domingo, 10 de dezembro de 2023

A bela Florø – a mais ocidental cidade da Noruega


O que me chamou a atenção para Florø foi uma breve frase no espantoso livro de Knut Hamsun, Os Viandantes (Landstreykere), que li na tradução francesa: " Un petit village ravissant , Florö, accueillant et animé! ".

O porto de Florø foi fundado em 1860, já em tempos modernos, numa ilha entre Ålesund, a norte, e Bergen, a sul; é a cidade mais ocidental da Escandinávia. 

Os habitantes, cerca de 11 000, vivem ainda da agricultura (cada vez menos), mas o sucesso da cidade está no negócio das pescas - aquacultura e exportação de salmão, arenque e cavala, defumação e processamento de peixe. Desde 1960 também é uma base de apoio às plataformas offshore do Mar do Norte. 

Fugleskjærskaia, o cais principal 

Outro factor de riqueza são os estaleiros navais, iniciados desde a fundação da cidade. Uma atracção recente é o Museu Costeiro que expõe barcos e aparelhos, além de eventos temporários. 


O Hotel é o edifício mais vistoso no cais, mas toda a frente marítima é simpática. 
 
Maritim Hotell

Só visitada por turistas locais  ou britânicos,  é um local de encontros para as empresas do mar - estudos sobre bancos de pesca, técnicas novas, energias do mar (marés, eólicas) e visitantes da Universidade do Mar.



Hjørnevikbua, restaurante (ver mais adiante).
 

Horne Brygge, sede da empresa responsável pela renovação do centro urbano.
 
Ao mesmo tempo que protege a mais antiga frente marinha, Florø também renova modernizando prédios de menos valia.

 
Strandgata

A Strandgata (rua da praia) é a rua principal. Hjørnevikbua, Strandgata 23, é a casa comercial mais antiga de Florø


Diferentes actividades ocuparam esta casa: defumação de peixe, transporte marítimo, serviço postal, banco, jornal, consulado, alfândega, padaria. Actualmente é um dos restaurantes mais afamados da região.



Kinn Bryggeri, de 1860, na Strandgata, cerveja local,

Lille Marked, loja gourmet

A vida boa à norueguesa, conquista recente - só de há 50 anos para cá.

Um bairro residencial perto da igreja, na rua Hans Blomgate, reúne o casario mais bonito da cidade.


 

Florø não terá um rico património histórico, mas pode gabar-se de um magnífico farol-ilha: o Farol Stabben.


Construído em 1867 sobre uma ilhota rochosa na entrada de Florø. É uma casa em enxaimel, assente numa parede de pedra.  Tem um pequeno embarcadouro com casota de abrigo.



 

Expõe o passado pesqueiro da região de Kinn, e a natureza da costa, dos fiordes e do mar.



 
 
O veterano  M/S Atløy


É um pequeno navio de transporte misto de 1931. Com casco de ferro, prestou serviço até 1974. Podia transportar até 120 passageiros.


 
Está actualmente ancorado no cais de Florø, ao serviço do turismo.


Nem deixa de haver em Florø património arqueológico ! Basta atravessar ou contornar um pequeno fiorde.

Petróglifos de Ausevika
 

Numa península a sul de Florø, a meia hora por estrada, encontraram-se pedras gravadas com mais de 3000 anos. Um centro interpretativo foi recentemente instalado.


Uma vasta lage inclinada para a margem está coberta de gravuras. Há vestígios de actividade agrícola e de caça, pelo que se pensa que se trata de uma cultura em transição de nómada para sedentária. A datação mais aceitada é ~ 1800 - 1500 AC, mas pode ser mais antiga.
 
 

Espirais e labirintos, homens e animais, rituais de fertilidade e motivos agrícolas surgem em múltiplos desenhos e locais, mas o mais frequente é o veado.



O veado mais 'bonito' :


Fico de olho arregalado com a descoberta de sítios como este, de que nunca se ouve falar, a Europa inalcançável sob tantos pontos de vista, colorida, rica, animada, com História, onde deve saber tão bem viver. No Verão, pelo menos.

 

------------------------------------------
A seguir: A Ilha de Kinn, sítio de peregrinação ao largo de Florø

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Moimenta da Raia, a aldeia mais longínqua


Em Portugal nada é verdadeiramente remoto, hora e meia ou duas no máximo chegam para qualquer um se deslocar por terra a uma cidade ou ao litoral. Moimenta da Raia foi em tempos inacessível por falta de estrada, era uma aldeia de fronteira por onde se contrabandeava com Espanha e se emigrava clandestinamente. 

Bragança fica perto por estrada, Ourense também. Mas como está na fronteira integrada no Parque de Montesinho, numa das áreas mais despovoadas do país, com boa vontade pode exagerar-se e dizer que é uma das aldeias mais remotas.

A outra candidata, Rio de Onor, já é uma disneylandia turística. Todas as casas de arquitectura popular mais interessante estão para alojamento ou restauração, e apinocadas. Moimenta tem algumas casas de emigrante, mas mantém património mais antigo e vale mais pelos moínhos e pela ponte medieval.

Vista do topo da igreja

Moimenta da Raia fica situada na Serra da Coroa, a cerca de 900 metros de altitude, mesmo na fronteira com Espanha, e perto do rio Tuela. É atravessada pela afluente Ribeira de Anta. Tem menos de 200 habitantes.
 
Igreja Matriz
 
A actual construção é barroca, do séc. XVII, mas há elementos mais antigos. As torres contrastam com a frente e com o interior.
 

 
Torres quadradas, de estilo Românico, e entre elas uma balaustrada de granito.
 

 
Três naves, separadas por arcos quebrados.
 

Tecto de caixotões no altar mor

Fontanário


No adro ao lado da igreja,  ouve-se continuamente o som da água a correr.

Casa nobre

Solar dos Ataídes Figueiredo
 
Está agora a servir como unidade hoteleira.

Casas de pedra de Moimenta






Taberna Ribeira d'Anta, na praça central.


Os Moinhos de Água de Moimenta

É um conjunto notável de três moínhos em escada a aproveitar o curso de água que desce a encosta para a Ribeira de Anta. Estão classificados, na Rede Portuguesa de Moínhos.





A Ponte medieval das Vinhas

O acesso a partir de Moimenta faz-se por um percurso íngreme que inclui uma calçada rude de pedra, medieval também.




Miradouro de Moimenta

Ao fundo, o rio Tuela, entre carvalhos, castanheiros e amieiros.

Giestas, urze, carqueja, tomilho

Rio Tuela e Praia da Feijoeira

O Tuela é o principal protagonista nesta paisagem. Nasce em Sanabria, num vale glaciar, e vai desaguar no Tua.

Vista na Ponte de Couços
 
Praia fluvial da Feijoeira
 


Pouco promovida, a 'remota'  Moimenta da Raia ganhou em preservação o que perdeu em receita turística. O equilíbrio é difícil de fazer.

Muito próxima fica a aldeia de Casares, onde há alojamento, as Casas de Casares.