quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Balanço: os meus melhores 20 filmes de sempre



Não é tanto por 'moda', mas por irritação em ver escolhas de 10 ou 1000 melhores filmes completamente viciadas de preconceitos de modernidade, relativismo e integracionismo. A minha lista tem os meus preconceitos, claro, que são evidentemente muito melhores :D

São tudo filmes "larger than life", maiores que a vida, onde passa um sopro épico, trágico, heróico, místico, onde os actores se elevam ao nível de deuses, filmes rodeados de uma aura de universalidade que os torna lendários. Obtiveram esse status graças a uma inspiração única mas sobretudo a uma realização cinematográfica excepcional, com fôlego de génio, muitas vezes conjugada com uma banda sonora inesquecível. Nada de woke ou coisas comezinhas, portanto.

Os 20 filmes que mais preencheram a minha vida:

1.   2001 - Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick

2.   Stalker, de Andrei Tarkovsky

3.   E La Nave Va, de Frederico Fellini

4.   Lawrence of Arabia, de David Lean

5.   Solaris, de Andrei Tarkovsky

6.   Vertigo, de Alfred Hitchcock

7.   The Searchers, de John Ford

8.   Blade Runner, de Ridley Scott

9.   West Side Story, de Robert Wise

10. Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola

11. Morte em Veneza, de Luchino Visconti

12. Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock

13. Leviathan, de Andrey Zvyagintsev

14. Tree of Life, de Terrence Malick

15. Asas do Desejo, de Wim Wenders

16. Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman

17. Esplendor na Relva, de Elia Kazan

18. Era uma vez na América, de Sergio Leone

19. Titanic, de James Cameron

20. The Thing, de John Carpenter

Um factor que intensifica a magia e o envolvimento é a música: a dança das naves espaciais de 2001 ao som do Danúbio Azul, a Força do Destino a acompanhar o barco dos namorados sérvios em fuga, a música inspirada de Morricone quando Noodles espreita a dança de Deborah, a deambulação moribunda pela noite de Veneza ao som de Mahler...

Devo confessar que a cinematografia asiática - japonesa, chinesa e coreana - só está ausente porque não fui capaz de escolher de memória e sem hesitar, o que torna a lista demasiado ocidental. Noutra altura poderei rever esta questão. Mas três são russos, e geniais, o que desfaz qualquer suspeita de ocidentalismo. 

Tenho de fazer justiça a alguns actores, pois vários dos 20 filmes são também filmes de actor. 

Peter O'Toole em Lawrence; Kim Novak em Vertigo; John Wayne em A Desparecida; Marlon Brando em Apocalipse Now; Natalie Wood e Warren Beaty em Esplendor na Relva; Robert de Niro em Era uma vez na América; Kate Winslet em figura de proa no Titanic.

Outros tantos heróis de minha era. 


terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Danças cintilantes

"Mirrie Dancers" é como são chamadas as Auroras Boreais nas Ilhas Shetland. Acabo de receber imagens já deste ano:


As imagens são da ilha de Burra, West Shetlands.


Fotos de Catherine Munro

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Arquipélago Sjuøyane, o mais setentrional território da Europa


Esta Europa ninguém visita, ninguém refere, ninguém defende ou ficciona. Não tem cafés, nem museus, nem castelos, nem europeus sequer, nem nada. Só pedras e gelo. Mas, atenção, é terreno europeu ! Infelizmente, a maioria dos mapas da Europa não inclui sequer o arquipélago norueguês de Svalbard. Mesmo neste que se segue, as ilhas Sjuøyane, mais a Norte, estão tapadas pela longitude 20, no topo...



Estão a ver ? A 80º 32' N, lá muito distante quem ruma ao Pólo, não interessa nada, essa Europa. Os tempos mudam, contudo, e se continua a aquecer ainda lá surgirão relvados, flores e joaninhas.

