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domingo, 4 de maio de 2025

Sandwick, Orkney : Skara Brae, Skaill House e St Peter's kirk


Desta vez viajemos às ilhas Orkney.

SKaill Bay, na costa oeste da maior ilha Orkney; ao fundo St Peter's Kirk.

Skaill House, de frente para a baía.


Sandwick é uma das mais desoladas e remotas regiões da maior ilha das Orkney. Prosseguindo na minha obsessão em ver e mostrar sítios novos da Europa, nada melhor do que um recanto onde não devia haver coisa alguma e afinal há: uma aldeia Neolítica, uma mansão apalaçada perto da praia e uma invulgar igreja em bom estado. Tudo muito inesperado, numa planura sem árvores, sub-ártica, à beira do selvagem Atlântico Norte. A poucos minutos está a bela cidadezinha de Stromness, 10 km a sul, onde não falta nada.

Porto de Stromness.

O nome 'Skaill ', palavra do nórdico antigo das Orkney, refere-se a um sítio de importância relevante. Alguma coisa aqui houve no tempo dos Vikings; mas muito antes disso nasceu uma impressionante aldeia neolítica em Skara Brae, de renome mundial, e importância comparável a Pompeia ou às Pirâmides.

O acesso é pela B 9056 ao longo do Loch Skaill, uma panorâmica plana de água e vegetação rasteira.


Skara Brae, sítio arquelógico da Idade da Pedra

Há 5000 anos, as Orkney tinham um clima suave e um solo fértil, muitos lençóis de água doce, e estavam suficientemente afastadas para segurança contra ataques. Em Skara Brae estamos perante uma obra maior do Neolítico - a aldeia foi uma construção de muito engenho recorrendo ao material disponível no local.


Por volta de 1850, uma violenta tempestade no mar conjugada com uma maré alta excepcional deixaram a descoberto a base das Dunas de Skerrabrae, revelando um amontoado de detritos e cinzas recheado de artefactos. 



Oito anos depois já estavam à vista quatro estruturas e um vasto espólio de achados primitivos. Em 1861 foram abertas vária câmaras e passagens. Em 1970 o arqueólogo David Clark fez finalmente a datação por radiocarbono confirmando que os achados não eram da Idade de Bronze (Pictas) mas bem mais antigos - do Neolítico tardio, tal como as pedras de Ness of Brodgar; o local estava habitado entre 3200 aC e 2500 aC. Em Dezembro de 1999, Skara Brae foi incluída nos Sítios de Património Mundial da UNESCO. 

Casas 1, 2 e 8 - primeiras a ser descobertas, as 'melhores'; casas 9 e 10 - as mais antigas. A zona mais escura é a mais antiga, mais afastada do mar; a aldeia cresceu em direcção à praia.

Casa nº 1, com o seu 'aparador' em lajes da praia. 

Cada habitação contém peças de mobiliário em pedra - camas, assentos, armários e caixas de arrumação. Ao fundo vilslumbra-se Skaill House.

Skara Brae devia ser um lugar acolhedor. Algumas dezenas de humanos construíram as oito habitações, ligadas por passagens cobertas, encostadas umas às outras para se protegerem dos invernos rigorosos. Tinham uma lareira central no interior, e os espaços estavam 'mobilados' com camas de pedra e armários de prateleiras, tudo com as pedras e lages argilosas da praia - note-se que nas ilhas não existem árvores desde há mais de 5000 anos, excepto os destroços que dão à praia.

A entrada nas casas era por uma porta baixa sustida por uma laje de pedra; de frente para a porta estava o aparador, à direita e à esquerda camas, ao centro a lareira. 

Casa nº 8

Menos de 50 pessoas habitariam a aldeia, vivendo da pastorícia de gado e ovelhas e da colheita no mar. Cultivavam pelo menos cevada, de que se encontraram grãos. Culturalmente fazem parte da população dita de "Cerâmica ranhurada", Grooved Ware.


Cerâmica ranhurada neolítica de Skara Brae

Colares de berlindes de osso

Pedras esculpidas de significado desconhecido

'Buddo', figura esculpida em osso de baleia que se tornou símbolo de Skara Brae. Foi encontrada na Casa nº 3. 'Buddo' é um vocativo amigável orcadiano.
(2900-2400 aC , Museu de Stromness).

Mais:



Skaill House, mansão senhorial do séc. XVII

Construída em 1620 para o Bispo das Orkney, foi durante 400 anos ocupada por sucessivos 12 'Lairds' (*). Um deles, William Graham Watt, Laird de Breckness, foi quem descobriu e explorou a aldeia neolítica de Skara Brae em 1850.


Na base estão duas casas de empena frontal escalonada em degraus encimadas por chaminés; vê-se a janela óculo que ilumina a biblioteca.

Actualmente está aberta para visitas como casa-museu e para alojamento em apartamentos.


