domingo, 6 de dezembro de 2009

Ano Haydn: König leva a ONP ao melhor nível (5/12/09)

Pronto, está confirmado: Christopher König é "o" maestro que faz a diferença na ONP. Nem Peter Rundel, nem o medíocre André Martin, nem Emílio Pomàrico, nem o muito mau Yves Abel.

O maestro titular König não só conhece os músicos como cada ruga da palma da mão, mas tem também a capacidade inovadora e criativa da juventude, é estudioso e mantém-se actualizado em termos do que se faz noutras partes do mundo.


Para já , pôs os músicos da ONP a tocar de pé ! Nunca visto por cá numa orquestra clássica. Conjugado com uma energia esfuziante e certamente com bom trabalho nos ensaios, resultou numa prestação digna de uma boa orquestra europeia - diálogo eloquente entre partes da orquestra, trechos solistas a bom nível, exploração dinâmica da agógica barroca, stacattos e tutti muitíssimo expresivos e bem conseguidos. Os músicos contagiados em palco pela entusiástica direcção. Nem parecia a "mesma" orquestra. De parabéns, König.

O programa do concertos de Sábado, 5/12, foi também inteligente, criativo e conseguido: alternando com as sinfonias de Haydn (Nos. 6,7,e 8), foram inseridas obras de Arvo Pärt, talvez o maior génio da música contemporânea. O contraste foi evidente mas educativo. A conjugação de elementos da orquestra em Pärt é diferente mas também articula um diálogo espacial e sonoro; o uso de dissonâncias e atonalismo é sempre resolvido em beleza, em acordes consonantes e melodia; os tutti de Pärt têem um impacto e dramatismo quase operático como os de Haydn.

Em suma, uma bela surpresa de Natal. Haydn ficou bem neste seu dia.

[Nota: também Joseph Swensen foi excelente à frente da ONP]

sábado, 5 de dezembro de 2009

Soprem, soprem, ventos do inverno

Blow, blow, thou winter wind.
Thou art not so unkind
As man’s ingratitude (...)

de "As You Like It", William Shakespeare

E também Sandy Denny, uma das songwriters preferidas da minha fase jovem:

Winter Winds- Sandy Denny


Lindo! Não é só a música clássica que é intemporal !

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Começou a longa noite polar


Desde finais de Novembro, as regiões do Ártico entraram na temporada da Noite Polar. Despediram-se do Sol, que só regressa dentro de uns dois meses, pelo fim de Fevereiro, recebido com festas e alegria. Até lá, Boa Noite!


Ao meio dia é crepúsculo - o sol tenta espreitar entre os picos nevados , mas não consegue. Na realidade nunca fica totalmente escuro como numa noite normal. Há uma espécie de lusco-fusco permanente, e com Lua Cheia a noite polar até tem mais luz que uma noite nos trópicos.


A Noite de Natal pode comemorar-se todo o dia ... apesar da melancolia de dois meses sem sol, os povos do ártico já estão preparados e até aproveitam com agrado a noite polar para alterar o estilo de vida. Passam horas a apanhar peixes através de furos na camada de gelo, praticam jogos em sociedade, vêem doses maciças de filmes. Os passeios sob a luz da Lua, reflectida na paisagem de gelo, proporcionam visões mágicas, fantásticas. E qualquer hora é boa para um soninho, ou para um café:

Gostava de experimentar... ouvia música até o sol nascer...