terça-feira, 13 de abril de 2010

Gulodices

Viajar também é provar novas lambarices. Chegado a Zurique, morria se não ia à Sprüngli e à Péclard.
 
Nem falo de preços. é preciso abrir bem os cordões à bolsa. Mas os expositores são de arregalar os olhos e os menus também.

A Sprüngli (Banhofstrasse) é a mais famosa confeitaria e chocolataria suíça. Mandado vir um chá e um docinho, eis:

mmmmmmm
( o chá, contudo decepcionou )

A Péclard é uma sala de chá requintada na cidade velha, com fabrico próprio, e com uma bem situada e sempre cheia esplanada. Mesma receita:

mil folhas de baunilha:
e uma especialidade de chocolate divinal:


Não bastassem os doces, também experimentei salgados na Sprungli; anunciavam vol-au-vents de vegetais com legumes em bechamel:
  Uuuui mas que coisa boa! Comia isto todos os dias. Inacreditável.

Para acabar, cafés servidos como deve ser:

(pagos em conformidade: 3 € cada, em média)

Pronto, isto foram os excessos. Agora as moderações:
 
A "Haus Hiltl " foi o primeiro restaurante vegetariano na Europa (1898 !) . Já tinha boas referências à qualidade, variedade e bom preço da casa. Visitei uma, e duas, e três e quatro vezes ... o "buffet" a peso permite a cada um fazer um pratinho a seu gosto, e as escolhas são mais que muitas. Difícil é manter-se abaixo do 15 €/prato.


Mas o requinte é pedir pela carta do dia: os pratos vêm belamente arranjados e a surpreendente mistura de gostos é sempre gratificante.



E dormi sempre bem depois destes jantarinhos ! Recomendo: Hiltl, Sihlstrasse, Zurich.
www.hiltl.ch








segunda-feira, 12 de abril de 2010

Janelas e lampiões

Ora aqui está outro factor de identidade. Se há símbolo que exprima a tradição urbana suíça é este. Uma colecção:


Fotografias feitas em Zurique, Baden, Stein-am-Rhein e Rapperswil.

domingo, 11 de abril de 2010

De volta

Ouvi numa rádio local um intelectual suíço cujo nome me passou defender que:

A Suíça não existe.

Dizia ele que não há uma etnia nem uma linguagem que criem uma identidade nacional. Há italianos, franceses e alemães, que nem se dão muito bem e passam a vida a troçar uns dos outros. Uns querem a União Europeia, outros não. "Até o país Basco é mais país que a Suíça."
O entrevistador perguntou, e então o queijo suíço, os relógios, a farmacêutica, os bancos, a Nestlé, os chocolates, os canivetes...

"- Sim essa é a identidade suíça: o que fazemos , e não o que somos."

Ora muito me deu isto que pensar. Um país improvável, no meio de montanhas, sem mar nem riquezas próprias, sem História nem Descobertas, com poucos terrenos cultiváveis - fez-se. Fez- SE.

Portugal enche o peito a dizer que FOMOS e que SOMOS; mas não faz nada de jeito ! É só basófia e orgulho identitário, por que obra que se veja, enfim. É tarefa ingrata procurar o que quer que seja de português no estrangeiro. Nem queijo, nem relógios, nem medicamentos, nem bancos, nem canivetes. Nada, a não ser...emigrantes.

Regresso a casa. Mais notas de viagem (não tão amargas) seguirão.