostrovsky ter escrito a peça "Conto de Fadas da Primavera", baseada na lenda (*). Retrata a bela jovem como filha do pai Gelo e da Mãe Primavera. É imortal, mora na Floresta de Inverno do pai, mas sacrifica a imoratalidade à capacidade de sentir o amor como os humanos. Como sofre com a solidão, a mãe dá-lhe uma coroa de flores, que, transmitindo tristeza e prazer, vai aquecer o frio coração da filha. Contudo, mal esta se apaixona, deixa a floresta e derrete-se pela manhã quando o sol a toca e a transforma numa nuvem.

A imagem moderna de Snegurochka surge nas celebrações de ano novo em festas e representaçõoes teatrais para as crianças. As meninas vestem-se de Snegurochka. É a neta, companheira e ajudante de Ded Moroz na distribuição de prendas às crianças.

Nikolay Rimsky-Korsakov escreveu uma ópera baseada na peça de Ostrovsky :

Rimsky-Korsakov, "The Snow Maiden" - Snegurochka -Teatro "Ópera Nova", Moscovo

(*) Também Tchaikovsky escreveu música incidental para a peça Snegurochka de Ostrovsky.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ver e Rever: O Novo Mundo de Terrence Malik


Revi agora , passados cinco anos , esta obra prima de Malik: voltei a sofrer o mesmo deslumbramento. O filme nada envelheceu, pelo contrário, continua uma fascinante revelação, como se fôssemos de visita à Atlântida; no final, esfregam-se os olhos, que se recusam a aceitar o fim da viagem.

Ninguém diria que a história de Pocahontas daria um filme assim sublime, mas Terrence Malik soube perscrutar a beleza subjacente e transformar a história numa saga épica, reconstruindo com autenticidade a fundação da primeira colónia inglesa na América do Norte em 1607, Jamestown, a par da vida tribal do índios Algonquian, intimamente relacionada com a natureza, inocente e violenta ao mesmo tempo. O modo como retrata o "choque de civilização" entre ingleses e índios é magistral, e culmina com a chegada de Pocahontas a Plymouth e à corte de Londres.

Uma direcção vagarosa e meditativa e um cuidado tratamento estético da imagem caracterizam a cinematografia de Terrence Malik. A música de James Horner (Titanic) e de Mozart é usada como poucas vezes no cinema , com uma precisão e intensidade calculadas, em contraponto com a acção.

Finalmente, outra perturbante revelação foi a actriz alemã de ascendência peruana e alasquiana Q'Orianka Kilcher ("Águia Dourada" !). Incarna Pocahontas de tal modo que não damos conta de assistir à representação de uma actriz .

(Esta é a nova versão, mais longa, que integra alguns dos cortes que Malik fora obrigado a aceitar devido à duração excessiva da sua montagem inicial)

domingo, 3 de janeiro de 2010

De boas intenções...

Fica bem declarar intenções para o novo ano. Gostava de ser capaz de manter com regularidade algumas rubricas iniciadas neste blog:

Ler e Reler, para livros
Ver e Rever, para filmes
Em audição, para CDs
Obras primas absolutas da musica clássica

Vozes do séc. XXI
Árvores e Poesia
Mar e Poesia
Compositores pouco falados
Histórias curtas
Notícias do Ártico
Contos e lendas do Norte

Talvez esteja a ser ambicioso, mas vou tentar que as páginas do Livro de Areia se vão folheando à volta destes temas. Não era mal pensado se conseguisse ser mais organizado nos meus posts. Isto, claro, sem prejuízo de assuntos novos ou que surjam de improviso.