O arquipélago Sjuøyane, no extremo Norte de Svalbard, é visitado rarissimamente, mas por ali passaram desde o século XVII algumas expedições ao Pólo Norte, sobretudo holandesas e britânicas. A primeira referência parece ter sido de um capitão baleeiro da bela cidade portuária holandesa de Enkhuizen, seguida da repesentação num mapa do cartógrafo holandês Hendrick Doncker em 1663. Nem J.S. Bach tinha nascido ainda !

Museu de Enkhuizen, navios em garrafas.

Neste minúsculo arquipélago, a ilha mais minúscula é a mais setentrional:  a ilha de Ross, ou Rossøya, em homenagem a James Clark Ross, o explorador britânico que comandava o navio Hecla na expedição de Parry ao Pólo Norte em 1827. Assim que passou por Rossøya, a expedição foi forçada a desistir, bloqueada no mar gelado, mas estabeleceu o recorde de latitude Norte navegada até então.

A 80° 49′ 44.41 N, atinge-se o ponto mais setentrional da Europa, se pusermos de parte a Franz Josef Land (terra de Francisco José), em boa verdade pouco europeia, e sim Rússia Asiática.

Aqui está, a 80° 49′ 44.41 N, o rochedo Rossøya onde a Europa acaba quando se navega para Norte. Simbólico, de certa forma belíssimo.

Mas vejamos o arquipélago Sjuøyane. São sete ou oito ilhas: três maiores

Phippsøya , Martensøya , Parryøya

e quatro pequenas mais um rochedo:

Nelsonøya , Waldenøya , Tavleøya , Vesle Tavleøya e Rossøya

Phippsøya (Phipps Island) é a maior ilha. O navegador inglês John Phipps comandou uma expedição de dois navios coma intenção de chegar à Índia pelo Ártico. Aportaram nas ilhas Sjuøyane em 1773, e pouco adiante tiveram de desistir frente ao gelo compacto.


Durante a viagem, Phipps foi o primeiro europeu a descrever o Urso Polar e a bonita Gaivota-Marfim (Ivory Gull).


O mais inesperado na ilha é a cabine Merkoll, a 80° 42′ 43″ N 

Merckoll-hytte


Foi construída por Hans Merckoll in 1936. É uma entre várias casotas de emergência em Svalbard para dar abrigo em caso de necessidade, por exemplo a náufragos. Pertencem ao Estado, e esta Merckoll-hytte de Phippsøya é protegida como a construção humana mais a Norte na Europa.


Martensøya (Martens Island) 


Esta é a ilha mais oriental de Sjuøyane. O nome relembra o médico e naturalista alemão Friderich Martens, que por aqui andou em 1671 à boleia num barco baleeiro e fez a primeira observação e registo de fauna e flora. A ilha tem uma praia em crescente de areia fina, a 80° 32 N. 

Em todas as ilhas há acumulação de madeira que vem à deriva da Sibéria e do Canadá.

Parryøya (Parry island)

É a ilha mais a Sul, baptizada com o nome de Sir William Edward Parry,  que navegou até Spitsbergen em 1827. 
 

Nelsonøya ( Nelson Island) é uma pequena ilha sem interesse; Horatio Nelson tinha servido na expedição de Phipps em 1773.

Waldenøya ( Walden Island) é um rochedo árido, pedregoso, que recebe como as outras ilhas grande quantidade de madeira à deriva.


John Walden era também um marinheiro da expedição de Phipps em 1773. 

Rossøya e Vesle Tavleøya


Rossøya, a ilha de Ross, que já referi no início, tem o seu extremo Norte a 80° 49′ 44.41″ N, e fica 'só' a 1024.3 km do Pólo Norte. Nenhum outro local da Europa fica tão perto.


De acessibilidade difícil, é a ilha mais afectada pela Corrente do Golfo, o que explica porque há alguma verdura no solo - a Cochleraria groenlandica cresce fertilizada pelos muitos pássaros, como a torda anã (alle alle), o airo de Brünnich e o colorido puffin (papagaio-do-mar). 


O Finisterra do Norte !

Airo de Brünnich

Torda-anã

Puffins

Cochelaria groenlandica

Grande viagem. Nec plus ultra.