Recanto de leitura na biblioteca, junto a uma janela em óculo.


Mais:

St Peter's Kirk
Igreja de S. Pedro de Sandwick

Custa a acreditar que exista uma igreja coim estas dimensões num lugar ermo e remoto das Orkney, sem nenhuma povoação por perto.


Situada no outro extremo de Bay of Skaill, num terreno irregular e exposto ao mau tempo, de onde se pode vislumbrar Skara Brae ao longe, para sul. Um edifício de 1836 bem conservado, num estilo georgiano simples, caiado, em que o único enfeite é um pequeno campanário rematado por um esfera de pedra. O interior austero, em madeira lisa, teve o seu auge durante o século XIX quando 500 pessoas se acumulavam e se apertavam.



Porquê uma igreja destas dimensões num canto quase desabitado e remoto? Esteve para ser demolida em 1988 devido aos prejuízos causados pelos temporais, mas foi restaurada por um fundo privado, embora ficasse sem electricidade nem aquecimento.


A madeira veio do Báltico.

E pronto, Ainda podia falar do Ring of Brodgar, uma alinhamento circular de pedras do Neolítico que não fica longe. Andou muita gente por aqui ! 

Fico pela praia.




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(*) Lord, proprietário de terras.


sábado, 28 de setembro de 2024

Mosteiro Beneditino de St. Alban de Selja, a 62º N


Um sítio tão intrigante como prodigioso, e algo mágico: numa ilhota mínima do Mar do Norte, perto do Círculo Polar, houve um mosteiro medieval fundado dedicado à irlandesa St. Sunniva e ao seu irmão, o mártir britânico St Alban.


 
A Igreja de St. Alban

O Mosteiro da Ilha de Selja foi construído durante o reinado do Rei Olav I (995-1000) e terminado por volta de 1100. Era habitado por 10–15 monjes.

Representação ficcional do que seria o Mosteiro Beneditino no auge.

Durante dois séculos foi lugar de peregrinação a Santa Sunniva, mas um grande incêndio em 1305, seguido da Peste Negra, causaram o seu progressivo abandono que levou ao estado ruinoso actual. O último documento conhecido data de 1536.
 
" Volto Santo " de Lucca, ca. 1100, encontrado em Selja. 
 
Segundo a lenda baseada em sagas e outros documentados, a princesa Sunniva da Irlanda e os seus companheiros fugiam de um tirano ocupante viking num pequeno barco e aportaram à ilha de Selja, abrigando-se em cavernas na montanha. Algum tempo passou, até que o conde pagão Håkon chegou para os desalojar. Sunniva e os seus penetraram a fundo nas cavernas, mas a montanha desabou e ficaram soterrados. Aconteceu no ano de 996, e desde aí estabeleceu-se o culto aos mártires de Selja. Santa Sunniva, embora nascida na Irlanda, é a única santa feminina da Noruega.
 

 

A ilha de Selja (do latim Selia), localizada na baía de Sildagapet em frente à aldeia portuária de Selje, tem apenas 5 habitantes permanentes, que gerem o cais e a recepção a visitantes; para deslocações temporárias só dispoem de um ferry, que liga Selja à aldeia de Selje, esta com pouco mais de 700 habitantes. É daqui que actualmente partem peregrinos e... turistas, claro. Mas contingentados.

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O Mosteiro era um complexo de dimensão respeitável, com pátios e arcadas. Do conjunto resta a Torre, algumas pedras da base da igreja e do claustro, e as ruínas da padaria do mosteiro. Um restauro recente aplicou uma cobertura à igreja de St. Alban.

 
Está situado no sopé a Noroeste da montanha de Selja ( 200 m), onde se situam as cavernas. 

No lado oposto da ilha, voltado para a costa, Selja está aberta à baía de Sildagapet, no Mar do Norte; há um embarcadouro e algumas casas, entre elas a casa do antigo barqueiro.


O cais no lado oriental da ilha, com a cabina e o pontão flutuante para o pequeno barco que liga como Selje.

Atravessando a baía, chega-se a Selje, povoação que tem duas aglomerações diversas: a antiga, com a igreja e cabanas para os barcos dos pescadores, e a moderna, com edifícios administrativos, uma residencial , algumas lojas e uma marina.


Um perfil idílico.

Sem dúvida uma Noruega menos ostensivamente rica e confortável, provando que ainda há muito espaço para isolamento e vida em sobriedade.

Na parte sul da aldeia há um centro de peregrinação que tanto acolhe os locais como os visitantes - o 'Selje Prestegard ', bem cuidado.

 

 

Para quem for visitar a ilha de Selja, três percursos a pé são possíveis desde o cais até ao Mosteiro; o caminho pelo Norte [1] é o mais antigo e o mais curto. O caminho [2] corta a direito pelo topo da montanha, e oferece vistas de 360 graus; o caminho [3] pelo sul é o mais acidentado.

 
Kloster= Mosteiro.